Juarez Xavier: Onde você guarda o seu racismo?
O Portal Vermelho publica artigo do doutor e professor do curso de jornalismo da Unesp de Bauru, Juarez Tadeu de Paula Xavier, que foi alvo de ofensas racistas escritas num banheiro da universidade encontradas no último dia 24 de julho. As "frases" ofendiam mulheres e estudantes negros, além de ofensas pessoais contra Juarez que é militante do movimento negro e coordenador do Núcleo Negro para Pesquisa e Extensão (Nupe).
"Durante anos, o brasileiro guardou bem escondido seu racismo. Ele estava dobrado e escondido no bolso das calças, dos casacos e dentro das meias de lã. Era a sÃndrome do bom mocismo, na cola do que disse Florestan Fernandes: o brasileiro tem preconceito de ter preconceito. As coisas mudaram!
Desde os anos de 1960, o paÃs assinou, mesmo na época da ditadura militar, que censurava o debate racial, todos os compromissos de luta contra o racismo, sugeridos pelos organismos internacionais.
As propostas aprovadas nas conferências mundiais contra o racismo [desde a década de 1970] de polÃticas públicas foram acolhidas pelo paÃs, com o compromisso de adotá-las, em toda sua extensão: saúde, trabalho, moradia, educação, segurança pública e mobilidade social, vertical e horizontal.
Parecia, aos olhares internacionais, que se o Brasil não era o paÃs da “democracia racial” [mito desmontado pelas pesquisas e ações polÃticas dos movimentos sociais de negras/negros], era, pelo menos, a nação da “tolerância racial”. Esse novo mito está na berlinda!
Segundo o antropólogo Kabengele Munanga, no Brasil, o “racismo é um crime perfeito”. Os indicadores macroambientais mostram essa realidade [as/os negras/negros são as vÃtimas privilegiadas de todas as formas de violências, fÃsica e simbólica, sem que ninguém seja responsabilizado].
As polÃticas públicas adotadas nos últimos anos estimulam o “neorracismo” à brasileira. Na educação, as tÃmidas iniciativas produziram novas contradições. Elas mudam a “ecologia humana das universidades”, que fica mais colorida, e apontam mudanças estruturais. Insinuam mudanças na ciência [eurocêntrica, nos seus fundamentos], no ensino [reelaboração do conteúdo], nas pesquisas [novos focos e sujeitos], na extensão [emergência de novos sujeitos sociais] e na gestão [superação da paisagem monocromática].
Essas mudanças incomodam os segmentos conservadores das instituições de ensino, que querem manter a mesma lógica do passado: reserva de cotas para os segmentos brancos e de classe média da sociedade, como foi o desenho do ensino superior do paÃs, desde o século 19.
Nesse novo cenário, os brasileiros desse segmento social perderam a vergonha, ao confundirem “privilégios” com “direitos”. Aposentam seus bolsos de calça, seus casacos e suas meias, e expõem seus preconceitos, em atos criminosos, fora das esferas do debate público.
A resposta à pergunta onde você racista/xenófobo/machista/homófobo guarda seus preconceitos será, a partir desse cenário: nas paredes dos banheiros públicos!"
Desde os anos de 1960, o paÃs assinou, mesmo na época da ditadura militar, que censurava o debate racial, todos os compromissos de luta contra o racismo, sugeridos pelos organismos internacionais.
As propostas aprovadas nas conferências mundiais contra o racismo [desde a década de 1970] de polÃticas públicas foram acolhidas pelo paÃs, com o compromisso de adotá-las, em toda sua extensão: saúde, trabalho, moradia, educação, segurança pública e mobilidade social, vertical e horizontal.
Parecia, aos olhares internacionais, que se o Brasil não era o paÃs da “democracia racial” [mito desmontado pelas pesquisas e ações polÃticas dos movimentos sociais de negras/negros], era, pelo menos, a nação da “tolerância racial”. Esse novo mito está na berlinda!
Segundo o antropólogo Kabengele Munanga, no Brasil, o “racismo é um crime perfeito”. Os indicadores macroambientais mostram essa realidade [as/os negras/negros são as vÃtimas privilegiadas de todas as formas de violências, fÃsica e simbólica, sem que ninguém seja responsabilizado].
As polÃticas públicas adotadas nos últimos anos estimulam o “neorracismo” à brasileira. Na educação, as tÃmidas iniciativas produziram novas contradições. Elas mudam a “ecologia humana das universidades”, que fica mais colorida, e apontam mudanças estruturais. Insinuam mudanças na ciência [eurocêntrica, nos seus fundamentos], no ensino [reelaboração do conteúdo], nas pesquisas [novos focos e sujeitos], na extensão [emergência de novos sujeitos sociais] e na gestão [superação da paisagem monocromática].
Essas mudanças incomodam os segmentos conservadores das instituições de ensino, que querem manter a mesma lógica do passado: reserva de cotas para os segmentos brancos e de classe média da sociedade, como foi o desenho do ensino superior do paÃs, desde o século 19.
Nesse novo cenário, os brasileiros desse segmento social perderam a vergonha, ao confundirem “privilégios” com “direitos”. Aposentam seus bolsos de calça, seus casacos e suas meias, e expõem seus preconceitos, em atos criminosos, fora das esferas do debate público.
A resposta à pergunta onde você racista/xenófobo/machista/homófobo guarda seus preconceitos será, a partir desse cenário: nas paredes dos banheiros públicos!"
Fonte: Alma Preta



