23 de outubro de 2015 - 17h06

A poesia de Marcelo Adifa


Alm de suas duas obras, Marcelo participou de diversas antologias temticas com grandes poetas brasileiros, entre elas 29 de abril – o verso da violncia. Na msica, j comps canes em parceria com Lula Barbosa, Vidal Frana, Joo B e Lluis Llach.

Leia os poemas de Marcelo Adifa:

Terra estranha

Acordar em terra estranha
estrangeiro sem direitos
Acordar sem corpo ou fala
sem valer homem
documento

Sendo apenas brasileiro

Pele

Pele por roupa
primeira veste
vestido que cai
por terra quando
o sangue desce

Pode ter frio
alma sem pele
pode ser frio
quem se despe

defronte
ao espelho
nudez inconteste
a alma ao avesso
por cima da pele

perde, pudera
a compostura
das vestes

Ahmed Moussa

Pedras, olhares
O sangue escorre
Pedras, soldados
lacaios fardados
Um tiro que explode

Tem dez anos e uma pedra
H dez dias que no come
H bloqueios nas estradas
que as crianas no entendem

Tem dez anos e se encolhe
Os obuses so como corvos
que procuram a carnia
(quem os lana que fede!)

Tem dez anos e se retorce,
J sem fome,
s com a pedra
e o corpo aberto de onde
mina a Palestina

Antirricha

A dor no tem escola
Faz-se sozinha, rasga
No murro ignorncia
O limite da decncia

O primeiro corpo
Disputado por ces
De quatro e duas patas
Reage e se arrasta
Ergueu um giz e rabisca
No asfalto manchado
A palavra Perdoo

Pouco perdura o trao
Pisado em fria
Por quem nada sabe
A no ser receber ordens

Cado, o giz se perdeu
Desenha com sangue
No cho testemunha
A frase No Calo e sorri
Derradeiro ante a turba
Tendo certeza da lio
Que deixa ao resistir

Do outro lado,
Em p escudado
Soldado iletrado
Que recebeu a misso
Do tirano incrustado
Na cadeira de governador


Do Portal Vermelho

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