América Latina

23 de junho de 2016 - 10h03

Ignacio Ramonet defende Julian Assange como paladino da liberdade


Yui Mok
Julian Assange está refugiado desde 19 de junho de 2012 na embaixada do Equador da Inglaterra e não obteve permissão para sair do país Julian Assange está refugiado desde 19 de junho de 2012 na embaixada do Equador da Inglaterra e não obteve permissão para sair do país
O site fundado pelo programador australiano é conhecido por publicar documentos vazados com conteúdo sensível e enorme interesse público.

Durante uma conferência realizada no Centro Internacional de Estudos Superiores para a América Latina (Ciespal), este catedrático de relevante trajetória considerou inquestionáveis as revelações realizadas pelo site Wikileaks, e as classificou como um grande progresso para a humanidade em termos de direito à informação.

“Assange colocou o governo dos Estados Unidos em problemas há alguns anos atrás, ao divulgar em seu portal milhares de documentos secretos da diplomacia norte-americana”, disse.

Pouco depois, o ciberativista pediu asilo na Embaixada do Equador em Londres, e ali permanece desde o dia 19 de junho de 2012, privado de sua liberdade de forma injusta, segundo Ramonet.

Deste modo, evitou ser extraditado à Suécia, onde é acusado de um suposto delito de abuso sexual, que ele nega ter cometido. Assange teme que as autoridades do país europeu visem entregá-lo aos Estados Unidos, onde ele poderia ser condenado inclusive à pena de morte, por divulgar informação classificada.

Para Ramonet, o Equador teve um comportamento exemplar no caso de Assange, que estava convencido de escolher este país sul-americano para pedir asilo porque seu governo não cederia às pressões internacionais.

O editor do Le Monde Diplomatique recordou que vivemos num mundo onde todas as atividades estão informatizadas, e que, graças à evolução do ciberespaço, as grandes potências puderam criar um ciberexército, com o intuito de defender sua hegemonia nesse novo espaço.

Este investigador radicado na França acredita que vários dos principais políticos do planeta já entenderam, há algum tempo, que deveriam mudar a sua forma de fazer política, e incorporaram o uso de novas tecnologias da informação e o conhecimento de suas práticas cotidianas.

Ao seu lado na conferência estava o presidente da consultora estadunidense de software ThoughtWorks, Roy Singham, que alertou a respeito do monopólio sobre as ideias, a propriedade intelectual e o poder econômico continuam sendo um privilégio nas mãos de poucos no mundo, e pediu ao público que não seja ingênuo e que não se deixe enganar por belas palavras.

“Pobre de quem acredite que seus dados digitais estão numa nuvem. É uma grande mentira, eles estão num disco duro controlado por Facebook e outra grande companhia que trabalha em colaboração com a Agência Nacional de Segurança (NSA, por sua sigla em inglês) e outros departamentos”,denunciou Singham.

Para o analista, hoje temos uma nova luta, a de quem obtém o controle dos dados. Ele também chamou a atenção sobre como empresas como Google e Amazon podem gastar mais dinheiro em infraestrutura anual que os bancos.

De acordo com Singham, Google investe 15 bilhões de dólares por ano somente em hardware, mas tais empresas sabem que privatizar os dados é a questão central para o controle das cidades.

Segundo este especialista em software, o perigo do controle das informações com a tecnologia que existe hoje é muito maior que el imaginado pelo escritor e jornalista britânico George Orwell quando escreveu 1984, sua célebre novela política de ficção científica.


Fonte: Prensa Latina

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