Brasil

30 de agosto de 2006 - 19h47

ONU acusa Israel de uso "imoral" de bombas de fragmentação


 
O chefe humanitário das Nações Unidas acusou Israel de uso "completamente imoral" de bombas de fragmentação no Líbano. Desde o cessar-fogo, treze pessoas morreram em decorrência das bombas que não explodiram ao serem lançadas.

 

Especialistas em desarmamento deste tipo de artefato encontraram até agora 100 mil bombas de fragmentação que não explodiram em 359 locais diferentes, afirmou Jan Egeland.

 

"Noventa por cento dos ataques com bombas de fragmentação ocorreram nas últimas 72 horas do conflito, quando já se sabia da resolução", afirmou.

 

Segundo Israel, as munições usadas no conflito estavam de acordo com as leis internacionais.

 

Egeland classificou as últimas estatísticas como "nova informação chocante".

 

"Bombas de fragmentação afetaram vastas áreas - muitas casas, muitas fazendas", afirmou Egeland.

 

E acrescentou que "elas estarão conosco por muitos meses, provavelmente anos. Todos os dias pessoas são mutiladas, feridas e mortas por essas armas. Isso não deveria ter acontecido".

 

Egeland disse também que a informação veio do Centro de Coordenação de Ação com Minas da ONU, que avaliou aproximadamente 85% das áreas bombardeadas no Líbano.

 


Mortes pós-guerra


Treze pessoas, incluindo três crianças, morreram entre o cessar-fogo e esta terça-feira, segundo o diretor do centro de minas da ONU no sul do Líbano, Chris Clark. Outras 46 pessoas ficaram feridas.

 

"Todos os dias temos que revisar a noção que temos do tamanho do problema", disse Clark. "Simplesmente não sabemos o quão grande é o problema, apenas que se torna maior a cada dia."

 

Steve Goose, da organização Human Rights Watch, disse que o mesmo perigo das bombas de fragmentação foi imposto aos civis quando foram usadas no Afeganistão e em Kosovo, pelo EUA, Inglaterra e Holanda.

 

Mas pesquisadores da organização de direitos humanos alegam que o uso feito por Israel no sul do Líbano foi pior que em todos os outros lugares que os pesquisadores da instituição já avaliaram até hoje, afirmou Goose.

 


Bombas de fragmentação


Bombas de fragmentação, que tem a força explosiva para destruir veículos blindados, são colocadas dentro de bombas lançadas por aviões ou em projéteis de artilharia. Entre 200 a 600 bombas de fragmentação, oriundas de um só projétil, são lançadas em uma área do tamanho de um campo de futebol, e destroem blindados ou pistas de decolagem.

 

Normalmente dez a 15 por cento das bombas de fragmentação não explodem imediatamente, mas durante décadas podem explodir sob o menor distúrbio, afirmam especialistas. Crianças confundem as bombas por baterias de lanterna, ou por outros objetos e, as pegam, causando a detonação. "Cidades foram cobertas com munição de fragmentação", afirmou Goose. "Elas foram lançadas no meio das cidades."

 

Pesquisadores afirmam que aproximadamente 70% das bombas lançadas por Israel não explodiram de início. As bombas que falharam são armas de última geração israelenses.

 

Até agora equipes da ONU destruíram mais de duas mil submunições individuais, mas é apenas o começo e é impossível dizer quantas ainda serão encontradas e destruídas.

 

Fonte: AP 



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