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21 de outubro de 2013 - 10h45

Grupo judeu exige demolir mesquita Al-Aqsa para construir templo


Middle East Monitor
Mesquita Al-Aqsa e a Cúpula da Rocha (dourada), próximas ao "Muro das Lamentações", em Jerusalém. Mesquita Al-Aqsa e a Cúpula da Rocha (dourada), próximas ao "Muro das Lamentações", em Jerusalém.
Organizações palestinas e ativistas condenaram ambos os vídeos, acusando-os de promover e até incitar os israelenses a demolirem a sagrada mesquita Al-Aqsa e construir o Templo judeu em seu lugar, uma campanha propagandística já propagada antes por grupos israelenses e agora impulsionada pelo Ministério de Relações Exteriores.

A Associação Al-Aqsa para Waqf (“doações” islâmicas, em árabe) e Patrimônio afirmou que organizações e grupos apoiados pelo governo, assim como ramos da ocupação israelense estão trabalhando para promover a ideia de demolir a mesquita de Al-Aqsa e construir o Templo em seu lugar. A associação advertiu contra o perigo dessa proposta, “que está sendo acelerada diariamente”.

Além disso, em uma declaração a associação também advertiu que “os planos para destruir a mesquita de Al-Aqsa estão prestes a serem executados”, e citou o jornal israelense Yeditoh Ahronoth, que informou que a Chancelaria de Israel havia preparado um tipo de “vídeo promocional que faz reivindicações judias históricas sobre a Jerusalém ocupada e a mesquita Al-Aqsa”, que incluía “cenas da Cúpula da Rocha, seguidas de uma cena em que a cúpula é demolida e, depois, uma cena mostrava a construção do suposto Templo nas ruínas”.

Segundo o jornal, o vídeo foi censurado para evitar “reações raivosas de muçulmanos ou árabes”, e algumas cenas foram mudadas.

No vídeo, o vice-chanceler Ayalon fala do que chama de “a geração do Templo”, referindo-se ao Templo como “o centro espiritual em Jerusalém, que é considerada uma cidade sagrada (...). É fácil identificar pela Cúpula da Rocha dourada”.

Ele também alega que a Cúpula da Rocha foi construída sobre o Templo judeu, que teria sido construído pela primeira vez há 3.000 anos. Esta é a afirmação dos grupos de pressão que têm defendido a destruição da mesquita Al-Aqsa e a “reconstrução” do Templo, cujo vestígio seria o que é hoje chamado o “Muro das Lamentações” (ou o “muro ocidental”, o único que teria sobrado do Templo).

A associação respondeu dizendo que “o projeto sionista é realmente fundado no sonho e no mito da ocupação de Jerusalém e da mesquita de Al-Aqsa, e depois construir o suposto Templo à custa da mesquita Al-Aqsa”. Para a associação, há o risco dos “planos de dividir a mesquita de Al-Aqsa como um passo em direção do estabelecimento do Templo”.

O porta-voz oficial do Movimento Islâmico na Palestina, Zahi Njedat, respondeu ao vídeo chamando as nações muçulmanas e árabes a “tomarem uma posição, enquanto o perigo se aproxima e o tempo é precioso”.

O antigo mufti (acadêmico islâmico que interpreta a lei religiosa e emite regulações) palestino e chefe do Conselho Islâmico Supremo, xeique Ekrima Sabri afirmou que a propaganda israelense é uma prova das suas más intenções sobre a mesquita Al-Aqsa, e prova de que os grupos judeus extremistas estão agora dominando o público israelense e tirando vantagem dos conflitos internos no mundo árabe para destruir a mesquita.

Além disso, Sabri instou os habitantes de Jerusalém e os palestinos a serem cuidadosos e permanecerem dentro da mesquita como uma solução, “porque as surpresas podem ocorrer a qualquer dia”. Ele também se disse desapontado com a situação nas nações árabes e islâmicas, que devem responsabilizar-se pelo que está acontecendo em Jerusalém.

Ataques contínuos


Com relação às invasões e ataques frequentes à mesquita Al-Aqsa, noticiados quase diariamente pela mídia local, a associação disse que o parlamentar israelense Moshe Feiglin, da coalizão Likud-Beitenu (a mesma do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu) invadiu a mesquita na quarta-feira (16), acompanhado por cerca de 30 colonos.

Isso aconteceu apenas um dia depois de 100 soldadas, em uniforme, terem feito uma incursão no local, com guias que entraram pelo Portão Mughrabi para falar do suposto Templo.

Além dos soldados, colonos e políticos, mais 30 colonos acompanhados por um rabino também entraram no local nesta segunda-feira (21).

A associação advertiu contra as ações crescentes da ocupação “contra a mesquita Al-Aqsa, através das quais a ocupação tenta impor um novo fato consumado”. A organização pede às nações islâmicas “para tomar a iniciativa e assumir a responsabilidade pela primeira Qiblah [direção à qual se deve rezar, que alguns muçulmanos acreditam ter sido o local da mesquita antes de ser Meca], para defender e preservar a santidade de Al-Aqsa”.

O grupo também ressaltou que os colonos e grupos judeus que adentram a mesquita focam também na Capela do Museu de Arte Islâmica e o Muro Oriental, especialmente perto do Portão Al-Rahma (a cidade velha de Jerusalém é completamente murada), e lembrou as advertências anteriores do antigo líder do Movimento Islâmico na Palestina, xeique Raed Salah, contra os planos de transformar a Capela do Museu de Arte Islâmica em uma sinagoga judia.

Com Middle East Monitor,
Da redação do Vermelho


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