Mundo

4 de novembro de 2013 - 16h45

Israelenses falham em questionar política agressiva do governo


Jack Guez/AFP/Getty Images
Jato da Força Aérea Israelense decola no deserto de Negev, no sul de Israel. Jato da Força Aérea Israelense decola no deserto de Negev, no sul de Israel.
“Por que temos que bombardear a Síria seis vezes em um ano? Talvez porque podemos; talvez porque isso é eficiente; ou talvez porque ninguém se importa”, afirma o jornalista.

Em uma tradição de agressões e de investimento na guerra como, paradoxalmente, um meio para a “segurança” e a “paz” (ao menos discursiva), o governo israelense tem realizado ofensivas contra seus vizinhos árabes e se posicionado contra algumas iniciativas diplomáticas, como no caso do Irã (e as negociações sobre seu programa nuclear), da Síria (e seu compromisso com o desarmamento químico) e do partido de resistência libanês, o Hezbollah.

No caso sírio, o pretexto para os ataques aéreos criminosos (que violam a soberania de um país com o qual não tem relações diplomáticas) é o combate ao suposto transporte de armas para o Hezbollah, que tem apoiado as forças sírias nos confrontos contra os grupos paramilitares que atuam no país, com apoio estrangeiro decisivo, para a derrubada do presidente Bashar al-Assad.
Para o governo israelense, o partido libanês deve ser atacado porque, segundo Levy, “pode tirar de Israel a sua política de céus abertos – do Líbano, e não o seu”.

Na semana passada, a Força Aérea Israelense atacou uma base militar síria na cidade de Latakia, e a agência de notícias Reuters havia citado fontes da oposição no país árabe dizendo que os aviões israelenses tinham atingido uma bateria de mísseis estratégicos entre “as armas mais poderosas da Síria”.

Outras fontes, entretanto, disseram que o ataque visava um carregamento de mísseis russos terra-ar destinados ao Hezbollah. Segundo a agência saudita de notícias Al-Arabyia, os ataques israelenses também teriam atingido a capital síria, Damasco.

Em julho, outros ataques do gênero foram relatados, mas não houve consequências para o governo israelense. Além disso, os ataques ou sobrevoos em território libanês continuam sendo relatados.

“Estes bombardeios frequentes são uma história de sucesso: inteligência excelente, pilotos maravilhosos, acertos precisos. A Síria não diz nada, Israel não diz nada, e seus jornalistas piscam ‘de acordo com fontes estrangeiras’, até que os EUA exponham o suposto segredo. É a bomba, certo. Sem qualquer debate público, sem qualquer questão levantada – é assim que acontece com histórias de sucesso”, ironiza Levy, em crítica aos relatos midiáticos em Israel sobre as ofensivas.

Para o jornalista, o Estado belicoso fala a língua dos bombardeios. Levy já chegou a chamar Israel de “o brutamonte da vizinhança”, em um artigo sobre a Operação Chumbo Fundido contra a Faixa de Gaza, no final de 2008.

“Um debate público sobre a política dos bombardeamentos só acontecerá quando uma ‘história de sucesso certificado’ resultar, que os céus nos ajudem, em um fracasso – um avião abatido; um piloto sequestrado; civis mortos; quando a Síria retaliar; a Rússia reagir; ou, pior, se os Estados Unidos começarem a resmungar. Só então as questões começarão a ser levantadas. Mas, até lá, pode ser tarde demais”, diz o jornalista.

Com Ha'aretz,
Moara Crivelente, da redação do Vermelho


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