Movimentos

26 de agosto de 2010 - 16h53

Augusto Chagas: "Sim, a UNE tem lado"


Arquivo UNE
Augusto Chagas (com camisa do Brasil) ao lado do presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (de camisa azul), Yann Evanovick, durante CONEG que definiu posiçãod a UNE nas eleições 2010  Augusto Chagas (com camisa do Brasil) ao lado do presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (de camisa azul), Yann Evanovick, durante CONEG que definiu posiçãod a UNE nas eleições 2010 
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No último dia 11 de agosto, em comemoração ao aniversário dos 73 anos da União Nacional dos Estudantes (UNE), o portal Estudantenet publicou a primeira parte da entrevista com o presidente da entidade, Augusto Chagas. Em 2010, o aniversário da UNE acontece em meio a mais um processo eleitoral que definirá os rumos do país para o futuro próximo.

Segundo Augusto, a UNE decidiu não apoiar nenhuma candidatura, mas tem um lado nesse debate: “Nossa plataforma está situada na mesma direção das cartas de unidade do movimento social com foco para os problemas que afetam a nossa juventude e os estudantes”, afirma.

O presidente da UNE, cuja gestão se estende até 2011, ainda comenta a necessidade de participação popular no processo eleitoral e o envolvimento dos jovens com a política. Segundo ele, é equivocado dizer que a atual geração é desmobilizada: “O jovem sempre foi e sempre será aquele que vê uma injustiça e não acha normal, porque ele não é conformado com os problemas do mundo”.

Leia a entrevista completa abaixo:

Estudantenet: Entre maio e junho deste ano, os movimentos sociais realizaram agenda intensa de atividades, com a assembléia da Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS) e a Conclat, um encontro histórico das centrais sindicais no Pacaembu. Como foi a participação da UNE nestes dois encontros?

Augusto Chagas: Tivemos participação intensa em ambos, no primeiro como realizadores e no segundo apresentando nossa opinião. Ambos os processos foram especialmente marcantes e históricos, representando uma convergência, às vezes difícil, porém inevitável dos movimentos sociais brasileiros em uma plataforma única de demandas. Foi emocionante absorver a diversidade desse momento e, tenho certeza, que os estudantes são um dos eixos fundamentais dessa transformação. Vivemos um momento de unidade política dos movimentos como há muito não se via no Brasil, para conduzir o país a uma sociedade de direitos para as camadas populares.

Estudantenet: Em ambos os encontros foram aprovadas plataformas políticas de reivindicações dos movimentos sociais. Qual a sua avaliação sobre os documentos? O que eles trazem de avanços e quais são as principais bandeiras para o próximo período?

Augusto: Acho que as resoluções aprovadas demonstram a maturidade do movimento social brasileiro e a convicção de alguns caminhos que devem ser percorridos. Eu diria que ambos podem ser traduzidos da seguinte maneira: consideram que o Brasil tem passado por um momento de avanços para os trabalhadores e que políticas derrotadas, como as privatizações e o corte de direitos, não podem retornar a agenda nacional; por outro lado, insistem que é necessário aprofundar muito as mudanças iniciadas e, para isso, é necessário romper com certos setores, em especial a lógica de “superávit-juros” que saqueia os cofres públicos e na democratização da mídia que está concentrada na mão de interesses elitistas e anti-nacionais.

Estudantenet: A UNE também aprovou recentemente a sua plataforma política, inclusive se colocando independente diante do processo eleitoral, declarando o não-apoio a nenhuma candidatura. Como foi construído este documento e o que ele traz de avanços para a educação e para a juventude?

Augusto: Aprovamos nossa plataforma e nossa postura no último CONEG [Conselho Nacional de Entidades Gerais], que aconteceu em abril no Rio de Janeiro. Nossas decisões seguiram na mesma direção das cartas de unidade do movimento social com foco para os problemas que afetam a nossa juventude e os estudantes. Abordamos temas como o desafio do acesso a educação no Brasil, a reivindicação do patamar de financiamento mais elevado, o desafio da permanência na educação através de políticas de assistência estudantil e do aperfeiçoamento da relação educação-trabalho. Enfim, são vários pontos que estamos apresentando aos diversos candidatos e a sociedade para que conheçam nossa opinião e para contribuir com o debate que a sociedade fará nestas eleições.

Augusto Chagas, durante debate na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP)
Estudantenet: A UNE tem lado? Porque se manter independente na disputa política?

Augusto: A UNE tem lado, com certeza. Sempre lutou pela democracia, pelos estudantes e pelos trabalhadores! O fato é que a UNE não é um partido político. São eles quem devem ter candidatos. Nossa melhor contribuição são as idéias, e nosso compromisso é com as mudanças que acreditamos necessárias ao Brasil. Além disso, a UNE tem uma característica muito valiosa: nossa pluralidade de opinião. Mesmo na nossa diretoria, participam diretores das mais diversas opiniões e correntes políticas e que terão candidatos a presidente diferentes. Forçar uma maioria para definir o apoio a um candidato, por exemplo, faria a UNE “menor”, já que excluiria uma parte destas lideranças da nossa atividade cotidiana. A pluralidade e a unidade da UNE são grandes patrimônios do movimento estudantil brasileiro e devemos a todo o momento preservá-los.

Estudantenet: Temos acompanhado pelos jornais um clima de intensa polarização entre as duas campanhas presidenciais. Qual a sua avaliação sobre as eleições 2010? Como garantir que o processo seja democrático e tenhamos uma eleição limpa?

Augusto: A sociedade precisa participar, esta é a única maneira. Com a concentração e os vícios dos meios de comunicação no Brasil, se deixarmos por conta deles a eleição vira uma fantasia. Sabemos que a maioria deles apóia um candidato e, ao invés de declararem este apoio, como acontece em vários países do mundo, aqui eles fingem hipocritamente uma suposta independência. Por isso que acredito que precisamos fortalecer a capacidade da sociedade se organizar, de se mobilizar e, desta forma, travarmos os debates que de fato interessam ao povo. Protagonismo popular é a única arma contra a despolitização que só interessa a elite dominante. Os estudantes por sua capacidade mobilizadora têm um imenso papel nisso!

Estudantenet: Vez ou outra, principalmente com a proximidade de eleições, algumas pessoas levantam a questão: o jovem está menos envolvido com a política. Qual a sua opinião?

Augusto: Acho uma grande balela. O jovem sempre foi e sempre será aquele que vê uma injustiça e não acha normal, porque ele não é conformado com os problemas do mundo. Por isso que a relação dele com a política é altruísta, é menos preocupada com os problemas pessoais dele e sim com os problemas que afligem a maioria da sociedade. E o Brasil tem muita tradição de participação dos jovens. Em todos os momentos importantes na história os jovens e os estudantes estavam lá, deixando sua digital. Este é um patrimônio da história brasileira!

Fonte: Estudantenet, por Rafael Minoro


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