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20 de abril de 2014 - 16h33

Forças de Israel invadem Al-Aqsa e detêm palestinos em Jerusalém


Vídeo / PressTV
Forças israelenses invadem o recinto da mesquita Al-Aqsa na quarta-feira (16) e ferem 30 palestinos. A ação repetiu-se durante os dias seguintes e, neste domingo (20), dezenas ficaram feridos e cerca de 20 foram presos pelos oficiais de Israel. Forças israelenses invadem o recinto da mesquita Al-Aqsa na quarta-feira (16) e ferem 30 palestinos. A ação repetiu-se durante os dias seguintes e, neste domingo (20), dezenas ficaram feridos e cerca de 20 foram presos pelos oficiais de Israel.
Nos últimos dias, os confrontos têm sido frequentes entre palestinos e grupos de judeus de direita que têm adentrado o recinto para seus rituais religiosos da Pessach (“Passagem”, ou “Festa da Libertação”, que celebra a fuga dos hebreus da escravidão no Egito, há quase quatro mil anos), já que acreditam tratar-se do local onde foi o Templo judeu de Jerusalém, destruído pela segunda vez no ano 70 d.C. pelos romanos.

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O diretor da mesquita Al-Aqsa, Omar Kiswani disse à agência palestina de notícias Ma’an que mais de 400 policiais invadiram o pátio para escoltar judeus ultraortodoxos e outros visitantes judeus dentro do recinto. As forças israelenses, de acordo com Kiswani, “cercaram” os muçulmanos que estavam no local, “atacando-os com cassetetes e spray de pimenta”, quando confrontos com os palestinos eclodiram.

Dezenas ficaram feridas durante o ataque, enquanto vários outros sofreram asfixia devido ao excesso de inalação de gás lacrimogêneo. Além disso, 25 jovens foram detidos pelas forças israelenses, de acordo com a Ma’an. Kiswani, citado pela agência, disse que o parlamentar do Likud (partido de direita à frente do governo) Moshe Feiglin também tentou entrar no recinto durante a invasão, acompanhado por unidades especiais de segurança. O membro do Knesset (Parlamento) tem visitado o local frequentemente nos últimos meses e apoia declaradamente a extensão do domínio israelense sobre o recinto.

Alguns grupos de judeus radicais defendem a destruição da Al-Aqsa (o terceiro local mais importante no Islã) para a reconstrução do templo judeu no local, avançando planos específicos e pressionando o governo israelense neste sentido, inclusive com representantes políticos engajados e de discursos agressivos. A questão é usada por estes grupos para impor um caráter religioso ao conflito com os palestinos e prolongar a ocupação e repressão israelense, colocando em foco Jerusalém como um todo e Al-Aqsa em particular.

A violência no local é recorrente e, neste domingo, testemunhas disseram que oficiais israelenses também negaram o acesso ao recinto a todos os palestinos residentes de Jerusalém, abaixo dos 60 anos de idade, inclusive aos que estudam dentro do local. Homens e mulheres também foram atacados com cassetetes e gás de pimenta, segundo testemunhas citadas pela Ma’an, e um jovem também foi impedido de entrar após ser espancado.

Um porta-voz da polícia israelense disse, em uma declaração à imprensa, que os oficiais tinham prendido 16 palestinos “agitadores” e que todos foram detidos por “jogar pedras/tijolos contra os oficiais que estavam no local, nesta manhã,” enquanto “turistas visitavam”.

Cerca de 100 religiosos muçulmanos resolveram permanecer no recinto dia e noite, durante a Passagem, depois de organizações judaicas de direita terem instigado religiosos judeus a adentrarem o local em massa para as festividades.

Devido à natureza sensível do recinto de Al-Aqsa, que abriga a Mesquita Al-Aqsa e a Cúpula da Rocha, Israel comprometeu-se com o Fundo Islâmico que o controla a impedir a entrada de não muçulmanos, mas as forças israelenses frequentemente escoltam visitantes judeus ao local, levando às tensões com os palestinos muçulmanos.

O recinto fica na região oriental de Jerusalém, parte dos territórios palestinos internacionalmente reconhecidos, mas ocupados militarmente por Israel desde 1967 e anexados em 1980, em violação do direito internacional.

Com informações da Ma'an
Moara Crivelente, da Redação do Vermelho


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