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10 de abril de 2014 - 8h54

Manifestantes fazem esculacho em frente à Fiesp em SP


Reprodução
Em resposta, a Fiesp afirmou que defende o Estado de Direito e o desenvolvimento do país, qualquer acontecimento passado que vá contra isso deve ser apurado Em resposta, a Fiesp afirmou que defende o Estado de Direito e o desenvolvimento do país, qualquer acontecimento passado que vá contra isso deve ser apurado
O grupo, munido de baterias e cartazes, informava aos pedestres que a Fiesp e o Banco Itaú financiaram a tortura durante o regime autoritário. Manifestantes empunharam cartazes com o nome do ex-prefeito biônico de São Paulo (1975-1919), Olavo Setúbal, um dos fundadores do Itaú, e explicaram que o banco foi escolhido como alvo em razão de um brinde distribuído no início do ano anos clientes se referir ao golpe como revolução: "Na página do dia 31 de março, a instituição descreve a data como 'aniversário da Revolução de 1964, como o golpe militar é chamado por seus apoiadores", diz em comunicado a FEP.

"Esse escracho é para deixar claro que essas instituições não só apoiaram e legitimaram, como deram dinheiro e se beneficiaram da ditadura", afirma o cientista social e membro da FEP, Rafael Pacheco. "O que gente quer mostrar é que essa ditadura não foi só militar, foi civil também."
O grupo afirma que na sede da Fiesp ocorriam reuniões, organizadas pelo então ministro da Fazenda, Antônio Delfim Netto, em que se recolhia uma “caixinha” entre representantes de empresas para financiar a construção de centros de tortura e a manutenção de operações de espionagem. Entre esses empresários estariam Henning Boilesen, da Ultragaz, e Gastão de Bueno Vidigal, do Banco Mercantil. Outras empresas, como Ford, Volkswagen, Camargo Corrêa, Chrysler e Folha de S.Paulo foram lembradas como prestadoras de apoio logístico a operações, fornecendo carros blindados, caminhões e marmitas.

Boilesen, segundo relatam os membros da FEP, teria trazido dos Estados Unidos uma máquina de eletrochoque. A atuação do empresário é tema de documentário Chaim Litewski, premiado em 2009 no festival É Tudo Verdade. O filme é farto em depoimentos, até mesmo pessoas ligadas à Operação Bandeirantes – organização da repressão financiada por empresários –, que atestam a conduta do empresário, que chegava a assistir a sessões de tortura a emprestar carros da Ultragás para os órgãos militares. Boilesen acabou morto em uma emboscada feita por guerrilheiros em 1971.

Os militantes, apoiados por familiares de desaparecidos e ex-presos políticos, afirmam que, para fazer as afirmações, se baseiam em vasta bibliografia, incluindo a obra do jornalista e escritor Elio Gaspari, além de documentos oficiais. Em fevereiro do ano passado, o assessor da Comissão da Verdade Nacional da Verdade, Ivan Seixas, encontrou no Arquivo do Estado de São Paulo os livros de controle de entrada do Departamento de Ordem Política e Social (Dops) de São Paulo, um dos principais centros de tortura do período, que mostra que diversos empresários frequentavam o espaço.

“Esse documento é importantíssimo porque não é um documento produzido por nós. É um documento produzido por eles mesmos e que demonstra essa relação”, afirma Seixas.
“A Fiesp é símbolo da ditadura porque as classes empresariais foram beneficiárias da ditadura. Era uma ditadura contra os trabalhadores, que sofreram com o arrocho salarial, com as listas que faziam com que fossem discriminados e passassem fome sem conseguir emprego. Não é à toa que um funcionário deles, o senhor Geraldo Resende Mattos, ia todos os dias até o Dops”, bradou Seixas em frente ao prédio da federação. A Fiesp nega que Mattos tenha sido seu funcionário. Mas era dessa forma que ele se apresentava no Dops, onde esteve mais de 50 vezes em 1971, em um período de 10 meses.

Para o deputado estadual Adriano Diogo (PT), presidente da Comissão Estadual da Verdade Rubens Paiva de São Paulo, instalada na Assembleia Legislativa e onde os documentos foram analisados, é preciso apontar os envolvidos na ditadura para que a população possa optar por boicotar seus produtos. “A Ford americana foi uma das principais apoiadoras do nazismo. Por isso judeus de nenhuma parte do mundo compram carros dessa marca”, comparou o deputado.

Empresa negam

Procurado pela reportagem para comentar a manifestação, o Itaú negou genericamente que defenda alguma posição política, sem comentar o episódio específico: “O Itaú respeita manifestações pacíficas, diversidade de pensamentos e ideias e a democracia, mas reitera que nunca defendeu qualquer posição política”, diz a nota.

A Fiesp, também em nota, defendeu a apuração dos eventos denunciados: "A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo tem se pautado pela defesa da democracia e do Estado de Direito, e pelo desenvolvimento do Brasil. Portanto, eventos do passado que contrariem esses princípios podem e devem ser apurados".


Fonte: Rede Brasil Atual


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