Brasil

5 de janeiro de 2017 - 10h40

PF sabia de ameaças e massacre em presídio poderia ser evitado


Agência Brasil/Antonio Cruz
   
O mesmo documento foi usado como base para a Operação La Muralla, em novembro de 2015, quando foram cumpridos 127 mandados de prisão. Apesar do documento, o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, responsável pela PF, admitiu apenas que a instituição tinha conhecimento de um plano de fuga.

As informações são de O Globo.

O plano dos criminosos da facção amazonense Família do Norte (associada ao grupo carioca Comando Vermelho) de eliminar presos supostamente ligados à facção paulista Primeiro Comando da Capital (PCC) era de conhecimento da Polícia Federal do Amazonas desde outubro de 2015. Somente na segunda-feira à tarde, depois do massacre, o Ministério da Justiça, ao qual a PF está subordinada, anunciou a liberação de recursos para a transferência de detentos para presídios federais.

As informações de que as mortes poderiam ocorrer constam em um relatório de mais de 600 páginas, com milhares de mensagens e chamadas telefônicas de criminosos interceptadas pelos policiais federais. O documento tem trechos de conversas do chamado núcleo central da facção amazonense, em que é revelado o propósito de eliminar “todos os membros da facção paulista que se encontravam presos em Manaus”.

No dia 19 de outubro de 2015, todo o material foi encaminhado à 2ª Vara Federal do Amazonas pelo delegado Rafael Machado Caldeira, da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Drcor), da PF do Amazonas. O material foi usado como base para a deflagração da Operação La Muralla, no final de 2015, levando à denúncia e à expedição de 127 mandados de prisão. Todos acusados de tráfico de drogas, armas, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, assassinatos e torturas.

Negligência e silêncio 

Em silêncio até agora sobre o massacre no presídio Anísio Jobim, em Manaus, que deixou 56 mortos entre domingo e segunda-feira (2), o presidente Michel Temer fará nesta quinta-feira (5) uma reunião ministerial para discutir a situação das prisões no país. O massacre é o segundo maior em presídios na história do Brasil. Enquanto o papa Francisco manifestou tristeza com as mortes, o governador do Amazonas, José Melo (PROS), disse que não há nenhum “santo” entre as vítimas da chacina.

O objetivo é colocar a tese de que os crimes não ocorreram por omissão do governo federal. Temer pretendia falar sobre o caso depois que o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, fizesse um diagnóstico. Na quarta (3), porém, ele mudou de ideia. O Planalto avaliou que o massacre é um problema do estado do Amazonas e que a manifestação do governo foi feita com a ação in loco de Moraes, que viajou à capital.

Entenda o caso 

Uma rebelião no Complexo Penitenciária Anísio Jobim (Compaj), em Manaus, deixou 56 detentos mortos. O levante na unidade começou na tarde de domingo (1), e a situação foi controlada apenas durante a manhã de segunda-feira, após pouco mais de 17 horas. O secretário de Segurança Pública amazonense, Sérgio Fontes, falou que se trata de um “massacre” provocado pela briga entre as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC), originária de São Paulo, e a Família do Norte, do Amazonas.


Com agências 

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