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30 de agosto de 2013 - 11h48

Palestinos protestam contra as negociações com Israel


Reuters
Palestinos protestam durante o funeral de três residentes do campo de refugiados de Calândia, nesta segunda (26), após disparos dos soldados israelenses. Palestinos protestam durante o funeral de três residentes do campo de refugiados de Calândia, nesta segunda (26), após disparos dos soldados israelenses.
Outros entre os 13 partidos da frente ampla que é a OLP (com o Fatah à frente da Autoridade Palestina, o Executivo da organização) já se manifestaram contrários às negociações, sobretudo por considerarem-na uma forma de iludir aqueles que criticam a ocupação israelense dos territórios palestinos e dar tempo a Israel para os projetos de colonização, como os anunciados recentemente.

A manifestação desta quarta-feira (28) ocorreu diante da sede do governo, o palácio Muqata, em Ramallah, com o objetivo de demonstrar o rechaço das negociações e exigir a demissão do atual presidente a Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, do Fatah.


Registraram-se enfrentamentos entre os manifestantes e a polícia. Além disso, os ativistas celebraram um funeral simbólico dos três palestinos mortos no começo da semana por soldados israelenses, no campo de refugiados de Calândia, próximo a Jerusalém (na Cisjordânia).

O episódio (assim como a morte de outro jovem, na semana passada, no campo de refugiados de Jenin) havia levado autoridades da OLP a declararem a suspensão das negociações com Israel, em forma de protesto, mas o encontro previsto para esta segunda (26) entre Saeb Erekat, o líder da equipe palestina para as conversações, e Tzipi Livni, a ministra da Justiça israelense, marcou a terceira rodada do processo, reiniciado no dia 30 de julho.

Embora o presidente Abbas tenha se comprometido com um referendo popular sobre qualquer acordo de paz alcançado, vários partidos e organizações sociais continuam rechaçando as negociações e questionando a liderança do presidente, que também mantém negociações com partidos preponderantes, como o Hamas e a Jihad Islâmica, que ainda não integram a OLP.

A falta de um acordo entre a frente e estes partidos, por exemplo, tem limitado o desenvolvimento de um governo de unidade nacional e a reativação do parlamento palestino, o que tem sido retratado por analistas como uma crise política que influi nas negociações.

As posições contrárias à retomada das negociações dentro da OLP e entre os palestinos têm ressaltado a questão sobre a legitimidade de um chamado “processo de paz” falho e injusto, mediado pelos Estados Unidos há cerca de 40 anos, sem resultados positivos para os palestinos.

A Frente Popular para a Libertação da Palestina, em sua declaração, emitida nesta segunda (26), afirma que a retomada do processo contradiz um acordo interno dos palestinos sobre a necessidade de exigir-se, primeiro, o congelamento das construções de colônias, a libertação de prisioneiros e o cumprimento das resoluções da ONU, o que não aconteceu.

Em outro sentido, e refletindo uma das questões estruturais de dependência externa para a Autoridade Palestina e na sua postura nas negociações, o chanceler norueguês, Espen Barth Eide disse que o envio de fundos para o governo palestino não será "eterno", e que não se manterá por muito mais tempo se não houver progresso do processo de paz. O chanceler deu declarações ao jornal Jerusalém Post, nesta quinta (29).

A Noruega é um dos principais "doadores" da AP, que é extremamente dependente do envio de fundos através das agências da ONU ou de acordos bilaterais. Este é um aspecto que torna o governo palestino extremamente suscetível às pressões externas, muitas vezes favoráveis a Israel. A situação será explorada em uma reunião de "doadores" em setembro, em Nova York, durante o encontro da Assembleia Geral, de acordo com Eide.

Entretanto, a Autoridade Palestina conta também com outras estratégias firmes, como as relações bilaterais com aliados sólidos, como a Venezuela e outros países, e recorrer às organizações multilaterais por um reconhecimento e envolvimento no cenário internacional, que lhe permitiria levar Israel ao Tribunal Penal Internacional, com acusações de crimes de guerra.

Embora pareça uma realidade distante para alguns ativistas da causa palestina, porém, a possibilidade significa uma importante forma de pressão, principalmente desde o reconhecimento da Palestina como Estado observador não-membro pela Assembleia Geral da ONU, em 2012.

Atualizada às 14h30

Com agências,
Moara Crivelente, da redação do Vermelho


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