25 de setembro de 2015 - 17h03

Seis filmes sobre a violência no Brasil


Divulgação
Cena do filme <i>Cidade de Deus</i> Cena do filme Cidade de Deus
Para o pesquisador da Unicamp Márcio Seligmann-Silva, o cinema brasileiro tem um “papel simbólico político importante a cumprir” ao retratar “uma sociedade marcada pela forte divisão de classes e pela violência exercida sobre os mais pobres, sistematicamente excluídos da cidadania”. Ponta, no entanto, que não se pode reduzir “a produção do cinema brasileiro a um denominador comum, com uma nova ‘estética da fome’”.

Fernando Meirelles inaugurou essa nova vertente do cinema brasileiro ao apresentar Cidade de Deus, que mesmo depois de 13 anos de seu lançamento continua impactante e um tanto atual. Na época o filme recebeu quatro indicações ao Oscar e foi exibido no Festival de Cannes.

A história do jovem Buscapé (Alexandre Rodrigues) rodou o mundo: o garoto negro, pobre e muito sensível que cresceu num universo de extrema violência, a Cidade de Deus. Ele não queria ter o mesmo destino dos amigos da favela e ingressar no mundo do crime, é neste momento que sua paixão pela fotografia permite que ele tenha outra perspectiva. O filme que há 13 anos impactou com a cena das duas galinhas ainda vale ser visto. Longe de ser a “poetização da violência”, a obra trata o assunto muito bem, sem abrir espaço para interpretações deslumbradas.

Cena do filme Carandiru 
Não demorou para surgir outros filmes na mesma linha e já em 2003 o argentino naturalizado brasileiro, Hector Babenco, lança Carandiru. O filme é uma superprodução baseada no livro Estação Carandiru, do médico Drauzio Varella, e mostra o cotidiano do extinto presídio Carandiru, em São Paulo, antes do massacre de 1992 quando a polícia matou 111 detentos.

Falcão – Meninos do Tráfico é um documentário produzido pelo rapper brasileiro MV Bill por meio da Cufa (Central Única das Favelas). A obra denuncia o envolvimento precoce dos jovens das periferias do Brasil com o tráfico de drogas. O nome se refere ao termo “falcão”, que diz respeito ao responsável por vigiar as comunidades e informar quando a polícia ou grupos inimigos se aproximam.

O renomado diretor José Padilha, bastante reconhecido pelos filmes Tropas de Elite 1 e 2, iniciou a abordagem da violência no cinema com o documentário Ônibus 174, em 2002, onde conta a história do coletivo sequestrado por um menino de rua. Com imagens reais das transmissões de emissoras de TV na época, Padilha destrincha as falhas do sistema de detenção juvenil e do batalhão especial da PM no Rio de Janeiro, a Bope.

Cena de Tropa de Elite 1 

Em 2007 o diretor lança o que seria um dos filmes mais vistos e comentados do ano, Tropa de Elite. Violência extrema, tortura, violação dos direitos humanos, corrupção e despreparo policial tomaram conta das telas do cinema neste ano. Apesar da crítica à corporação, o filme mostra também a honestidade e a honra de uns poucos oficiais que se recusam a fazer parte do jogo em parceria com o crime organizado orquestrado pela polícia.

O sequestro do ônibus no Rio de Janeiro rendeu também o filme Última Parada 174, de Bruno Barreto. Baseada nos fatos reais, a obra mostra com um olhar sensível a vida de Sandro Barbosa do Nascimento, o garoto de rua que sobreviveu à chacina da Candelária e mais tarde sequestrou o coletivo na zona Sul do Rio de Janeiro.

Cena do filme Última Parada 174 

Neste filme Barreto consegue mostrar todo o percurso que leva o jovem pobre brasileiro, vítima de uma violência sistêmica, a apelar para atitudes extremas e, em consequência, criminosas.

Os seis filmes abordam a questão da violência, cada um com ângulo diferente. Todos podem ser facilmente encontrados em locadoras, lojas especializadas, ou mesmo na internet.

Assista aos trailers: 

Cidade de Deus


Carandiru

Falcão - Meninos do Tráfico (completo) 

Tropa de Elite 

Última Parada 174 


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