Brasil

26 de fevereiro de 2016 - 16h30

A poesia de Paulo de Toledo


Além de suas publicações, Paulo também já contribuiu com poemas, traduções, contos e artigos em diversos meios especializados, entre eles Revista Babel, Cult, Revista Ciência & Cultura - SBPC, Sítio (Portugal), Coyote, Artéria, Correio das Artes, entre outras publicações.

Letras Vermelhas traz uma seleção especial de poemas de Paulo de Toledo, enviados com exclusividade ao Vermelho.

Leia na íntegra:

um gay cai
de boca
na calçada semi
consciente coberto
de porrada suásticas e cruzes
“sai desse corpo!”

um 4x4
atravessa sinais
vermelhos
a 3 por 2
e atropela 1
menina de 5
que fazia seu número no sinal

um poeta

conta sílabas recifes estrelas
e ainda faz de conta
que alguém ainda conta com ele


* * *

é tanta coisa
indispensável!

e, na despensa,
uma única coisa:

o que, que coisa!,
se pensava impensável.

* * *


tempos interess
antes
grávidos de nojo

e horror parindo
antes
da hora um futuro


anteci
padamente empesteado

de d
antes
co bolor


***

se aquilo que há ali
é um abismo
e tudo indica que é
segundo economistas e outros metafísicos
há que se transcender aquilo
qual atleta do salto
com vara entretanto atleta
sem vara e sem salto
ou melhor cuja vara

é a mágica que encanta

o atleta que não é
e o faz incontinente saltar
mesmo quedo
e abismado dar-se conta
de que o abismo só há
quando a queda
e essa é a essência da coisa
dá-se sem qualquer
transcendência


* * *

há nesse verso
um cheiro de mofo
que nem o olor
desse fumo mallarmaico
disfarça

um cheiro de quem viu
o bonde passar
e não se deu conta
de que aquilo
era bonde
e tentou pongar

e caiu de boca
no macadame
com a auréola de arame
cheirando a mofa


Do Portal Vermelho

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