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6 de agosto de 2013 - 18h28

Lder religiosa Y Mukumby assassinada com sua me e neta


Ya Mukumbi, me e neta Ya Mukumbi, me e neta
Hoje acordei, estava cansado e feliz. Eu ia para o segundo dia da III Conferncia da Cultura em Niteri. 800 pessoas estavam reunidas neste final de semana, no tradicional Liceu Nilo Peanha da minha cidade Niteri.

Estvamos juntos para elaborar um plano de cultura para o municpio que contemplasse a todos que vivem na cidade. Me encontrei com artistas plsticos, animadoras culturais, professoras, capoeiristas, msicos clssicos e de rua, todo mundo em fim, de todas as raas e religies, de culturas e modos de ver a cultura diferentes. A diversidade era total. No estava feliz s por minha cidade, estava feliz pelo meu pas.

Acabo de chegar em casa cansado, e antes de dormir, dou uma checada no meu face e me deparo com a notcia que desaba o meu mundo, levanto da cadeira e sento no sof, no tenho pernas. Acabo de ler no Afropress que Me Y Mukumby, Candomblecista e lder do Movimento Negro de Londrina, no Paran, fora assassinada facadas, junto com a neta e sua me de 86 anos.y

Assassinada por uma pessoa enfurecida, vizinhos relatam que os motivos talvez sejam intolerncia religiosa, pois segundo relatos publicou a Afropress, o assassino Diego Ramos Quirino, 30 anos, era evanglico e dizia estar “com o diabo no corpo”.(vejam a matria completa na aAfropress).

Ainda segundo a matria publicada, ” ela foi responsvel por tornar o Candombl respeitado em Londrina. “Acho que fiz minha parte, sim. Fui ousada ao encarar o preconceito de frente. Sou macumbeira porque macumba um ritmo que se dana aos orixs”, costumava dizer.”

Ns da Mamapress e toda a rede alternativa de mdia das religies de matrizes africanas e do movimento negro, vm a tempos alertando sobre a escalada da intolerncia e dio religioso em nosso pas.

Me Y Mukumby, poderia me explicar porque tanto dio? O que est acontecendo em nosso pas que s ns vemos? Povos Negros sendo caados que nem bichos?

Com minha companheira reflito sobre uma discusso, que aconteceu hoje no final da noite no encontro de cultura que at ento havia transcorrido to bem e sem incidentes, apesar de discusses acaloradas, necessrias e essenciais na rea de cultura. Uma Me de Santo ao defender a construo tambm de um templo para as religies de matrizes africanas no “Caminho Oscar Niemeyer”, para que houvesse igualdade com os templos projetados para os catlicos e evanglicos naquele caminho da orla de Niteri, um jovem estudante, destilando dio, gritou se para isto que se tenha um templo Rastafari para se fumar maconha…

Grupos evanglicos fundamentalistas expressam mais claramente seu racismo e sua intolerncia religiosa, mas eles esto no meio da sociedade. A sociedade brasileira precisa se encarar, se deseja acabar na raz este clima de medo e dio.

*Ttulo original do artigo: Deus dos Cus, que mortalha essa que se abate sobre o nosso povo, me Y Mukumby?


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