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22 de outubro de 2014 - 14h35

Questão palestina: fórum na ONU ratifica isolamento de Israel


REDH
   
As intervenções de diplomatas dos cinco continentes no debate aberto do órgão de 15 membros, sobre a situação do Oriente Médio, não deixaram dúvidas do apoio mundial ao direito do povo árabe à autodeterminação e a não enterrar seus filhos cada vez que a potência vizinha descarregue seu poderio militar ao amparo de um suposto perigo.

Também não ficou no fórum margem à interpretação em torno dos obstáculos que significam para qualquer diálogo a construção de novos assentamentos judeus na Cisjordânia, o levantamento de muros, o bloqueio à Faixa de Gaza ou as provocações em mesquitas.

Inclusive os Estados Unidos admitiram alguns desses atos como entraves no caminho da desejada paz, ainda que sua embaixadora, Samantha Power, tenha realizado notas ilustrativas da postura de Washington, que com seu poder de veto no Conselho e suas pressões tem impedido a incorporação da Palestina à ONU ou a condenação aos crimes israelenses.

A diplomata pediu às partes abster-se de adotar passos unilaterais, e compromisso com as negociações, uma posição que coloca em igualdade de condições o agressor e o agredido e critica os reclames e iniciativas da Palestina na organização que agrupa as 193 nações independentes do planeta.

Para o observador permanente palestino, Riyad Mansour, para além do discurso público, os ocupantes demonstram diariamente uma total falta de vontade política e de interesse na paz e a solução dos dois estados com as fronteiras anteriores a junho de 1967, quando após a guerra dos Seis Dias Israel se apoderou de Gaza e da Cisjordânia, além de outros territórios árabes.

"Seguem adiante com seu ilegítimo e destrutivo projeto colonizador, expressado na construção de novos assentamentos, confisco de terras, o levantamento de muros, as demolições de casas e o deslocamento de pessoas de seus lares", denunciou.

De acordo com Mansour, Jerusalém Oriental (Al Quds para os árabes) e seus habitantes palestinos constituem alvos primários dessa política ilegal, caracterizada pela intenção de mudar a demografia e a identidade.

Neste contexto, o diplomata defendeu o projeto de resolução promovido pela Palestina ante o Conselho de Segurança, que fixa data para o fim da ocupação, estabelece os parâmetros para a saída dos dois estados e reivindica o alcance de uma paz duradoura.

“A iniciativa demonstra nosso compromisso com a solução pacífica, apesar de tanta hostilidade”, afirmou.

Respaldo Mundial

Países e blocos mundiais e regionais chamaram a respeitar o direito palestino à autodeterminação, manifestada em um Estado independente com as fronteiras anteriores a junho de 1967.

Em nome do Movimento de Países Não Alinhados, que reúne 120 nações do Sul, Irã exigiu ações concretas para resolver a questão e evitar de uma vez por todas os massacres como o cometido em julho e agosto deste ano contra Gaza, onde os bombardeios israelenses deixaram mais de dois mil mortos, a imensa maioria civis, entre eles 516 crianças.

“O Conselho de Segurança não pode continuar à margem deste cenário, lhe pedimos decisões em função de acabar com décadas de injustiças”, sublinhou o encarregado de negócios iraniano, Hossein Dehghani.

Por sua vez, a União Europeia - representando 28 nações do velho continente - reiterou a ilegalidade dos assentamentos judeus e a urgência de encontrar um caminho para os dois estados, que satisfaça as aspirações palestinas de soberania e o cessar da ocupação, bem como as preocupações de segurança de Israel.

Vários governos latino-americanos intervieram no debate aberto para expressar seu apoio à causa do povo árabe.

O embaixador cubano aqui, Rodolfo Reyes, respaldou a iniciativa promovida pela Palestina e convocou a deter a impunidade com a qual Tel Aviv agride seu vizinho e assassina a suas crianças, mulheres e idosos.

Também a representante permanente da Nicarágua, María Rubiales, reivindicou gerenciamentos efetivos do Conselho de Segurança, entre elas a aprovação de uma norma que acabe com a ocupação.

Rubiales recordou que a falta de fé para negociar demonstrada por Israel só pode ser explicada pela "cobertura de impunidade que um membro permanente deste Conselho de Segurança lhe ofereceu historicamente".

De forma quase unânime, os discursos refletiram pesar pelo assassinato de civis e a destruição semeada em Gaza pelas bombas israelenses.

Mansour expôs ante o órgão de 15 membros as consequências de 50 dias de bombardeios aéreos e incursões terrestres, que também provocaram mais de 11 mil feridos, muitos deles com danos por toda a vida, e cerca de 80 mil moradias afetadas, uma quarta parte declaradas totalmente destruídas ou inabitáveis.

A seu turno no fórum, o embaixador substituto israelense, David Roet, acusou os palestinos, e em particular ao Hamas, de obstaculizar o processo de paz, e à comunidade internacional de ser parcial contra seu país.

O diplomata negou que os assentamentos obstaculizem o diálogo e qualificou de mito as propostas que consideram a solução do conflito palestino-israelense chave para a estabilidade no Oriente Médio.

Roet justificou a recente agressão a Gaza foi a "necessidade de defender nossos cidadãos do terrorismo e dos foguetes do Hamas" e afirmou que "Israel fez tudo o que pôde para evitar a morte de civis".

Fonte: Prensa Latina






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