Brasil

16 de dezembro de 2016 - 10h57

José Reinaldo: Em memória dos mártires da "Chacina da Lapa"


   
Por José Reinaldo Carvalho*

Em nome da memória histórica, faço dois registros, que considero, sem extrapolações nem transposições mecânicas, úteis à nossa reflexão e às tarefas atuais dos comunistas.

O episódio foi o último arreganho da ditadura militar-fascista, que desde a promulgação do Ato Institucional número 5, a 13 de dezembro de 1968, portanto durante oito anos, governou o país com base no arbítrio e na mais dura repressão aos opositores, incluindo a tortura a presos políticos. Um período de guerra aberta contra o povo para favorecer os interesses da grande burguesia monopolista, dos latifundiários e do imperialismo estadunidense. Depois da "Chacina da Lapa", a ditadura preparou o terreno para uma longa fase de transição chamada de "distensão", depois de "abertura", até seu esgotamento, em 1985.
                                                                                                                                                                Ângelo Arroyo 

Aqui vão os registros. No plano político, os comunistas e demais forças revcolucionárias começavam a proceder a rearranjos táticos e estratégicos. A avaliação positiva do ato heroico da Guerrilha do Araguaia, necessária para reafirmar o valor da resistência contra a ditadura, já não implicava uma reiteração incondicional da estratégia de guerra popular, porquanto todas as experiências de luta armada do decênio 1964-1974 tinham fracassado e as condições objetivas e subjetivas não permitiam a repetição da estratégia.

Pedro Pomar 
Passava para o primeiro plano a luta política, lato senso, que incluía tentativas de atuação eleitoral, mesmo sob as condições da ditadura. No mesmo ano de 1976, a tática e a estratégia do PCdoB, noções diferentes mas nunca separadas, colocavam no primeiro plano a luta pela revogação dos atos e leis de exceção, a anistia ampla, geral e irrestrita aos presos políticos e a convocação de uma Assembleia Constituinte livremente eleita. Bandeiras igualmente radicais e amplas, segundo o princípio de que na acumulação de forças é necessário sempre ampliar radicalizando e radicalizar ampliando, com um manejo tático simultaneamente amplo, combativo e flexível, sem conciliação com o inimigo principal a combater e com a permanente perspectiva da luta pelo poder político.

O outro registro se refere ao sujeito político para realizar as transformações revolucionárias. Frente única, frente ampla, luta política de massas e construção do Partido Comunista. São tarefas complementares, irrenunciáveis, permanentes.

João Batista Drummond.
Passados 40 anos da "Chacina da Lapa" e já mais de 30 desde o fim da ditadura, com a experiência acumulada de décadas de luta, em que as forças da esquerda consequente, incluindo o Partido Comunista do Brasil, avançaram e recuaram, conquistaram vitórias e derrotas, aperfeiçoaram com muitos acertos as suas estratégias, táticas e métodos de luta e também cometeram graves erros, vivemos hoje um momento em que a reflexão e a ação política devem levar-nos, os comunistas, a cultivar o espírito revolucionário dos que tombaram em pleno combate e perseverar na luta política de massas, na construção da frente popular e democrática, ampla e de esquerda, patriótica e anti-imperialista, para combater o atual regime golpista, e na construção de um partido comunista de vanguarda e de massas, com essência revolucionária, demarcado do oportunismo político e ideológico, consoante as convicções que nortearam a vida dos que tombaram na luta.

* José Reinaldo Carvalho é jornalista, pós-graduado em Política e Relações Internacionais. É secretário de Política e Relações Internaconais do PCdoB



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