Brasil

29 de dezembro de 2013 - 11h48

Governo do Acre transfere quatro indústrias para trabalhadores 


Para coroar a vitória dos extrativistas – agora organizados em cooperativas que reúnem mais de duas mil famílias em vários municípios -, o governo do Estado, reconhecendo a força e o empenho dos trabalhadores da floresta, transferiu para a Cooperativa Central de Comercialização Extrativista do Acre (Cooperacre), três indústrias de beneficiamento de castanha (Brasileia, Xapuri e Rio Branco) e uma de processamento de borracha (Sena Madureira).

“A assinatura dessa lei é a realização do sonho de Chico Mendes. Quando ele lutou para a floresta ficar em pé, queria que os frutos dessa floresta pudessem gerar riqueza para os que moram na floresta. E não dá para gerar essa riqueza se não tivermos condições de agregar valor aos produtos da floresta”, disse o secretário de Indústria e Comércio, Edvaldo Magalhães.

Melhor presente

Para a deputada federal Perpétua Almeida (PCdoB), “esse é o melhor presente que o extrativista poderia receber neste Natal”, destacando que foi possível colocar dois mil produtores em uma fábrica como esta, onde cada um pode bater no peito e dizer: ‘Isso aqui é nosso, nós ajudamos a construir’.

“Na Assembleia há uns deputados que dizem que no Acre não se produz nem cheiro-verde, e isso é um desrespeito ao que o trabalhador tem de mais sagrado, que é o suor dele”, declarou o deputado estadual Moisés Diniz (PCdoB), para quem o Estado precisa de “um governador assim, que quebre paradigmas e preconceitos de achar que não é possível o estado brasileiro botar fábrica na mão de trabalhador. Esse ato é fruto de uma visão avançada de um socialista democrático que compreende que é possível os trabalhadores viverem bem”.

O governador Tião Viana falou sobre o bonito momento que significou a solenidade. “Sempre sonhei mostrar que é possível quem mora no campo viver melhor do que quem mora na cidade. Essa é a construção de uma economia capaz de gerar riqueza e distribuir renda”, afirmou.

Vitória do homem da floresta

Para Raimundo Mendes de Barros, o “Raimundão”, primo do sindicalista morto, “esse encontro só é possível acontecer graças a essa luta que se iniciou na década de 70, com o companheiro Chico Mendes. A luta era tão justa que foi possível construir um governo neste estado que tem valorizado e reconhecido esse trabalho. Tem um significado histórico esse encontro.”

Manoel da Gameleira, diretor da Cooperacre, explica que “a castanha ia para Belém (Pará), e agora ela vem para o Acre. Ela não sai mais daqui para ser vendida lá fora. Agora é o contrário. Eu hoje agradeço aos companheiros que estão à frente do governo. Foi uma luta nossa botar eles onde estão. Antigamente a gente tinha medo do governo, tinha medo de sentar perto de um secretário. Hoje eles estão no nosso meio.”

Sobre a Cooperacre

Criada em dezembro de 2001, a Cooperativa Central de Comercialização Extrativista do Acre, a Cooperacre, celebra 12 anos de luta, que simboliza uma história iniciada por Wilson Pinheiro e Chico Mendes.

O superintendente da Cooperacre, Manoel Monteiro, diz que hoje a cooperativa conta com 30 galpões comunitários para armazenamento, quatro galpões centrais e cinco indústrias para beneficiamento de castanha, polpa de frutas e látex. São 250 funcionários e mais de duas mil famílias cooperadas.

Da Redação em Brasília
Com Agência de Notícias do Acre 


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