Brasil

1 de outubro de 2010 - 16h15

Onda: aliados de Dilma podem preencher 60 das 81 vagas no Senado


Caso vença a disputa presidencial, Dilma Rousseff, da coligação Para o Brasil Seguir Mudando, terá no Senado uma maioria muito mais ampla do que a desfrutada por Lula. Herdará a faca — o Executivo — e um Legislativo feito queijo nas mãos.

A Câmara dos Deputados já está menos conservadora. No Senado, o governo pode, finalmente, obter uma vantagem ampla sobre a oposição. Hoje, pode contar, na melhor das hipóteses, com 48 dos 81 senadores, um a menos que o necessário para passar uma reforma constitucional. Com a renovação de dois terços das cadeiras, que será feita neste domingo, políticos da base aliada ao governo Lula poderão dominar o Senado e ocupar mais de 60 cadeiras.

A bancada da oposição — que tem 30 senadores — pode, em tese, até aumentar, em dois ou três senadores, num cenário de baixíssima probabilidade. No extremo oposto, também com menos chance de ocorrer, ela pode perder mais de 15 vagas, reduzindo-se à metade. O mais provável é que a queda fique entre um e outro, e a oposição saia com cerca de dez cadeiras a menos.

As duas regiões que reúnem quase 60% do poder no Senado — a Norte e a Nordeste — são as maiores responsáveis pela desidratação. No Norte, a base aliada ampliará o domínio que já tem. Mas, no Nordeste, ela quebra, de vez, a espinha dorsal da oposição. Enquanto hoje a situação é de empate, com 13 senadores da base aliada, 13 oposicionistas e um independente, a renovação poderá terminar com uma vantagem de 18 a nove.

Na região estão alguns dos alvos preferenciais da “lista negra” do presidente Lula, que se empenhou durante a campanha em derrotar seus principais inimigos no Senado. Heráclito Fortes (DEM-PI) e Mão Santa (PSC-PI) não devem se reeleger. Heloísa Helena (PSOL-AL) caiu nas pesquisas. Até Tasso Jereissati (PSDB-CE), que liderava com folga, está ameaçado.

A “onda vermelha” fez com que o petista Walter Pinheiro, na Bahia, pulasse de terceiro para primeiro. Em Pernambuco e no Piauí, o governo pode tomar, de uma só tacada, as quatro vagas que são da oposição, caso Marco Maciel (DEM) e Mão Santa não se elejam.

Mas a estratégia de Lula pode não ser completa. Graças à Paraíba, que pode eleger dois oposicionistas, e graças ao desempenho de José Agripino Maia (DEM), no Rio Grande do Norte. O estado, aliás, é o único do Nordeste em que a oposição pode eleger um governador já no primeiro turno. Mas até a conquista de Rosalba Ciarlini (DEM) teria gosto agridoce. Sua vitória pode significar mais uma cadeira favorável a Dilma no Senado — pois Garibaldi Alves, pai, seu suplente, é do PMDB.

Norte

Na região Norte, o destaque é a provável derrota de Arthur Virgílio (PSDB-AM), outro desafeto de Lula, que foi ultrapassado por Vanessa Grazziotin (PCdoB). O Amazonas também é o lugar do provável campeão nacional de votos em termos percentuais. É o ex-governador Eduardo Braga (PMDB), que aparece distante, com 80% das preferências do eleitorado.

Já o Amapá tem a disputa mais embolada do país, com quatro candidatos empatados, com uma diferença de apenas quatro pontos percentuais. No Norte, a base aliada tende a aprofundar o seu domínio, de 13 a oito para um placar entre 16 e 19 senadores contra dois a cinco.

Em meio a tantas perdas, dois estados, além da Paraíba, se apresentam como os bastiões da oposição. Em Goiás e Minas, as quatro vagas se encaminham para a oposição, juntando-se às outras duas que ela já tem na Casa. Minas, cujo mandato de Eliseu Resende (DEM) vai até 2015, deve eleger os favoritos Aécio Neves (PSDB) e o ex-presidente Itamar Franco (PPS). A composição da bancada mineira, com um senador de cada partido da oposição, é um contraste no Sudeste.

Os outros três estados da região, pelo que indicam as pesquisas, devem eleger apenas candidatos do campo popular-progressista. Com a liderança de Lindberg Farias (PT) e Marcelo Crivella (PRB), no Rio, e de Marta Suplicy (PT) e Netinho (PCdoB), em São Paulo, e de Magno Malta (PR) e Ricardo Ferraço (PMDB), no Espírito Santo, todos os nove senadores destes estados continuam na base aliada. O ex-prefeito do Rio, Cesar Maia (DEM), outro baluarte da oposição, pode ter suas expectativas frustradas.

Nas regiões Sul e Centro-Oeste, o predomínio do governo é menos contundente e há mais equilíbrio. São, por outro lado, regiões com menos peso: apenas sete estados (21 vagas). Em Mato Grosso, a disputa pela segunda vaga entre o tucano Antero Paes de Barros e o petista Carlos Abicalil — que ultrapassou o adversário numericamente na reta final — pode significar outra baixa importante para oposição. Barros, embora adversário de Lula, chegou a usar imagens antigas do presidente o elogiando.

Da Redação, com informações do Valor Econômico


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