Funcionários reivindicam demissão de ministro da Transparência
Flagrado em conversa orientando Renan e Machado a se defenderem na Lava Jato, o atual ministro da Transparência, Fabiano Silveira, é alvo de manifestação de funcionários da Controladoria Geral da União (CGU). Para entidade, ele não tem condições de comandar órgão que zela pela transparência e pelo combate à corrupção
Publicado 30/05/2016 14:16
Servidores da CGU pedem saída de ministro Fabiano Silveira - Unacom Sindical/Fotógrafo
O ministro da Transparência, Fiscalização e Controle, Fabiano Silveira, é alvo de protestos desde o início desta segunda-feira (30) em Brasília. Um grupo de trabalhadores da Controladoria-Geral da União (CGU) impediu a entrada do ministro em seu gabinete. Fabiano foi flagrado em conversa gravada orientando o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado a se defenderem na Operação Lava Jato.
O carro do ministro foi cercado por manifestantes assim que chegou à sede da CGU. Ele acabou deixando o local. Em seguida, os servidores lavaram a fachada do prédio e também lavaram o no andar, onde fica a sala do ministro. Também cobrando a saída de Fabiano Silveira, representantes da CGU em 22 estados anunciaram que vão deixar seus cargos caso ele não seja demitido.
Em nota divulgada nesta segunda-feira (30), o Sindicato Nacional dos Analistas e Técnicos de Finanças e Controle (Unacon) pede a saída de Fabiano Silveira da nova pasta, criada em substituição à CGU.
“O Sr. Fabiano Martins Silveira, ao participar de reuniões escusas para aconselhar investigados na operação Lava Jato, bem como ao fazer gestões junto a autoridades e órgãos públicos a fim de apurar denúncias contra seus aliados políticos ‘demonstrou não preencher os requisitos de conduta necessários para estar à frente de um órgão que zela pela transparência pública e pelo combate à corrupção’”, afirma o comunicado assinado por Rudinei Marques, presidente do Unacon Sindical.
Além de cobrar a exoneração imediata de Fabiano Silveira, o sindicato também pede a revogação da medida provisória assinada pelo presidente interino Michel Temer que criou o Ministério da Transparência, alterando a estrutura da CGU.
O diálogo entre Fabiano Silveira e Renan foi gravado na residência oficial do Senado em 24 de fevereiro, quando o atual ministro era conselheiro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O ministro também fez recomendações a Machado sobre como ele deveria se comportar diante de uma medida cautelar, conforme revela reportagem do Fantástico.
Leia a íntegra da nota do Unacon Sindical:
“As gravações divulgadas em 29 de maio pelo programa Fantástico, da TV Globo, com conversas entre o presidente do Senado, Renan Calheiros, o ex-senador e ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, e o atual ministro da Transparência, Fiscalização e Controle, Fabiano Martins Silveira, exigem respostas rápidas e assertivas do presidente interino Michel Temer.
O Sr. Fabiano Martins Silveira, ao participar de reuniões escusas para aconselhar investigados na operação Lava Jato, bem como ao fazer gestões junto a autoridades e órgãos públicos a fim de apurar denúncias contra seus aliados políticos, demonstrou não preencher os requisitos de conduta necessários para estar à frente de um órgão que zela pela transparência pública e pelo combate à corrupção.
Da mesma forma, torna-se evidente que as alterações introduzidas na Controladoria-Geral da União (CGU), por meio da Medida Provisória nº 726/2016, tiveram por objetivo enfraquecer a atuação do órgão, com a implosão de sua identidade institucional, o esvaziamento de suas prerrogativas e a ingerência política sobre os acordos de leniência.
O Unacon Sindical exige a imediata exoneração do Sr. Fabiano Martins Silveira, assim como a revogação de todos os dispositivos da MP nº 726/2016 que introduziram mudanças na Controladoria-Geral da União.
CTB e Frente Brasil Popular realizaram nesta terça-feira (31), em frente às agências do INSS de todo o Brasil, uma mobilização nacional contra os ataques à Previdência Social planeados por Michel Temer e seu governo interino. A ação aconteceu simultânea ao lançamento da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Previdência do Senado
Nesta terça (31), atos pelo Brasil protestaram contra o desmonte da Previdência Social iniciado pelo governo interino de Michel Temer. Os protestos ganharam, também neste dia, o reforço da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Previdência Social, instalada em Brasília. Especialistas acusam o presidente ilegítimo de enfraquecer a política de benefícios e denunciam a tentativa de o governo lançar mão da receita das contribuições para outros fins.
Apresentado pelo interino Michel Temer para negociar a dívida dos Estados e do Distrito Federal com a União, o Projeto de Lei Complementar (PLC) 257/16 é repudiado por trabalhadores do serviço público. A pressão do movimento levou ao adiamento da votação para a próxima semana. A decisão foi do relator Esperidião Amin (PP-SC). O deputado justificou que o tema “é de grande complexidade”.
Representantes das frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, o deputado estadual Paulo Teixeira (PT-SP) e o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) participaram de uma coletiva de imprensa no início da tarde desta segunda-feira (5), no Sindicato dos Jornalistas, na qual afirmaram que irão denunciar na Corte Interamericana de Direitos Humanos as ações arbitrárias da Polícia Militar de São Paulo. Eles também avisaram que não recuarão diante das investidas de repressão e medo.