Brasil

20 de outubro de 2010 - 17h19

Brasília conhece obra de Patativa do Assaré em museu itinerante


Agência Senado
O Projeto Patativa Encanta em Todo o Canto termina em Brasília, depois de percorrer 84 cidades de todo o País.
O veículo abriga diversas obras do poeta e percorre o país desde o início do ano passado. A visitação ao museu itinerante foi aberta às 10 horas e encerrada às 17 horas. Às 11 horas foi realizada uma palestra sobre vida e a obra do poeta, além da sessão de autógrafos do livro do senador comunista.

Inácio diz que comunga com as ideias do poeta universal que “cantou” os ideais de igualdade e justiça social, expressando seu anseio pela liberdade de todos os camponeses, os que lavram a terra no campo e os que vendem sua força de trabalho nas grandes cidades, recitando o poema Eu Quero:

Quero paz e liberdade/ Sossego e fraternidade/ Na nossa pátria natal/ Desde a cidade ao deserto/ Quero o operário liberto/ Da exploração patronal (...) A bem do nosso progresso/ Quero o apoio do Congresso/ Sobre uma reforma agrária/ Que venha por sua vez/ Libertar o camponês/ Da situação precária (...) Finalmente, meus senhores,/ Quero ouvir entre os primores/ Debaixo do céu de anil/ As mais sonoras notas/ Dos cantos dos patriotas/ Cantando a paz do Brasil.

Antônio Gonçalves da Silva, mais conhecido como Patativa do Assaré, é considerado um dos maiores ícones da cultura popular nordestina. Compunha versos enquanto trabalhava com a enxada na roça. À noite, registrava os poemas em papel, à luz de lamparina. Quem conta é o filho do poeta, Geraldo Gonçalves de Castro, que acompanha o caminhão-museu do Projeto Patativa Encanta em Todo o Canto.

Geraldo de Castro também contou à Agência Senado como Patativa publicou o primeiro livro - Inspiração Nordestina, em 1956. Ao declamar na emissora de rádio Araripe, foi ouvido pelo latinista José Arraes de Alencar, que se encantou com as poesias. Foi Alencar que o incentivou a editar o livro. Para poder pagar a impressão, Patativa "vendia legume na folha", expressão cearense que significa comercializar o livro antes de sua publicação, explicou seu filho.

O professor Eymard Freire, que acompanha o projeto, Patativa, explica que apesar de ter cursado apenas quatro anos de ensino formal, se expressava com linguagem culta, sendo profundo conhecedor da língua portuguesa. Em sua formação poética, Patativa leu importantes autores, como Castro Alves, Luís de Camões, Cecília Meireles, entre outros.

A obra de Patativa já foi traduzida, integralmente ou em parte, para o francês, italiano, espanhol e inglês. Também foi estudada na Universidade de Sorbonne, na França, e tem sido objeto de pesquisa por acadêmicos de vários países.

Serviço:
Informações sobre o projeto estão disponíveis no site: http://www.patativaencantaemtodocanto.com.br

Fonte: Agência Senado


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