Professores criticam tratamento desigual em manifestações

A presidenta do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), Maria Izabel Azevedo Noronha, a Bebel, protestou contra o que considera tratamento diferenciado do governo paulista em relação a manifestações públicas.

Manifestações

A queixa, encaminhada ao secretário estadual da Segurança Pública, Alexandre de Moraes, refere-se à permanência de manifestantes pró-impeachment na Avenida Paulista, "sem aviso prévio e sem cumprir quaisquer dos procedimentos" determinados pelo governo. Eles deixaram a Paulista apenas na manhã de hoje (18).

"Quando professores, estudantes, trabalhadores e movimentos sociais pretendemos realizar qualquer manifestação, não apenas nos é exigido o cumprimento de todos os procedimentos, como necessitamos realizar entendimentos prévios e, ainda assim, fomos vigiados de perto pela tropa da PM, que nos comprime por vezes em espaços definidos pela própria polícia", afirma Bebel.

"Os estudantes secundaristas, quando realizaram recentes manifestações naquela avenida, foram duramente reprimidos com bombas, cassetetes, balas de borracha. O mesmo já ocorreu em outras manifestações."

Na carta, a dirigente lembra que a própria Apeoesp já foi impedida "de utilizar bloqueios de avenidas como forma de protesto, sujeitos a multas da ordem de R$ 100 mil a cada bloqueio realizado", por iniciativa do governo do estado, que acionou o Judiciário.

"Por que, então, senhor Secretário, a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo permitiu que a Avenida Paulista tenha permanecido bloqueada? Significaria este fato que o preceito constitucional de que todos os cidadãos e cidadãos são iguais perante a lei está sendo relativizado pelo Governo de São Paulo?", questiona Bebel.

Em entrevista à imprensa hoje pela manhã, o secretário Alexandre de Moraes foi questionado sobre o motivo do tratamento diferenciado dado em manifestações estudantis do Movimento Passe Livre e a ocorrida nos dois últimos dias, na Avenida Paulista. Segundo ele, “são situações absolutamente diferentes”.

Na avaliação de Moraes, as manifestações atuais, além de serem atos pacíficos, refletem questões institucionais “neste momento da maior crise econômica [do país]". "Nossa função é não colocar mais fogo nos ânimos já acirrados”, disse, num claro reconhecimento de que tem sido mais complacente com os manifestantes golpistas.