Movimentos

13 de maio de 2011 - 14h38

Eventos em vários estados lembram 13 de maio como dia de luta


Seppir
O Dia da Abolição da Escravatura tornou-se o Dia Nacional de Denúncia contra o Racismo.
Desemprego, falta de acesso à moradia e aos serviços de saúde, educação de baixa qualidade, preconceito, discriminação racial, violência. Esses são apenas alguns problemas ainda enfrentados por negros e negras no Brasil. Os avanços – principalmente nas políticas públicas voltadas para a população negra no país – são consideras “muito tímidos”.

Neste ano, o "Dia Nacional de Denúncia contra o Racismo”, em que se transformou o Dia da Abolição da Escravatura, chama atenção para a violência contra jovens negros. Dados do "Mapa da Violência 2011 – Os jovens do Brasil” revelam que 12.749 negros/as foram assassinados/as no ano de 2008. De acordo com o relatório, entre 2002 e 2008, as taxas de homicídios de jovens brancos caíram 23,3% enquanto que as de jovens negros cresceram 13,2%.

O genocídio contra a população negra é o tema das ações realizadas em São Paulo. Com o grito de "Parem de matar os nossos filhos”, organizações e movimentos do povo negro entregaram, nesta quinta-feira (12), na Assembleia Legislativa de São Paulo, um dossiê sobre a violência contra população negra e solicitaram a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o genocídio negro e a ação da polícia militar de São Paulo.

Hoje (13), às 18h, haverá um ato político seguido de cortejo cultural pelas ruas do Centro. Além do rechaço à violência contra a população negra, os manifestantes reivindicam: reparações históricas para o povo negro brasileiro; manutenção das cotas nas universidades e ampliação para todas as instituições de ensino superior públicas; manutenção do decreto que regula a titulação dos territórios quilombolas; tipificação dos casos de violência policial; entre outras.

Denúncia contra o racismo

Para o deputado Edson Santos (PT-RJ), ex-ministro da Seppir no governo Lula, o dia 13 de maio simboliza não apenas a abolição da escravidão no Brasil, mas principalmente a luta pela construção da igualdade racial no país. Ele confirma que, apesar dos avanços verificados nos últimos anos, o país ainda está longe da igualdade racial completa.

O deputado Evandro Milhomen (PCdoB), que participa das comemorações da data em seu estado de origem, o Amapá, reforça as palavras do colega parlamentar, lembrando que No governo do Presidente Lula o movimento negro experimentou grandes avanços, com a adoção de varias políticas públicas de redução da desigualdade racial. Mas reconhece que os movimentos negros têm razão em suas denúncias, de que o descaso do Estado, ao longo de décadas no século passado, deixou um enorme passivo que ainda precisa ser resgatado.

Em Alagoas, a data será marcada por palestra do professor Charles Moore, na sessão pública que acontece na Assembléia Legislativa. A palestra sobre Dia Nacional de Denúncia Contra o Racismo, como parte do "Ìgbà" – 2º Seminário Afro-Alagoano: "A África que incomoda", é uma parceria do movimento negro alagoano, do Projeto Raízes de Áfricas e diversas instituições. Autor de cinquenta e cinco artigos publicados sobre questões internacionais, Charles Moore lança, nesse dia, o livro "A África que Incomoda".

Em Pernambuco, o Movimento Negro Unificado de Pernambuco, em parceria com o Comitê Estadual de Promoção da Igualdade Etnicorracial (Cepir), realizam atividades do 13 de Maio com o "Não é Dia de Negro: Pérolas Negras do Saber". O evento será marcado por homenagens a personalidades negras de Pernambuco, danças, teatro, musicalidade negra e indígena.

Pra celebrar a data no Rio de Janeiro, o Centro Universitário Augusto Motta (Unisuam) promove a 2ª Jornada Brasileirafro. A iniciativa tem como objetivo evidenciar a contribuição da cultura africana na formação da identidade brasileira.

No Rio Grande do Sul, o Museu Treze de Maio lança o portal Clubes Sociais Negros no Brasil. A iniciativa conta com parceria do Movimento de Clubes Sociais Negros do Brasil e da Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial (Seppir). O objetivo é congregar, no site, todas as associações congêneres do país, possibilitando intercâmbios e parcerias.

No Recôncavo Baiano

E na Bahia, a festa do 13 de maio é realizada todos os anos, desde 1889, no município de Santo Amaro da Purificação, o Bembé do Mercado. Após 123 anos da primeira festa em comemoração à abolição da escravatura, o Bembé do Mercado constitui-se, hoje, em movimento de afirmação dos descendentes de africanos escravizados. Incorporada ao calendário cultural do País, a iniciativa tem forte cunho religioso e evidencia o vigor das manifestações culturais de matriz africana.

De acordo com Rejane Pieratti, representante do terreiro Ilê Oju Onirê, que coordena o grande encontro, as manifestações dos municípios de Santo Amaro, Acupi e Itapema (todos pertencentes ao Recôncavo Baiano) vão além da reprodução de costumes ancestrais. “ Hoje, o Bembé agrega manifestações populares de todo o País, especialmente das áreas rurais do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, evocando a luta contra a escravidão e consolidando valores importantes da cultura afro-brasileira”.

Cultura, arte e literatura serão os temas trabalhados na segunda edição da jornada, para afirmar a importância que têm na constituição da identidade brasileira. Haverá palestras, debates, filmes, roda de capoeira, exposição de artesanato afro, degustação de comidas típicas e um salão especializado em penteados afro.

De Brasília
Com agências


  • VOLTAR
  • IMPRIMIR
  • ENCAMINHAR

Últimas Mais