América Latina

29 de abril de 2013 - 10h20

Possibilidade de fraude na Venezuela é de um em 25 sextilhões

A possibilidade de ter havido fraude na contagem dos votos nas eleições do último 14 de abril na Venezuela é praticamente impossível. Ou melhor, é de 1 em 25 sextilhões ou 1 em 2521. O número pode assustar, mas essa é a conclusão a que chegou o Centro de Pesquisas Econômicas e Políticas (CEPR, sigla em inglês), com sede em Washington (DC), Estados Unidos.

Jônatas Campos*, no Comunicasul


O CEPR fez uma análise estatística sobre a possibilidade de problemas em urnas que não foram auditadas influenciarem nos resultados que deram vitória ao presidente Nicolás Maduro sobre Henrique Capriles por uma diferença de pouco mais de 273 mil votos.

Acompanhe o especial do Vermelho sobre as Eleições na Venezuela

A proporção é gigantesca por um simples motivo: nas eleições venezuelanas 54% das urnas eletrônicas e caixas de resguardo (urna de papelão onde são depositados os votos impressos) são auditadas no mesmo dia das eleições, assim que são fechadas as mesas. Isso significa que mais da metade dos votos foram contados e conferidos com as atas de assinatura ainda no dia do pleito, ou seja, 20.850 das 39.303 urnas.

Com a escolha das urnas é aleatória e nesse universo não foi detectado nenhum problema grave que comprometesse o resultado, é difícil acreditar que os problemas em 12 mil urnas, como acusa o candidato derrotado, estão somente nos outros 46% restantes.

Essa checagem, chamada Verificação Cidadã, foi feita na presença de fiscais governistas e oposicionistas, além dos mais de três mil observadores internacionais presentes no país. Além disso, técnicos apontados pela oposição participaram de 16 auditorias do sistema eleitoral desde o ano passado.

A Venezuela tem um dos sistemas eleitorais mais modernos do mundo. Os eleitores cadastrados comparecem às seções com carteira de identidade e têm a impressão digital capturada por uma máquina. Depois, escolhem seu candidato em uma tela tátil e confirmam em um monitor sua escolha. Após a confirmação, a urna imprime um comprovante com o nome do candidato e partido escolhido, o eleitor confere e deposita na urna de papelão. Depois assina o caderno de votação e pinta o dedo mindinho com uma tinta indelével para comprovar que já votou.

Se antes das eleições a direita venezuelana recusara-se a assinar um documento se comprometendo a reconhecer os resultados do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), firmado pelos demais candidatos, depois do resultado de 14 de abril, Capriles Radonski pediu uma recontagem de 100% dos votos. Agora, no último dia 26, cientes da mínima possibilidade de toda sua grita chegar a algum lugar, afirmam que não vão participar da auditoria e que essa eleição foi "roubada".

"É praticamente impossível que uma auditoria dos 46% restantes de urnas poderia encontrar discrepâncias suficientes para reverter o resultado da eleição", diz o economista e co-diretor do CEPR Mark Weisbrot.

Ganhar eleições por diferenças apertadas não é algo tão incomum como parece. Em 1960 John Kennedy elegeu-se em um placar de 49,7% enquanto Richard Nixon teve 49,6%. Em 2000, George Bush ganhou de Al Gore graças a uma manobra no colégio eleitoral da Flórida, porque em percentagens havia perdido para o democrata por 48,4% frente 47,9%. Ou seja, no voto popular, Al Gore foi escolhido por 543.816 eleitores a mais que Bush. Para não ir tão longe, a própria Venezuela já reconheceu resultados eleitorais apertados como em 1968 com a vitória de Rafael Caldera com 29,13% sob Gonzalo Barrios com 28,24% ou em 1978 com a vitória de Luis Campis com 46% sob Luis Ordaz com 43,3%.

Um fato é que Nicolás Maduro teve 685 mil votos a menos que Hugo Chávez em sua última eleição em outubro de 2012. Capriles cresceu em 670 mil eleitores e isso tem lhe dado fôlego e afetado sua memória. Há quatro meses, no último 16 de dezembro, elegeu-se governador do Estado Miranda em uma vitória apertada sobre o chavista Elias Jaua por uma diferença de 45 mil votos. Também não se lembra de que esse mesmo sistema eleitoral que ele hoje acusa de fraudulento foi o responsável por escolhê-lo como candidato da oposição em uma prévia em janeiro de 2012 com outros vários concorrentes.

*Jônatas Campos é jornalista
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