Movimentos

6 de março de 2013 - 7h59

Doquinha: Mulheres em Marcha pela igualdade no mundo trabalho 

Nesta quarta-feira (6), Brasília será tomada pelos trabalhadores e trabalhadoras organizados nas seis centrais sindicais, que chegarão dos quatro cantos do país para a 7ª Marcha das Centrais e dos Movimentos Sociais por “Desenvolvimento, Cidadania e Valorização do Trabalho”.

Por Raimunda Gomes (Doquinha)* 


A marcha tem como objetivo pressionar o governo a tomar medidas que beneficie as trabalhadoras e trabalhadores rurais e urbanos, que com seu labor constroem a riqueza deste país. 

Em audiência com a presidenta Dilma Rousseff, os representantes das seis centrais sindicais entregarão uma plataforma elaborada pela classe trabalhadora, que inclui a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, o fim do fator previdenciário, reforma agrária, igualdade de oportunidade entre homens e mulheres, dentre outros, tão importantes quanto.

As mulheres das centrais estarão na Marcha, neste dia, abrindo as comemorações do “Dia Internacional de Mulher”, com visual destacado e muita disposição de luta, imbuídas do mesmo compromisso que mobiliza o conjunto da classe trabalhadora, mas, exigindo o combate à discriminação e desigualdades cometidas contra as mulheres no mundo do trabalho.

Nesse sentido, amplia a pauta geral ao reafirmar que a igualdade entre mulheres e homens seja um compromisso de toda a classe trabalhadora e do governo da presidenta Dilma Rousseff, a primeira mulher a ocupar o mais alto cargo do governo. E exige maior compromisso do Congresso Nacional, solicitando que o mesmo ponha em pauta e aprove durante o mês de março, Projetos de Lei (PL) e Emendas Constitucionais que sejam de interesse das mulheres, em especial a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 66/12 que se encontra no Senado e dispõe sobre os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras domésticos igualando-os aos demais trabalhadores. Podemos citar também os Projetos de Lei 6653/09 e 136/11 que tramitam na Câmara e Senado respectivamente, e propõe critérios e mecanismo para a promoção da igualdade de oportunidade entre mulheres e homens no mundo do trabalho.

Ainda na esteira dos projetos que interessam às mulheres temos a PEC 30/07 que amplia para 180 dias a licença maternidade; o PL 235/07, que modifica a LDB lei 9394/97 para tornar obrigatória a inclusão de conteúdos sobre Direitos da Mulher no Ensino Médio; o PL 370/11 que dispõe sobre o sistema especial de inclusão previdenciária das donas de casa sem renda que se dedicam exclusivamente ao trabalho doméstico no âmbito de sua residência; PL 4403/04 que isenta de pena a prática de “aborto terapêutico” em caso anomalia do feto, incluindo o feto anencéfalo, que implique em impossibilidade de vida extrauterina. Esses são apenas alguns exemplos de projetos propostos por diversos parlamentares homens e mulheres comprometidos com melhoria da condição de vida das mulheres.

Desse modo, as mulheres anunciam que estarão atentas as medidas que serão tomadas pela bancada feminina e governista no Congresso Nacional. Alertando que não basta audiências públicas e atos solenes para celebrar o Dia Internacional das Mulheres se não houver um esforço conjunto de governo e movimentos sociais e sindical no combate à toda e qualquer forma de violência e discriminação contra as mulheres.

Maioria na população brasileira, a força de trabalho feminina no Brasil cresceu sobremaneira nas últimas décadas. Dados demonstram que, apesar maior presença no mercado de trabalho e maior nível de escolaridade dificilmente chegam a cargos de direção dentro das empresas. Também nas direções sindicais, as mulheres ainda estão distantes de sua real participação no mercado de trabalho e na sua capacidade enquanto liderança política.

É inaceitável que em pleno século XXI ainda convivamos com as atrocidades de discriminar e marginalizar no lar, no mercado de trabalho, na politica ou em qualquer outro espaço, seja público ou privado.

Portanto, a 7ª Marcha das Centrais Sindicais e dos Movimentos Sociais é também a marcha das mulheres que darão um grito de alerta, anunciando a longa jornada que se aproxima, ou seja, o mês de março será de debates e manifestações públicas por todo o país, em busca da tão sonhada, cantada e decantada Igualdade entre mulheres e homens.

*Raimunda Gomes é secretária da Mulher Trabalhadora da CTB. 

Fonte: Portal da CTB
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