Mídia

24 de janeiro de 2011 - 10h57

Marqueteiros de Obama elogiam campanha de Dilma na internet


“Mais de 4,5 milhões de pessoas visitaram os websites da campanha, e milhares compartilharam histórias sobre suas esperanças para o Brasil e seu apoio para Dilma”, destaca a Blue State. De acordo com a agência, mais de 200 mil pessoas se alistaram, em menos de seis meses, para receber atualizações sobre os sites da campanha de das atividades pessoais de Dilma. “Essas pessoas também enviaram mais de 400 mil convites para os seus parentes e amigos [para que também se juntassem a esse grupo].”

Segundo o relato, “ao se conectar a mais de 1 milhão de pessoas, o programa de e-mail produziu mais tráfego [audiência] do que o Twitter, Facebook e Orkut [da campanha] combinados”. A despeito disso, as adesões a Dilma nas redes sociais também foram sublinhadas. “O Twitter da campanha atraiu mais de 350 mil seguidores em menos de seis meses”.

A Blue State é comandada por Joe Rospars. No Brasil, fez uma aliança com a Pepper Interativa, da experiente Danielle Fontelles — que já havia trabalhado antes com o marqueteiro João Santana, responsável pela publicidade dilmista em 2010. A Pepper também fez um balanço da campanha de Dilma, mas com alguns números um pouco diferentes dos divulgados pela Blue State.

A Pepper fala, por exemplo, que o “site oficial da campanha, o www.dilma13.com.br, arregimentou um banco de dados composto de centenas de milhares de emails, apoiadores que compartilharam o seu conteúdo em suas redes sociais com a ferramentas disponíveis”. Isso, segundo a empresa, “que gerou um fluxo de quase 4 milhões de visitantes únicos durante toda a campanha. Só no segundo turno, foram mais de 3 milhões de visitas ao site”.

A principal contribuição da Blue State Digital foi o gerenciamento do sistema de e-mails dos militantes que se cadastraram como apoiadores de Dilma. O sistema é complexo e foi muito eficaz para Barack Obama nos Estados Unidos.

Quando um militante se inscrevia no ano passado para receber notícias sobre a campanha de Dilma, essa pessoa passava a ser monitorada — de maneira consentida — de acordo com as suas ações na web. Por exemplo, se ao receber um boletim sobre a campanha petista o militante dava um “encaminhar” na mensagem para outros e-mails, isso ficava registrado.

Apoiadores virtuais que tinham o costume de espalhar as notícias de Dilma eram então catalogados como os mais ativos e passavam a receber e-mails diferenciados. Era uma forma de diferenciar as adesões por níveis de engajamento.

No Brasil, o problema é que não existem bases confiáveis de e-mails de pessoas que poderiam ser contatadas pelas campanhas políticas. Cada candidato teve de partir quase do zero. Dilma recebeu a listagem de registros de filiados do PT, que era pouco consistente. No final, a equipe montou um arquivo com 200 mil e-mails "quentes", de gente que de fato se interessou espontaneamente pela campanha dela na web.

Esses 200 mil e-mails de apoiadores de Dilma são o maior legado virtual de sua candidatura para o PT. Não há como fazer campanha digital sem ter uma base ampla e consistente de e-mails cadastrados. Nos Estados Unidos, há uma facilidade extra: grandes redes varejistas vendem seus cadastros de e-mails para políticos em campanha — o que se tornou um grande negócio.

O trabalho da Blue State Digital em parceria no Brasil com a Pepper Interativa mostra que há muito trabalho duro pela frente para os partidos políticos interessados em fazer campanha eleitoral eficaz na web. A montagem de bancos de dados de militantes virtuais que de fato existem no mundo real é o primeiro passo — e também um dos mais difíceis.

Premiação

A campanha digital de Dilma teve outro reconhecimento na última semana, ao se tornar finalista na categoria “criação de página de internet” em concurso internacional. A premiação é da revista americana Campanhas e Eleições, cujos vencedores serão conhecidos dia 4 de fevereiro.

A premiação é referente somente a criação e desenvolvimento do site, ou seja, da ferramenta oficial da candidatura. Para o deputado federal André Vargas, secretário nacional de comunicação do PT, “a ferramenta” (o site) foi fundamental na campanha -- “uma revolução tecnológica. Mas foi principalmente pelo uso dessa ferramenta, difundida pela militância, e todas as demais ferramentas da web 2.0, que deram a vitória da candidata”, diz.

Vargas faz questão de destacar também a importância da militância. “Destaco a nossa grande militância digital, da qual eu, também o presidente do PT e vários outros dirigentes com orgulho fazemos parte. A militância digital é que fez o sucesso de todas as ferramentas”. Sobre o prêmio internacional, Vargas diz que só o fato de chegar entre os finalistas já é uma vitória.

Da Redação, com agências


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