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23 de janeiro de 2014 - 15h06

Irã busca diplomacia e desenvolvimento global justo, diz Rohani


Michel Euler / Associated Press
Presidente do Irã, Hassan Rouhani, na 44ª Reunião Anual do Fórum Econômico Mundial, nesta quinta (23), em Davos, na Suíça. Presidente do Irã, Hassan Rouhani, na 44ª Reunião Anual do Fórum Econômico Mundial, nesta quinta (23), em Davos, na Suíça.
Ao descrever a violência como uma chama que se espalha, para destruir inclusive os que não a provocaram, o presidente Rohani disse que o seu país se solidariza com os vizinhos do Oriente Médio, presos na abrangência da violência.

Rohani afirmou a esperança de que os povos contribuam para o estabelecimento da segurança no mundo como uma precondição para construir as bases de um sistema justo, já que a população precisa se sentir segura, ou então, vai se rebelar contra a injustiça.

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Por isso, ele ressaltou que é imprescindível que as nações sintam que existe uma igualdade de oportunidades de desenvolvimento econômico e social, e que é preciso considerar que, para um mundo seguro e desenvolvido, é necessário que todos tenham liberdade econômica e direito a tomar decisões sobre o seu destino.

O presidente afirmou também a oposição do seu país à política de sanções ou de outras proibições contra os países, já que isso obstaculiza o caminho em direção ao desenvolvimento científico e sustentável. Além disso, pontuou, essas medidas são inúteis, pois aprofundam as divergências.

Rohani fez referencia ao caso do seu próprio país, que é vítima de um programa frequentemente renovado de sanções desde 1979, quando a Revolução Islâmica derrubou uma monarquia autocrática apadrinhada pelos Estados Unidos.

Com o passar das décadas, as sanções foram renovadas quase anualmente para alegar o combate ao desenvolvimento de um programa nuclear de fins bélicos pelas autoridades persas, embora ainda hoje as evidências neste sentido não tenham sido comprovadas. Além dos EUA, a União Europeia e a ONU passaram a aplicar as suas próprias sanções desde 2006 e 2010.

Cooperação e avanço diplomático

O avanço da diplomacia e o apelo do governo persa ao diálogo internacional - com base no seu direito a um programa nuclear de fins civis (energéticos e para a medicina) garantido pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e pelo Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP) - têm aberto um novo caminho de consenso.

Em novembro, um plano de ação foi anunciado depois das negociações do Irã com o Grupo 5+1 (EUA, Reino Unido, França, Rússia e China como membros do Conselho de Segurança, e a Alemanha), para que as sanções contra o país fossem aliviadas, em troca pela redução do programa nuclear e pela facilitação do acesso de inspetores internacionais às instalações do país. O acordo foi inaugurado, com estas medidas, nesta segunda-feira (20).

Ainda assim, em seu discurso, Rohani criticou firmemente as acusações contra o Irã. “Declaro com toda a precisão que nem as armas nucleares e nem a violência têm lugar na nossa estratégia de segurança a nível macroestrutural. Não interessam ao país estas medidas.”

Por outro lado, o presidente garantiu que o país não ficará alheio a qualquer violação e responderá da forma devida a qualquer arrogância, assim como fez nos últimos meses, sobre o tema nuclear.

“A contraparte [o Ocidente], depois de seguir insistindo em embargos e pressões durante 10 anos, se deu conta de que a nação iraniana não desistiria dos seus direitos nucleares pacíficos, e que esta postura irracional trazia apenas problemas para as partes envolvidas no assunto.”

O presidente destacou a segurança, o desenvolvimento econômico, o meio ambiente e a luta contra a violência e o extremismo como exemplos das áreas comuns para uma suposta colaboração com base no interesse mútuo a nível internacional. Neste sentido, retomou a unanimidade com que os membros da Assembleia Geral das Nações Unidas aprovaram a resolução intitulada “Mundo Contra a Violência e o Extremismo” (Wave, na sigla em inglês).

Rohani disse que esta unanimidade demonstra o rechaço mundial contra estes fenômenos e um ponto de partida para as colaborações futuras a nível internacional, a pesar das disputas “que já se converteram em problemas crônicos e incuráveis.”

Economia mundial e benefícios mútuos

Ele voltou a enfatizar a importância das relações econômicas baseadas em interesse mútuo como parte das relações baseadas no pensamento moderado e o interesse do Irã em manter um relacionamento amistoso com os outros países.

Por isso, ressaltou a disposição iraniana em para participar no abastecimento de energia para o mundo, devido aos recursos de que o país dispõe, em um terreno tão crítico. A relevância desta ressalva deve-se ao fato de que grande parte das sanções tem como alvo o setor petrolífero do Irã.

Rohani conclui seu discurso com um convite a todos para visitar o Irã e avaliar a disposição do país para colaborar, receber investimento estrangeiro e para conhecer a cultura e a civilização persa e islâmica. “Só podemos estabelecer a paz sustentável, garantir uma vida melhor para os nossos povos e construir um mundo sem violência e extremismo através de uma via: a da cooperação, integração, entendimento mútuo e empenho econômico e tecnológico.”

A 44ª Reunião do Fórum Econômico Mundial está sendo realizada entre terça-feira (21) e sábado (25), com temas novamente centrados na superação da crise financeira e capitalista mundial, neste âmbito elitizado, considerado um dos palcos centrais para a projeção neoliberal pelo mundo.

A participação de atores diversificados e emergentes, entretanto, é vista como uma oportunidade progressista para a mudança da configuração econômica e social internacional, alheia à hegemonia antes intransponível das potências ocidentais.

Da redação do Vermelho,
Com informações da HispanTV
 


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