Brasil

23 de setembro de 2016 - 20h52

Papa Francisco: "Jornalismo não pode virar uma arma de destruição"


Foto: AP
 Papa reuniu-se na quinta-feira (22) com cerca de 400 jornalistas  Papa reuniu-se na quinta-feira (22) com cerca de 400 jornalistas
Entre as recomendações fundamentais de Mario Bergoglio para quem "faz a informação" estão as de "amar a verdade", "viver com profissionalismo", e "respeitar a dignidade humana". Assim, o jornalismo não será transformado em uma "arma de destruição" de pessoas e de povos e "não alimentará o medo em relação aos imigrantes".

Depois que Viganò e Iacopino fizeram suas primeiras considerações, o Papa revelou como os jornalistas, "quando têm profissionalismo", são "uma coluna importante, um elemento fundamental para a vitalidade de uma sociedade livre e plural" e têm uma "grande responsabilidade".

Sobre o fato de que os jornalistas devem "amar a verdade", Francisco explicou que "a questão é ser honesto consigo mesmo e com os outros". "Essa relação é o 'coração' de toda comunicação.

Isso é mais verdadeiro para quem faz da comunicação o seu próprio ofício e nenhuma relação pode se reger e durar no tempo se está apoiada na desonestidade", disse o religioso.

E com o fluxo ininterrupto de fatos 24 horas por dia, "não é sempre fácil chegar na verdade" e que "na vida nem tudo é branco ou preto e por isso no jornalismo é preciso saber discernir os tons de cinza", disse o Pontífice. "Mas esse é o trabalho difícil e necessário de um jornalista: o de chegar o mais perto possível da verdade dos fatos e nunca dizer ou escrever uma coisa que, em consciência, se sabe que não é verdadeira", afirmou Francisco. Já sobre "viver com profissionalismo", o conceito foi ligado por Bergoglio à "necessidade de não se submeter a interesses escusos, seja econômicos ou políticos". "O trabalho do jornalismo, ousarei dizer a sua vocação, é, através da atenção e do carinho pela pesquisa da verdade, fazer crescer a dimensão social do homem, favorecer a construção de uma verdadeira cidadania", explicou o Papa.

Para Francisco, trabalhar com profissionalismo significa "ter no coração um dos pilares da estrutura de uma sociedade democrática. O religioso também lembrou que "no curso da história, as ditaduras, de qualquer orientação política, sempre procuraram não apenas tomar conta dos meios de comunicação, mas também impor novas regras à profissão dos jornalistas".

E sobre "respeitar a dignidade humana", esse conceito é importante porque se trata "da vidas pessoas" e, se uma delas for difamada, ela pode ser "destruída para sempre", disse Bergoglio. "A crítica é legítima, e direi mais, necessária, como uma denúncia ao mal", no entanto, "o jornalismo não pode se transformar em uma arma de destruição de pessoas e até de povos", explicou o argentino.

Para Francisco, o jornalismo também não "deve alimentar o medo diante às mudanças ou aos fenômenos como as migrações forçadas geradas pela guerra ou pela fome". E por fim, o Papa afirmou que a profissão "é um instrumento de construção, um fator de bem comum, um acelerador de processos de reconciliação".


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