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5 de maio de 2014 - 16h05

Abbas e líder do Hamas avançam pontos da reconciliação palestina


Amr Nabil/AP
Mashaal, líder do Hamas, dá declarações à imprensa com o presidente da ANP, Mahmoud Abbas, após um encontro de reconciliação no Egito, em 2012. Mashaal, líder do Hamas, dá declarações à imprensa com o presidente da ANP, Mahmoud Abbas, após um encontro de reconciliação no Egito, em 2012.
O presidente Abbas disse que o encontro com Mashaal foi “positivo”. Foi a primeira vez que os dois líderes reuniram-se desde um importante acordo de reconciliação foi assinado no fim de abril pelas delegações do Hamas e da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) – da que a ANP funciona como “órgão de autogoverno” nos territórios ocupados por Israel.

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Segundo uma fonte diplomática citada pela agência palestina de notícias Ma’an, Abbas também se reuniu com o emir do Catar, xeique Tamim bin Hamad al-Thani, que tem mediado as conversações entre os partidos afastados desde que as eleições de 2006 terminaram em confronto e fragmentaram os palestinos. Uma declaração emitida pelo Hamas indicou que “Abbas e Mashaal tiveram uma longa reunião para discutir os últimos acontecimentos na Palestina, inclusive o acordo de reconciliação e a criação de uma atmosfera positiva na qual ela será alcançada.”

Os dois líderes mostraram-se comprometidos com a reconciliação, para “virar uma nova página, com base na parceria nacional”, afirmou o documento, uma mensagem a algumas expressões céticas sobre a dedicação dos partidos ao esforço, uma vez que acordos anteriores, assinados em 2012, ainda não foram implementados. Mesmo assim, o otimismo com o fortalecimento nacional dos palestinos tem prevalecido nas matérias sobre a reconciliação na mídia palestina.

A última vez em que Abbas e Mashaal encontraram-se foi em 2013, no Cairo, capital do Egito, que também atuou diretamente na mediação da reunificação. As conversações almejam a realização de eleições nos próximos meses e a integração à OLP do Hamas e outros partidos islâmicos com maior expressão em Gaza. Após os confrontos e o corte de relações, Israel bloqueou completamente o estreito território litorâneo, alegando tratar-se de uma área gerida por uma “organização terrorista”, pressionou a ANP contra a reconciliação e tentou boicotar o processo repetidas vezes.

O último episódio culminou no cancelamento de uma reunião entre os diplomatas israelenses e palestinos (acompanhado de ataques aéreos a Gaza) e na suspensão das negociações, que tinham sido retomadas em julho de 2013 e durariam até 29 de abril, mas não resultaram em qualquer avanço diplomático. Segundo o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, que tentou acusar os palestinos pelo fracasso da diplomacia, “Abbas preferiu o Hamas à paz”.

Entre os detalhes do que foi acordado entre os líderes palestinos, segundo a Ma’an, está a incorporação de cerca de três mil membros das forças de segurança da ANP ao efetivo policial de Gaza de maneira temporária, para apoiar as autoridades locais em questões securitárias, enquanto efetivos do Hamas seriam integrados às forças na Cisjordânia.

Quando o acordo de reconciliação foi anunciado, em 23 de abril, o vice-presidente do Hamas, Moussa Abu Marzouk anunciou que os dois lados tinham concordado sobre todas as questões em disputa para a formação de um governo conjunto em um mês, prevendo eleições para um prazo de seis meses.

Por Moara Crivelente, da Redação do Vermelho,
Com informações das agências palestinas de notícias



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