Brasil

7 de setembro de 2010 - 14h05

Brasil: independência e auto-estima


Por Niko Schvarz*

O presidente Lula reuniu nos últimos dias em Salgueiro, Pernambuco, com os engenheiros, técnicos e operários ferroviários que estão trabalhando na linha férrea Transnordestina, que foi descrito como um sonho por todo o povo nordestino, pois vai ajudar a desenvolver a região em seu conjunto.

A obra está sendo feita ao mesmo tempo que outras, como uma grande refinaria de petróleo e siderurgias, gerando emprego e ajudando na capacitação da população local. É parte dos programas do governo para reduzir o fosso entre as regiões, tal como ele se esforça para fazê-lo na escada social, e neste sentido, o desenvolvimento do Nordeste, até agora sempre postergado, é uma prioridade. E isso tem consequências benéficas para todos.

“O legado que ficará não é tanto a quantidade de cimento, asfalto pontes que estamos colocando; o legado mais importante é que as pessoas humildes acreditem que nenhum ser humano é menor, daí a importância de criar oportunidades para todos, pois até agora o Nordeste não se desenvolveu por falta de investimentos em obras e capacitação técnica e profissional", disse o presidente, comparando o trabalho realizado no Nordeste nos últimos anos com aquele feito em todos os períodos anteriores.

Ele aproveitou a ocasião para lembrar que, sob seus governos, foi construído o maior número de universidades e escolas técnicas no país. Isso foi traduzido, alguns dias depois, na inauguração, em Santa Maria, Rio Grande do Sul, junto ao Ministro da Educação Fernando Haddad, de sete campi universitários federais nesse estado. Foram inauguradas ampliações de centros de tecnologia, laboratórios, bibliotecas e auditórios, núcleos de tecnologia básica de alimentos, restaurantes universitários, cursos de tecnologia em agronegócio e zootecnia, licenciaturas em letras, pedagogia, história, tecnologia em gestão do turismo, psicologia e assim como um centro de microscopia eletrônica e um laboratório de estudos dos oceanos e do clima.

Nesta ocasião, Lula disse: "Nós queremos mudar o preconceito que levou esse país a muitos anos de atraso, a lógica perversa que o Brasil deve ser governado para 35% da população, o resto era o resto. Os preconceitos estão sendo derrubados para mostrar que é possível, através da democracia, que as pessoas conquistem mais espaço".

Também no Rio Grande do Sul, na cidade de Esteio, Lula visitou, na sexta-feira, Exposição Internacional de animais, máquinas, ferramentas e produtos agrícolas. Aqui, o presidente disse que era gratificante ver a evolução da agricultura brasileira, especialmente no estado gaúcho, e comprovar que a agricultura familiar vive um bom momento no país. A decisão do governo de reforçar a agrivultura familiar se demonstrou acertada, enfatizou, porque o Programa Mais Alimento e a abertura de créditos para comprar máquinas agrícolas permitiram que o setor experimentasse "um crescimento extraordinário”. 60% dos tratores produzidos pelo Brasil, até 78 CF, foi para atender a este programa. Disse também que o Brasil está vivendo um momento de ouro "e que o IBGE (Instituto de Geografia e Estatística) anunciou que o PIB vai crescer 7%.

Dilma Rousseff fez a seguinte avaliação do trabalho do governo, que pretende continuar na presidência: "Resgatamos cerca de 22 milhões de brasileiros da miséria, garantindo seu acesso a bens de consumo básico. Proporcionamos o surgimento de uma nova classe média (que chegou a 31 milhões brasileiros nesta classe), e acrescentamos benefícios para a antiga classe média. O resultado de nossas ações foi a transformação dos setores mais pobres em atores políticos e sujeitos sociais. Os programas Bolsa Família e Luz para Todos são instrumentos modernos e eficientes de transferência de riqueza. Eles tratam as pessoas com dignidade e ajudam na formação da consciência cidadão. Desenvolvemos políticas para as pequenas e médias empresas e o fizemos de forma aberta, transparente. Temos, uma vasta gama de beneficiários das políticas sociais do governo e é isso que nos diferencia".

*Niko Schvarz é Analista internacional de La República. Publicitário uruguaio, membro da Comissão de Assuntos e Relações Internacionais da Frente Ampla.

Fonte: La Republica, em 7 de setembro de 2010. Página 11.

Tradução; Luana Bonone


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