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17 de fevereiro de 2014 - 16h50

Fifa mantém convite a cantor palestino para a Copa no Brasil


Reuters
Mohammed Assaf, jovem cantor palestino, ergue a bandeira da Palestina após vencer o concurso "Arab Idol" ("Ídolo Árabe"), em junho de 2013. Mohammed Assaf, jovem cantor palestino, ergue a bandeira da Palestina após vencer o concurso "Arab Idol" ("Ídolo Árabe"), em junho de 2013.
Assaf é um jovem palestino de 24 anos que venceu o famoso concurso "Arab Idol". Ele foi nomeado pela Organização das Nações Unidas (ONU) como o "Embaixador da Boa Vontade da Juventude Palestina", para alertar o mundo sobre a condição dos palestinos no contexto da dura ocupação e do bloqueio militar israelense.

Em julho de 2013, Assaf foi convidado para cantar na abertura da Copa do Mundo no Brasil, mas as suas declarações sobre a suspensão do convite causaram a reação de movimentos de apoio ao povo palestino, devido à importância simbólica da performance do jovem no Brasil.

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O cantor disse, de acordo com o jornal saudita Sada e outras agências de notícias regionais: "Eu fui banido de cantar na abertura da Copa do Mundo no Brasil por alguns países e partes." Um vídeo com as suas declarações também circula pela internet. Ainda não está claro quem teria barrado a sua apresentação.

Em resposta ao Vermelho, a assessoria de imprensa da Fifa garantiu, nesta segunda-feira (17), que o compromisso “em convidar Assaf para atuar no Brasil sempre esteve firme.” Assim, a assessoria da entidade disse que o jovem palestino está convidado para cantar no Congresso da Fifa, como parte dos eventos da Copa do Mundo, no dia 10 de junho, em São Paulo.

Diversos movimentos de solidariedade ao povo palestino no Brasil e em vários outros países apoiam a autodeterminação e a libertação da Palestina que, há quase sete décadas, tem seu direito sistematicamente negligenciado, frente à expansão da ocupação israelense sobre os seus territórios.

O Portal Vermelho entrou em contato com o Comitê Organizador da Copa do Mundo no Brasil e com a própria Fifa para ressaltar o apoio amplo recebido pela participação de Assaf na abertura do evento e para procurar esclarecimentos sobre a rescisão do seu convite. O portal também tentou entrar em contato com a assessoria de Assaf, mas ainda não recebeu resposta.

Sua representação traz à atenção a Faixa de Gaza, um território sob extremas condições humanitárias, resultantes do bloqueio militar imposto pelas autoridades israelenses, reconhecido por diversos países, pela ONU e até mesmo por organizações como o Banco Mundial como o principal fator de empobrecimento e crise na região.

Assaf nasceu na Líbia, filho de refugiados palestinos, e cresceu no campo de refugiados de Khan Younis, na Faixa de Gaza. Tornou-se um símbolo de esperança para os palestinos, especialmente os residentes do território bloqueado, devido à projeção da sua causa e da sua luta pela libertação.

O Brasil reconhece o Estado da Palestina desde 2010. A suspensão da apresentação de Assaf no país seria um retrocesso no necessário aprofundamento da posição brasileira diante da causa palestina.

Por Moara Crivelente, da redação do Vermelho


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