Brasil

4 de janeiro de 2017 - 8h11

Para evitar mais desgaste, governo recua e respeita eleição na Fiocruz


Reprodução
Nísia Trindade Nísia Trindade
Como acontece há 20 anos, os servidores da Fiocruz votam nos candidatos e o ministro da Saúde confirma o resultado, nomeando o mais votado. O ministro Ricardo Barros, porém, anunciou na semana passada que nomearia a segunda colocada, Tânia Araújo Jorge, e não a primeira, Nísia Trindade.

A comunidade científica se mobilizou contra a decisão do ministro, com manifestações de diversas entidades, mesmo durante o feriado de fim de ano. Para resolver o imbróglio, o ministro chamou a Brasília as duas pesquisadoras, que deveriam conversar entre si e chegar a uma conclusão que deveria ser comunicada.

Oficialmente, Barros informou ter havido um "entendimento em torno da unidade” da instituição em um “momento de conciliação” para a polêmica sobre a sucessão na entidade. E que ele, Tânia e os demais integrantes da chapa vão participar da gestão de Nísia após uma “conciliação de interesses de união em torno dos objetivos propostos pela Fiocruz”.

Hoje, deputados de diversos partidos se reuniram com o ministro. "Fomos cobrar respeito à eleição para presidente da Fiocruz. Queremos que prevaleça o resultado que apontou a pesquisadora Nísia Trindade e que ela seja nomeada", disse Paulo Teixeira (PT-SP).

Segundo ele, o ministro criticou a atual gestão do órgão e se comprometeu a rever sua decisão. "Foi uma derrota para o governo a grande mobilização da comunidade em fim de semana que coincidiu com a virada do ano. Na verdade quem segurou esse processo foi o Palácio. Vários interlocutores levaram para o governo que a comunidade científica não iria aceitar."

Teixeira lembrou que o caso seria a gota d´água para os cientistas. Primeiro veio a extinção do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, com sua fusão à pasta das Comunicações e o rebaixamento de setores importantes, como a agência de financiamento de projetos Finep. Depois, os cortes no setor, que serão congelados pela Emenda Constitucional (EC) 95/2016.

Trabalhadores rechaçam atitude antidemocrática 


A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil – Rio de Janeiro (CTB-TJ) emitiu uma nota rechaçando a atitude do governo em ferir a democracia interna da fundação. Leia abaixo o comunicado: 

A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil – Rio de Janeiro, através da presente nota, manifesta sua posição em defesa da democracia. Após uma nota publicada pela grande mídia, cresceu, no seio de toda sociedade fluminense, o receio de que a candidata mais votada nas eleições internas da Fundação não seja nomeada pelo Governo Federal, remetendo à tempos sombrios da nossa democracia, quando as eleições internas das instituições pouco valiam para nossos governantes.

Os Governos Lula e Dilma criaram uma cultura democrática nas instituições públicas, respeitando seus estatutos e processos de decisão interna. Nós, da CTB-RJ, manifestamos o desejo de que essa prática se mantenha. Repudiamos qualquer tipo de nomeação que não seja a da candidata mais votada, Nísia Trindade, e exigimos que o governo Golpista respeite a democracia na FioCruz.


Com agências 

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