Mundo

26 de maio de 2014 - 12h25

Papa Francisco atrai atenção à ocupação israelense da Palestina


Maan
A parada diante do muro da segregação – que continua confiscando terras palestinas e deve atingir 800 quilômetros e oito metros de altura em grande parte da sua extensão, mais alto que o muro de Berlim – foi um recado claro. A parada diante do muro da segregação – que continua confiscando terras palestinas e deve atingir 800 quilômetros e oito metros de altura em grande parte da sua extensão, mais alto que o muro de Berlim – foi um recado claro.
Enquanto visitava os locais sagrados em Jerusalém, nesta segunda-feira (26), último dia da viagem que começou no sábado (24), o Papa instou cristãos, judeus e muçulmanos a trabalharem juntos pela paz. Ele visitou o recinto da importante mesquita Al-Aqsa e o Muro Ocidental judeu, também conhecido por "Muro das Lamentações", que teria feito parte do Templo Judeu, destruído pela segunda vez no ano 70 d.C pelos romanos.

Leia também:
Diálogo é reavaliado, mas Israel busca estatuto discriminatório
Palestina-Israel: Diálogos encerram-se com aumento da ocupação
Muro da ocupação israelense na Cisjordânia completa 11 anos

Enquanto guiava o Papa pela mesquita Al-Aqsa, o xeique Mohammad Hussein entregou uma carta que denuncia o sofrimento dos palestinos e o tratamento aos locais sagrados islâmicos e cristãos em Jerusalém, que passa por um processo de "judaização" amplamente denunciado. O xeique também abordou os efeitos destrutivos do muro que o governo israelense constrói desde 2002 para cercar os palestinos, pedindo o fim da ocupação, a paz e a segurança para todos.

O Papa Francisco surpreendeu os que o seguiam, enquanto passava pelo muro próximo a Belém, que fica na Cisjordânia palestina. O representante da Igreja Católica e do Estado do Vaticano pediu uma parada inesperada e aproximou-se para rezar. Para Ualid Rabah, diretor de Relações Institucionais da Federação Árabe Palestino-Brasileira (Fepal), a ocasião é oportuna para a divulgação do que é, para os palestinos, o seu “Muro das Lamentações”.

Francisco havia dito que a sua visita de três dias, iniciada pela Jordânia, não teria caráter político, enquanto grupos extremistas judeus atacaram locais cristãos. Mas em seu discurso, o Papa condenou o antissemitismo, a intolerância religiosa e aqueles por trás dos conflitos no Oriente Médio, de acordo com a agência palestina de notícias Maan. “Trabalhemos pela paz” disse ele, em Jerusalém, mas o pontífice não se deteve nas declarações gerais.

Papa Francisco é recebido pelo presidente palestino Mahmoud Abbas em Belém.
Foto: Palestine News Network (PNN)

A parada diante do muro da segregação – que continua confiscando terras palestinas e deve atingir 800 quilômetros e oito metros de altura em grande parte da sua extensão, mais alto que o muro de Berlim – foi um recado claro. Ainda assim, o Papa convidou os presidentes de Israel e da Autoridade Palestina para rezarem com ele no Vaticano pelo fim de um conflito “cada vez mais inaceitável”.

Para alguns observadores, a oportunidade de mediação foi lançada. Meses depois da retomada de mais um episódio em um “processo de paz” ineficiente, que só tem o aumento da ocupação como resultado, o posicionamento do Papa retoma a proposta: é preciso um mediador alternativo, já que os Estados Unidos mostram-se claramente tendenciosos em sua negligência face às violações israelenses dos direitos humanos palestinos.

O presidente palestino Mahmoud Abbas e outras autoridades receberam o Papa no domingo (25), quando ele chegou a Belém. Ambos pediram a paz na região e as garantias de justiça e dignidade para os palestinos e israelenses. Abbas também disse que saudaria as sugestões do Papa para a resolução da questão e garantiu que continua disposto a retomar a diplomacia com Israel.


  • VOLTAR
  • IMPRIMIR
  • ENCAMINHAR

Últimas Mais