Movimentos

3 de novembro de 2016 - 17h30

Estudantes: Ocupação não é facção ou baderna, é luta pela educação


Reprodução
   
Camila Lanes: "Total repúdio ao Ministério da Educação"

A presidenta da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), Camila Lanes, diz que a entidade repudia a ação do MEC em adiar o Enem com o intuito de criminalizar as ocupações. "Os estudantes não possuem interesse algum em boicotar o Enem, tanto que em Minas Gerais a democracia venceu e os alunos realizarão o exame nas escolas ocupadas. O próprio Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) declarou que os colégios ocupados têm totais condições de sediarem as provas, inclusive a Ubes reconhece o Enem como direito dos estudantes, talvez seja a última vez que a prova será utilizado para colocar filhos e filhas de trabalhadores no ensino superior público", denuncia a estudante.

A presidenta da Ubes aproveitou a ocasião para denunciar a postura do Jornal Estadão e do ministro Mendonça, que desqualificam a movimentação dos estudantes como facções baderneiras, pautadas pelos partidos PT, PCdoB, Psol e seus sindicatos. "Nenhum deles dialogaram alguma vez ou fizeram algum esforço de conhecer uma ocupação, esses argumentos deixam claro como a grande mídia está interessada em criminalizar os movimentos sociais. O Estadão me ligou uma única vez durante todo o período dos colégios ocupados e lançaram apenas uma matéria desqualificando nossas ações, chamando-as de "invasão". Isso é a maior prova de que a mídia é paga a manipular, criminalizar jovens que se organizam em entidades e partidos e reproduzir a postura que a ditadura militar tinha com as organizações sociais", finaliza.

"Nosso ideal é muito maior do que promover bagunça"

Giovana Gondin, 15 anos, é estudante da Escola Estadual Central, em Belo Horizonte, e está ocupando o local em conjunto com outros alunos do colégio. Ela considera que a precarização do ensino público é o principal motivo de preocupação do movimento. "Defender a educação é a principal causa, tenho mais dois anos de ensino médio pela frente e não sei qual será o destino da minha formação com a aprovação da medida provisória" explica. 

A estudante rebateu o argumento do senador José Medeiros (PSD-MT), que disse que os estudantes usam as ocupações como pretexto para fumarem maconha. "Temos regras muito sérias no colégio, não permitimos nenhum uso de droga nas dependências, nosso ideal aqui é muito maior do que usar o espaço para promover bagunça, quem inventa esse tipo de boato não sabe o quanto é difícil para nós sairmos do conforto da nossa casa para limpar banheiro, varrer a escola toda, dormir no chão frio todos os dias", esclarece Giovana.

Estudantes denunciam postura do ministro 


A jovem comentou sobre a ação do ministro Mendonça Filho, que promoveu uma guerra de nervos entre os estudantes ao adiar para dezembro a realização do Enem para os 190 mil estudantes que iriam prestar o exame nos colégios ocupados, manipulando a opinião pública contra o movimento. "O MEC poderia apenas remanejar esses alunos para outros locais, estão problematizando ao extremo esse fato para colocar os estudantes uns contra os outros", afirma Giovana.

Luana Marine, ocupante e matriculada na Escola Anísio Teixeira, localizada em Natal (RN), criticou a declaração inconveniente do ministro Mendonça. "É completamente errada a afirmação desse golpista, a ocupação na minha escola é totalmente independente, não existe nenhuma facção petista sob o comando do colégio, é inadmissível que um ministro fale algo desse tipo para criminalizar as ocupações, nossa bandeira é os estudantes pelos estudantes. A sociedade precisa tirar da  cabeça que estamos ocupados para pomover barderna". 

Com mais de 1.000 escolas ocupadas em todo o país, os estudantes afirmam que só sairam das escolas com a revogação da Medida Provisória do Ensino Médio. 


Do Portal Vermelho 

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