Brasil

24 de dezembro de 2016 - 10h02

“Minha vida mudou, já sei ler”, conta adulto alfabetizado no Maranhão


Divulgação/Seduc
Alfabetizado e com óculos novos, Manoel Nascimento Araújo lê uma carta de agradecimento à professora Alfabetizado e com óculos novos, Manoel Nascimento Araújo lê uma carta de agradecimento à professora
Com letras grandes e bem alinhadas, ainda com resquício de quem não “pegou prática”, o senhor Benedito Barbosa conta a Flávio Dino que o programa o ajudou a desenhar as primeiras palavras e agradece a oportunidade. “Como vai, governador? Só quero agradecer pelo Sim, Eu Posso e pedir a Deus que guarde o senhor. Minha vida mudou, já sei ler!”.

Além de Benedito, o programa contribuiu para que a vida de outros 9.367 maranhenses mudasse porque agora eles já sabem ler e escrever. Implementado há pouco mais de 7 meses, o Sim, Eu Posso tem 14.040 alunos e mais de 70% de aproveitamento.

O programa foi implementado até agora nos oito municípios com o mais baixo índice de desenvolvimento humano do estado. Segundo o Censo do IGBE de 2010, 19,31% da população maranhense com mais de 10 anos não sabia ler e escrever, isso coloca o estado em quarto lugar no Brasil com o a mais alta taxa de analfabetismo, atrás apenas da Paraíba, Piauí e Alagoas.

O Sim, Eu Posso é um método de ensino inovador, concebido pelo Instituto Pedagógico Latino-americano e Caribenho de Cuba (Iplac), que aliado aos círculos de cultura da pedagogia de Paulo Freire, ajuda a jovens, adultos e idosos a vencer o analfabetismo em apenas oito meses. Este método foi aplicado em Cuba e teve quase 100% de aproveitamento, depois disso foi exportado para dezenas de países da América Latina e da Europa.

No Maranhão, o Sim, Eu Posso, foi implementado pelo Governo do Estado e é gerido pela Secretaria de Estado da Educação (Seduc) com a coordenação da Secretaria de Estado de Direitos Humanos e Participação Popular (Sedihpop) em parceria com o MST, responsável pela aplicação da metodologia de alfabetização.

Aos 74 anos, Luiza do Nascimento da Silva sabia muito bem como manejar as ferramentas para o trabalho duro na lavoura, mas não tinha aprendido ainda a usar lápis e papel. Segundo ela, esta foi uma das melhores experiências de sua vida. “Aprendi a segurar o lápis e foi maravilhoso. Agora meu desejo é assinar meu nome perfeito, redondinho, sem olhar para papel nenhum. É tão ruim a gente chegar num lugar e alguém perguntar se eu sei assinar e eu ter que ‘botar’ meu dedo”.

Acompanhamento oftalmológico


Os alunos do Sim, Eu Posso contam com um acompanhamento oftalmológico para identificar quem tem dificuldade de ler e escrever devido à distúrbios na visão. Estas pessoas são diagnosticadas e recebem os óculos de acordo com as necessidades para que tenham plenas condições de seguir no programa.

Muitos dos idosos sequer sabiam que precisavam de óculos, apesar de sentir os sintomas como dores de cabeça, coceira nos olhos e cansaço ao tentar ler e escrever. Até agora, cerca de 6 mil alunos já receberam os óculos de forma totalmente gratuita e terão um incentivo a mais para seguir enfrentando a barreira do analfabetismo.

“A entrega destes óculos simboliza o compromisso do governador Flávio Dino no combate a esta chaga que, infelizmente, ainda é muito presente em nosso estado. O ‘Sim, Eu posso!’ vem transformando a vida destas pessoas que não tiveram a oportunidade de frequentar a escola antes”, explicou o secretário de Estado da Educação, Felipe Camarão.

Valdomiro Benício testa os óculos novos 
 
Em 2016 o programa, aplicado em oito municípios, contou com o trabalho de uma equipe de 702 alfabetizadores e 71 coordenadores de turmas. A previsão é que em abril de 2017 comece a segunda etapa em mais 20 cidades. A expectativa é de 32 mil novas pessoas alfabetizadas até o segundo semestre. Ao ver de perto esta mudança, e o olhar esperançoso de quem acaba de descobrir um novo mundo cheio de possibilidades, pode-se dizer que o Maranhão está fazendo uma revolução no combate ao analfabetismo.

No site do Governo do Maranhão há dezenas de comentários de professores interessados em participar do processo de alfabetização, além de famílias que gostariam de inscrever pai, mãe, tio, para que possam aprender a ler e escrever. Pela recepção da população, o Sim, Eu Posso, tem tudo para seguir avançando rumo a um estado capaz de proporcionar uma vida mais digna aos maranhenses.


Do Portal Vermelho

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