Brasil

6 de novembro de 2011 - 10h59

Para FGV disparidades entre os municípios é um reflexo do país


Divulgado ontem (5) à noite pela Federação das Indústrias do Estado do Rio, o IFDM revela que houve, no período, redução das desigualdades entre os 5.565 municípios brasileiros: 69,1% das cidades apresentaram crescimento em seus indicadores de desenvolvimento, com migração das faixas de desenvolvimento baixo e regular para as de crescimento moderado e alto.

Castelar acredita que os números relativos a 2010 serão ainda melhores porque o país se recuperou bem da crise econômica do ano anterior. Embora a desigualdade ainda permaneça entre as cidades em termos de alto desenvolvimento, na análise da última década o resultado encontrado pelo IFDM é que 90% dos municípios apresentaram crescimento, ao mesmo tempo em que houve redução do total de cidades com índices de desenvolvimento considerados baixos.

“Eu acho que o fato de os municípios mais pobres terem mostrado melhora maior nessa ótica tem muito a ver com o fato de que a renda vem melhorando no país por conta de melhorias no mercado de trabalho. Isso tem impacto importante, porque há mais gente trabalhando. Significa que a renda familiar é mais alta”.

O foco nos municípios com mais baixos índices de Desenvolvimento Humano (IDH) reflete as políticas de transferência de renda, como o Bolsa Família, que têm peso muito grande nas regiões mais pobres, com destaque para o Nordeste e o Norte, disse Castelar. Esses programas são particularmente importantes para os municípios com muitas famílias pobres, ressaltou.

O economista da FGV observou que a persistência de disparidades entre os municípios é um reflexo do próprio país. “É um elemento importante que, acredito, está sendo levado em consideração nas políticas públicas. Há alguns anos, existe um esforço de atacar esses municípios onde está concentrada a pobreza”. Ele explicou que esses municípios estão, de modo geral, situados em regiões mais distantes e sofrem dificuldade para gerar renda, devido à carência de atividades econômicas.

O indicador comprova que o trabalho de atingir esses municípios mais pobres continua sendo relevante, disse Castelar, “porque é importante subir a média do desempenho, mas é importante, particularmente, levar esses municípios que estão no fim da distribuição para um patamar melhor”.

O economista considerou razoável a conclusão do IFDM de que levará ainda algum tempo para que o país alcance uma renda de padrão mais elevado para todos os municípios. De acordo com o índice da Firjan, se for mantido o ritmo de desenvolvimento no Brasil registrado a partir de 2005, o padrão de alto desenvolvimento para os 5.565 municípios só deverá ser alcançado por volta de 2037.

Castelar lembrou que a década passada foi positiva para o país. “Para se tornar um país de renda rica, como é a situação dos melhores municípios, é razoável que demore tempo mesmo. O crescimento é um processo continuado em termos de melhorias”. Atingir um padrão de economia elevada não ocorre da noite para o dia, acrescentou.

Se os problemas estruturais decorrentes da crise econômica mundial fizeram o IFDM Emprego e Renda cair 5,2% em 2009, os avanços de 2,6% no IFDM Educação e de 0,9% no IFDM Saúde são resultado de um processo contínuo de melhorias e refletem, segundo Castelar, um conjunto de políticas públicas acertadas. “É um processo longo, que vem dos anos 90, e o país vem tentando melhorar os seus indicadores”. Ele reiterou que em 2010 os números vão evidenciar recuperação também nos dados relativos a emprego e renda.
Agência Brasil



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