Cultura

19 de janeiro de 2016 - 10h09

A força das mulheres é tema de programação cultural em SP


Divulgação
A peça <i>Guerrilheiras </i>mostra a Guerrilha do Araguaia pelo viés da força das mulheres A peça Guerrilheiras mostra a Guerrilha do Araguaia pelo viés da força das mulheres
A estreia da peça teatral Guerrilheiras ou para a Terra não há Desaparecidos, da diretora Georgette Fadel, abriu o evento apresentando os acontecimentos da Guerrilha do Araguaia, ocorrida na região amazônica no período de 1967 a 1974, durante a ditadura militar. O conflito armado resultou na morte de doze mulheres. Sobre o tema, haverá debates com a diretora do espetáculo.

Um dos objetivos do trabalho é mostrar o que significa ser mulher numa guerrilha e, para além disso, apresentar a mulher como porta-voz de grandes conflitos. A idealizadora e atriz da peça, Gabriela Carneiro da Cunha, disse que historicamente é possível perceber que aqueles que contam as histórias de conflitos são homens na maioria. “Na peça, quisemos dar o primeiro plano para as mulheres para que elas pudessem nos contar o que foi esse conflito armado, o que foi viver no meio da selva amazônica e passar nove meses sozinha e perdida no meio da selva”, explicou.

A perspectiva da mulher na Guerrilha do Araguaia permitiu que o grupo revelasse histórias que não existiriam em um recorte masculino. Um exemplo disso é a história das guerrilheiras responsáveis por partos de mulheres moradoras da região. “As mulheres sofriam muito nesse momento [do parto] porque a assistência médica lá era precária e muitas das guerrilheiras foram responsáveis pelos partos e conseguiram manter as mães e seus bebês vivos”, contou a idealizadora da peça.

Durante o processo de pesquisa para a redação da peça, camponesas da região onde ocorreu a guerrilha disseram que as guerrilheiras as ensinaram o que era o direito da mulher. “Tivemos contato com mulheres que viveram um processo de empoderamento enorme a partir do contato com essas guerrilheiras vindas das grandes cidades”, disse Cunha.

Ainda no teatro, o projeto Arte – Substantivo Feminino apresenta o espetáculo Carne, da Kiwi Companhia de Teatro, que é inspirado no teatro documentário e mostra um panorama da opressão de gênero e situações de violência contras as mulheres no Brasil. A estreia será no dia 26 de fevereiro. “[O trabalho] foi feito a partir das técnicas do teatro documentário, utilizadas há muitos anos pela companhia. Isso significa que, para o trabalho cênico, usamos material e documentos da realidade”, explicou Fernanda Azevedo, atriz e pesquisadora da companhia.

Para ela, é importante discutir não só o papel das mulheres, mas as diversas violências que sofrem na sociedade atual. A peça trata ainda das relações entre patriarcado e capitalismo e como isso se reflete na questão da mulher. “A opressão das mulheres, o patriarcado são anteriores ao capitalismo, mas [a peça vai discutir] como isso ganha uma nova forma depois da ascensão do sistema capitalista”, acrescentou. Além disso, o espetáculo conta com músicas e projeção de vídeo, o que torna o trabalho mais dinâmico e atraente, segundo a atriz.

Fernanda destaca a importância de um projeto como o Arte – Substantivo Feminino porque acredita que as mulheres sempre estiveram à margem da história e também da cultura. Grandes escritoras, artistas plásticas, do século 19 para trás, ficaram apagadas e esquecidas na história, segundo ela.

“Nas últimas décadas, algumas delas começaram a despontar. E elas despontam não porque de repente elas aparecem, mas porque elas vêm de uma série de influências de outras mulheres que antigamente não apareciam”, explicou. “A arte não pode ter o olhar de só uma parte da população mundial e as mulheres estão produzindo pensamento há muitos anos”, completou a atriz.

A programação de espetáculos, oficinas e debates está no site do Sesc Belenzinho.


Fonte: Agência Brasil

  • VOLTAR
  • IMPRIMIR
  • ENCAMINHAR

Últimas Mais