Cultura

8 de março de 2012 - 16h47

A mãe que conta história e cura


Com essa nova safra literária, não só a mãe mas também o pai e o educador têm uma ferramenta de apoio à didática reflexiva e consegue colocar na pauta familiar questões difíceis para a criança -- como bullyng, luto, separação dos pais. Temas como esses são tratados no contexto e na linguagem infantil, muitas vezes explorando o ritmo dos versos.

Cecília Meireles, no clássico Ou isto ou aquilo, utilizou o gênero, que estimula a repetição e a gravação na memória. No poema do mesmo título do livro, a poeta aborda a dúvida na hora de fazer escolhas, dilema clássico da adolescência.

O  ator Paulo Autran, declamou poesias infantis de Cecília Meireles, como "o colar de Carolina".




Contos de ninar


Muito antes dessa tendência de "contoterapia" se impor, os tradicionais contos de fadas já estavam sendo revistos e acusados da perpetuação de valores distorcidos de comportamento social. Segundo estudos, a submissão feminina e o preconceito contra os mais fracos, para dar dois exemplos, são explorados subliminarmente nas aventuras de princesas e dragões. Daí a assertividade na escolha de contos terapêuticos afinados com a ética corrente, explica a pedagoga Paula Furtado.

Paula, que levou muitos casos do consultório para uma obra infantil com proposta terapêutica, ensina como a história deve ser lida para proporcionar os melhores efeitos da contação.

Lendo, brincando e crescendo

Por Paula Furtado

A arte da contação começa na seleção das histórias. Existem aquelas específicas para determinados temas ou situações, ou seja, narrativas que permitem uma identificação imediata do leitor ou ouvinte com o enredo.

Após a escolha, a forma como a qual os pais e educadores contam a história é de grande importância para o sucesso do conto como processo terapêutico. Para tudo dar certo, valem as dicas:

- Não compare as crianças com os personagens ou dar sermões ao fim de cada história. A ideia é deixar o inconsciente agir e fazer as conexões necessárias sozinho. Quando o adulto pontua um aspecto e defende uma posição sobre o assunto em pauta, o trabalho simbólico fica bloqueado. Exemplo: a criança está mentindo muito e o pai conta a história “Pedro e o lobo”. A criança ouve tudo muito interessada, mas, quando termina a leitura, o adulto faz o seguinte comentário: “Viu o que acontece quando as crianças mentem?” Neste momento, todas as conexões que a criança estava realizando com o seu dia a dia terminam e ela percebe que aquela história foi só mais um sermão, só que mascarado.

- Procure, ao término de cada história, explorar com a criança as sensações que ela experimentou durante a leitura, por meio de perguntas como: O que você achou da história? / O que você mais gostou da história? /O que lhe incomodou na história? / De qual personagem você mais gostou? / Você conhece alguém que viveu uma situação parecida? / Você já se sentiu como esse personagem? / Como você imagina que o personagem se sentiu quando aconteceu aquela situação? / Você teria a mesma atitude de tal personagem? / Você gostou do final? Deixe a criança falar, sem censuras.

- Caso a criança durma no meio da história, procure, mesmo assim, contá-la até o final. Em geral, os pequenos pegam no sono no momento do conflito e, para evitar que eles tenham pesadelos e durmam com a imagem da bruxa ou do lobo, por exemplo, é necessário continuar a leitura, chegando ao final feliz, pois o inconsciente ainda está ligado mesmo quando a criança está sonolenta.

- Para contar histórias, o pai ou educador deve procurar conhecer bem a narrativa. Apropriar-se do enredo dará mais verdade ao texto. É importante contar a história com naturalidade a fim de que haja por parte da criança uma maior identificação com os personagens e os conflitos narrados, de forma que a criança possa relacioná-los com suas experiências, apontando para um caminho de soluções.

*Paula Furtada é autora do livro Terapia do Conto – Para Curar o Coração, da Editora Girassol

Fonte: Obaramail

 


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