Brasil

14 de outubro de 2016 - 13h09

NOTA DO PCdoB SOBRE O SEGUNDO TURNO EM CAMPO GRANDE


1 - Os resultados das eleições no país foram amplamente favoráveis às forças conservadoras, logo após terem alcançado o poder central por meio de um golpe parlamentar contra a democracia, apoiadas pelo aparato judicial, policial e midiático, no interesse do grande capital financeiro rentista de dentro e de fora do Brasil. O conservadorismo, principalmente o PSDB, beneficiou-se do desgaste do PT e da esquerda em geral, que foi fruto do bombardeio diário por parte consórcio golpista e de outros fatores, mas também do sentimento de desesperança e de repulsa à política que se manifestou fortemente na expressiva quantidade de abstenções e votos nulos e em branco.

2 - Em Mato Grosso do Sul, governado pelo PSDB, não foi diferente. Aliás, aqui o crescimento dos tucanos foi mais significativo: elegeram 47% das prefeituras, fora as em aliança, e foram ao segundo turno na capital, onde lograram, ainda, conquistar sete de 29 cadeiras na Câmara Municipal, sem contar as dos aliados. Tais resultados, embora expressem uma tendência geral, não se deram por acaso. A suntuosidade das campanhas do PSDB na capital e no interior em termos de recursos materiais e humanos mostra que foi empreendido um plano hegemonista de poder no estado, buscando sufocar possíveis alternativas para 2018, e até mesmo outros partidos a ele associados, para prolongar o seu domínio no tempo e não ter contraponto.

3 - Por outro lado, as forças de centro-esquerda se apresentaram de maneira fragmentada nas eleições e sofreram forte revés eleitoral, notadamente o PT. PMDB e PT, que há quatro anos eram os principais partidos do estado, viram o PSDB emergir praticamente como pólo único com projeto de poder para as próximas eleições, tendo à frente a figura do governador Reinaldo Azambuja, primeiro governador oriundo das elites agrárias, algo inusitado na história política do estado, sempre marcada por disputas entre pelo menos dois centros políticos. Ressalte-se que o PCdoB, em documentos anteriores às eleições de 2012, já apontava esse processo de declínio da dualidade PMDB x PT e de crescimento dos tucanos.

4 - No primeiro turno da eleição na capital, com o candidato a vice-prefeito na coligação PT-PCdoB, 17 candidatos e candidatas a vereador e a sua militância, o PCdoB ajudou a discutir um novo modelo de gestão, com planejamento, democracia, participação popular e transparência, visando a construir uma cidade mais humana. Apresentamos propostas voltadas ao desenvolvimento econômico, à melhoria dos serviços públicos, ao acesso de todos ao desenvolvimento urbano, à garantia dos direitos humanos e de um meio ambiente saudável. Além disso, fizemos a defesa firme da democracia, da soberania nacional e dos direitos sociais face à conjuntura nacional vigente.

5 - Infelizmente, a nossa candidatura majoritária, encabeçada pelo PT e com PCdoB na vice, não foi ao segundo turno e obteve baixa votação, o que se deve a razões as mais variadas: quadro eleitoral polarizado desde o início por três candidaturas principais, antipetismo forte, aliança restrita e problemas quanto ao discurso político face ao conjunto da disputa. O ponto positivo, digno de destaque, foi a campanha propositiva, que apresentou o melhor projeto para a cidade. Os candidatos a vereador do PCdoB lutaram bravamente, enfrentando a onda conservadora, a falta de recursos materiais, a insatisfação com a política e as campanhas suntuosas. Apesar do resultado eleitoral numericamente pequeno e de não termos conquistado assento na Câmara Municipal, merecem todo o reconhecimento da direção e o incentivo para que prossigam na luta.

6 - O PCdoB, que sempre lutou pela democracia, respeita a vontade dos eleitores, que colocaram no segundo turno as candidaturas de Marquinhos Trad (PSD) e de Rose Modesto (PSDB). E o sinal mais concreto desse respeito é ter posição na disputa final, mesmo considerando a legitimidade de quem, no nosso campo, não manifesta apoio a nenhuma das candidaturas ou defende o voto nulo. O PCdoB não tem dúvida de que o PSDB é hoje, no país e no estado, o principal representante de um modelo privatista, elitista, retrógrado e atentatório aos direitos do povo. Seu projeto de poder hegemonista no estado, contraposto às forças políticas e sociais avançadas, é uma ameaça aos campo-grandenses e sul-mato-grossenses. Esse é o elemento principal que norteou a tomada de decisão do nosso partido.

7 -
Considerando a análise feita, o Comitê Municipal do PCdoB de Campo Grande, em conjunto com a Comissão Política Estadual do partido, ouvindo a militância, decidiu de forma unitária pelo apoio à candidatura de Marquinhos Trad, do PSD, neste segundo turno, contra a candidatura do PSDB, representada pela atual vice-governadora, Rose Modesto. Não se trata de alinhamento ideológico ou político ao projeto do partido do candidato, algo que não acontece nem mesmo em alianças com partidos de esquerda, pois o PCdoB, nas frentes e alianças das quais participa, sempre preserva sua identidade ideológica e programática. Trata-se, sobretudo, de um voto contra-hegemônico, pois a derrota do PSDB na capital significará um freio aos seus intentos, abrindo possibilidades a alternativas na disputa pelos rumos do estado, à pluralidade e à própria sobrevivência da democracia.

8 - Valorizamos muito o fato de que Marquinhos Trad (PSD) foi o único candidato que procurou o PCdoB. Com ele estabelecemos um diálogo respeitoso, sem promessa de cargos, mas vislumbrando o futuro da cidade, que precisa de um entendimento político mínimo capaz de superar o período conturbado dos últimos anos, que tantos problemas causou à população. Ressaltamos que o apoio de várias lideranças e militantes do campo da esquerda, assim como o do atual prefeito, Alcides Bernal (PP), que obteve grande votação popular, contribui para esse caminho. Propusemos, ainda, ao candidato algumas questões pontuais como contribuição ao seu plano de governo, expressas numa carta-compromisso. Os comunistas não dissimulam suas posições, são claros quanto às suas escolhas: nenhum voto no PSDB, nenhum voto nulo, agora é hora de votar em Marquinhos Trad - 55 para prefeito!

9 - Por fim, nos bairros, nas ruas, nas escolas e universidades, nos locais de trabalho e no campo, o PCdoB seguirá na luta, junto com os movimentos sociais e contribuindo para construir a unidade das forças políticas e sociais avançadas, pelo direito à cidade, contra o governo golpista de Temer, que acelera a marcha de sua agenda ultraliberal antidemocrática, antinacional e antissocial na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, como mostraram a aprovação do fim da obrigatoriedade da participação da Petrobrás como operadora única do pré-sal, passo decisivo para acabar com o modelo de partilha, e da PEC 241/2016, que “congela” investimentos sociais por 20 anos, reduzindo investimentos em saúde, educação, assistência social e outras áreas, comprometendo o futuro da nação. Ajudaremos, também, a construir a oposição ao governo de Reinaldo Azambuja (PSDB) e à sua política regressiva, buscando descortinar novos caminhos para Mato Grosso do Sul.

Campo Grande, 13 de Outubro de 2016
Comitê Municipal do PCdoB de Campo Grande, em conjunto com a Comissão Política do PCdoB-MS


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