Brasil

5 de janeiro de 2017 - 17h00

Craque se faz em casa


   
Craques como Raí, Deco, Dener, Djalminha e Neymar foram revelados na Copinha, como é carinhosamente chamada. Antes de ser campeão mundial pelo São Paulo, Raí foi vice da Copa SP pelo Botafogo de Ribeirão Preto, em 1985. Deco, consagrado nas potências Barcelona e Chelsea, também foi vice, jogando pelo Corinthians, em 1997.

Dener foi o melhor jogador da Copinha de 1991, comandando a Portuguesa em uma campanha impecável: 9 vitórias em 9 jogos. No ano anterior, Djalminha foi o craque de um dos maiores times da história da competição, o Flamengo de 1990. E por falar em melhor, Neymar debutou nos juniores aos 15 anos, pelo Santos, em 2008.

A lista tem, ainda, Falcão (Internacional, 1972), Cerezo (Atlético-MG, 1972), Casagrande (Corinthians, 1980), Cafu (São Paulo, 1988), Dida (Vitória, 1993), Luizão (Guarani, 1994), Kaká (São Paulo, 2001), Vagner Love (Palmeiras, 2003), Pato (Internacional, 2006), Keirrison (Coritiba, 2006) e Lucas (São Paulo, 2010).

Esta 48ª edição promete! Com número recorde de equipes, 120 (no ano passado, foram 112), cada clube pode inscrever 25 jogadores, ou seja, são cerca de 3 mil meninos sonhando com uma vaga em um grande clube e um lugar no coração das/os torcedoras/es. São garotos de todo o país e do Haiti, que pelo segundo ano, disputa com o Pérola Negras.

A competição de base mais assistida no Brasil

Criada em 1969 com o nome de Taça São Paulo de Juniores, a competição era organizada pela Prefeitura de SP. A partir de 1971, passou a ter participantes do Brasil todo e em 1980, incluiu clubes de outros países – embora não tenha sempre. Sete anos depois, passou a ser responsabilidade da Federação Paulista de Futebol (FPF), porque o então prefeito Jânio Quadros não quis arcar com os custos.

O maior campeão é o Corinthians, com 9 títulos e 7 vice-campeonatos. Na sequência vêm Fluminense, com 5 títulos e Internacional, que tem 4, mas com o aproveitamento de 80%, pois, por ser de fora de SP, participou menos vezes.

Revelações: e agora?

Considerada vitrine do futebol, a Copa São Paulo dá aos meninos a oportunidade de mostrar o seu talento. Aos clubes, a chance de revelar “pratas da casa” para fortalecer a equipe principal. Ao/à torcedor/a, o gosto do futebol durante o recesso e novos craques para vestirem a camisa de seu time do coração.

Entretanto, muitos treinadores relutam em escalar os jogadores da base, preferindo os nomes consagrados. Ou, na outra contramão, jogam os jovens atletas “na fogueira”, isto é, dão-lhes responsabilidades que requerem uma experiência que eles ainda não têm. Ou pior: os garotos são vendidos precocemente, sobretudo para o exterior, enfraquecendo as competições nacionais e acabando com a identidade clube-jogador-torcida.

Os clubes precisam perceber que investir nas bases é o melhor caminho. Confiem nos meninos! É dentro de campo que eles desenvolvem o seu potencial. Mas confiem na medida, não lhes atribuam responsabilidades além da conta, sob o risco de matar precocemente um grande atleta.
E, sobretudo, parem de se desfazer tão facilmente dos nossos craques! Em vez de fazer contratações milionárias ou de recontratar estes mesmo jogadores a preços exorbitantes depois, se esforcem para mantê-los. O futebol brasileiro agradece.


*Penélope Toledo é comunista, jornalista com passagem pelo jornal Lance!

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