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21 de julho de 2011 - 19h36

Metalúrgicos do ABC estão ganhando melhor, revela Dieese


Se em 1994, praticamente metade dos metalúrgicos (48,6%) não tinha o ensino fundamental completo, os números de 2010 mostram que a escolarização da categoria evoluiu muito. No ano passado, 54,9% dos metalúrgicos do ABC tinham o ensino médio completo e 12,9% o nível superior.

“O aumento da escolarização é um fator muito importante, mas só ele não basta. Deve-se aumentar a escolaridade, assegurar o acesso dos trabalhadores à universidade e, tão importante quanto isso, oferecer formação profissional”, disse Sérgio Nobre, presidente do sindicato, destacando que uma das lutas da categoria será trazer uma escola técnica federal para a região.

“Hoje temos um outro perfil de trabalhador. Na época do Lula [o ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC Luiz Inácio Lula da Silva era metalúrgico] era raro você encontrar alguém que tinha o segundo grau”, completou.

O estudo também observou que os metalúrgicos estão mais velhos. Em 1994, os trabalhadores com 50 anos ou mais somavam 6,7% do total. No ano passado, esse número chegou a 11%. Os jovens, até 30 anos, representam 37% do total ou cerca de 36 mil trabalhadores.

De acordo com o levantamento, isso mostra que o conhecimento acumulado pelos metalúrgicos ao longo dos anos, a organização no local de trabalho e a mudança na legislação previdenciária, que torna a aposentadoria mais tardia, permitiram a manutenção dessa ocupação por um período mais longo.

A remuneração média mensal dos metalúrgicos do ABC também cresceu e é 44,2% superior à media salarial dos metalúrgicos de todo o Brasil. Um metalúrgico do ABC recebia, em média, R$ 3.604,19 em dezembro do ano passado, considerando-se também os cargos de chefia.

Excluindo-se os cargos de liderança, a média salarial alcança R$ 3.242,83. Entre os metalúrgicos do Brasil, a média salarial, excluindo-se os cargos de liderança, é de R$ 1.809,91. O maior salário entre os metalúrgicos do ABC é pago pelas montadoras, chegando a atingir R$ 6.125,71.

O estudo também mostrou que a maior parte dos metalúrgicos do ABC continua sendo formada por homens (85,5%). Apenas 14,5% ou 15.569 trabalhadores da categoria são mulheres, mesmo número que era observado em 1994. “Não tem cabimento não ter 30% de mulheres em nossa categoria hoje. Mas, para isso, é preciso estabelecer cotas para, ao longo tempo, chegarmos a 30%”, disse Nobre.

Fonte: Agência Brasil





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