Brasil

25 de agosto de 2013 - 12h16

Médicos estrangeiros são recepcionados com atos de solidariedade


Durante o final de semana, em todas as cidades onde desembarcaram os profissionais de saúde estrangeiros, representantes de movimentos sociais organizaram atos de apoio e solidariedade aos médicos que chegaram ao Brasil para trabalharem no Programa Mais Médicos, do Governo Federal.


   
Empunhando faixas, cartazes, bandeiras e entoando frases de apoio, os representantes da União Nacional dos Estudantes (UNE), União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), União da Juventude Socialista (UJS), do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), da Centro Brasileiro de Solidariedade entre os Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz), Associação José Marti, Unegro, entre outros movimentos foram recepcionar os médicos estrangeiros, entre eles, cubanos. Com muita alegria e irreverência, os ativistas foram atribuir solidariedade e demonstrar a hospitalidade do povo brasileiro aos profissionais de saúde estrangeiros.

Além dos movimentos sociais, representantes dos governos Federal, estadual e até profissionais da área da saúde das regiões participaram da receptividade. 










Os primeiros a chegar, desembarcaram na tarde de sexta-feira (23) no Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins (MG). Outro grupo de médicos vindos da Argentina, Portugal e Espanha foram recebidos no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, ainda no início da tarde de sexta-feira (23). No mesmo dia, no Aeroporto Internacional da capital baiana desembarcaram russos, argentinos, espanhóis e portugueses que irão atender áreas carentes e distantes dos grandes centros. 

Os cubanos

Os mais esperados, foram os médicos cubanos que desembarcaram no início da noite de sábado (24) no Aeroporto de Guararapes, no Recife. Eles chegaram ao começo da tarde e, do total de 206 profissionais que estavam no voo fretado vindo de Havana, 30 ficaram no Recife.
Os demais desembarcaram em Brasília, onde aterrissaram no inicio da noite.

Os primeiros médicos cubanos foram recebidos com faixas e música de boas vindas por integrantes da União da Juventude Socialista (UJS) e da União Brasileiro dos Estudantes Secundaristas (Ubes). Na chegada, os jovens brasileiros recepcionaram o grupo cantando a música Abre Alas, de Chiquinha Gonzaga, com modificações na letra. “O abre alas que os cubanos vão passar/ É mais saúde para a população/ Sejam bem-vindos e tenham a nossa gratidão”.

O cubano Nélson Rodríguez, médico de família, declarou ao desembarcar no Brasil: "Nós somos médicos por vocação e não por dinheiro. Trabalhamos porque nossa ajuda foi solicitada, e não por salário, nem no Brasil nem em nenhum lugar do mundo".



No aeroporto Juscelino Kubistchek, em Brasília não foi diferente. Mais de 100 pessoas, entre estudantes e representantes de movimentos sociais foram dar as boas vindas aos médicos estrangeiros. Tiago Cardoso, presidente da UJS-DF, ressaltou que diante da falta de solidariedade das entidades médicas brasileiras, os estudantes, realizaram um ato de apoio aos profissionais que abriram mão de sua vida em seus países para ajudarem os mais necessitados no Brasil. “Devemos homenagear esses heróis”, disse.

Representantes do Comitê Brasília Solidariedade Cuba também participaram do ato de apoio e receptividade.

Durante a longa espera no aeroporto, os manifestantes gritavam palavras de ordem como “Cubano amigo, Brasil está contigo” e “Brasil, Cuba, América Central, a luta socialista é internacional”. 

Ao desembarcar, Oscar Gonzales Martinez, graduado há 23 anos e especialista em atenção à família, disse que tinha grande expectativa em trabalhar com a população brasileira. Martinez disse que veio ao Brasil por várias razões, entre elas, a oportunidade de trabalhar para o povo brasileiro. Sobre a polêmica em torno do pagamento dos salários, que serão feitos por meio do governo cubano e não diretamente aos profissionais, Gonzales disse que isso é o que menos importa, pois tem o emprego garantido em seu país e parte dos recursos irá para ajudar o seu povo.

“O mais importante é colaborar com os médicos brasileiros e ajudar na qualidade de vida do povo daqui. Também é importante a irmandade entre o povo cubano e o povo brasileiro que existe há muito tempo”, disse.

A médica Jaiceo Pereira, de 32 anos, lembrou, bem-humorada, que, apesar de ser a mais jovem do grupo, tem bastante experiência profissional e no início de sua formação já trabalhava com saúde da família. Ela pediu o apoio do povo brasileiro e respeito aos profissionais de seu país. “Queremos ajudar e dar saúde a todos àqueles que não têm acesso aos serviços médicos", disse. “Queremos dar amor e queremos receber amor.” Já Alexander Del Toro destacou que veio para trabalhar junto e não competir.



O diretor de relações institucionais da UNE, o comunista Patrique Lima que participou da recepção no aeroporto em Brasília, explicou que “foi emocionante ver o empenho e a vontade de ajudar manifestada pelos Cubanos, a fala de um dos médicos deixa claro isso, ‘o que nos trás aqui é a solidariedade, o Brasil é um país amigo, vimos para ajudar seu povo’, mas o que foi de arrepiar mesmo foi ver uma médica cubana aos prantos de emoção pela recepção que fizemos. A solidariedade é mais que um gesto, é um princípio comunista", ressaltou.

Os profissionais cubanos fazem parte do acordo entre o ministério com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) para trazer, até o final do ano, quatro mil médicos cubanos. Eles vão atuar nas cidades que não atraírem profissionais inscritos individualmente no Programa Mais Médicos. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, rebateu as críticas das entidades médicas que questionam a formação médica dos profissionais cubanos. 

“O governo já ganhou todas as medidas judiciais. Temos muita segurança jurídica do que estamos fazendo. Quem quiser pode fazer sugestões para aprimorar, agora não venham ameaçar a saúde da nossa população que não tem médico. O que move o Ministério da Saúde é levar médicos aonde a população não tem médicos”, disse Padilha.

O programa foi alvo de cinco ações judiciais, três na Justiça Federal em Brasília e duas no STF. O Mais Médicos foi questionado pelo deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) em mandado de segurança sob relatoria do ministro Marco Aurélio Mello. Além da ação de Bolsonaro, havia outro questionamento da Associação Médica Brasileira que foi negado pelo ministro plantonista Ricardo Lewandowski antes mesmo de ouvir as partes envolvidas.

Mais desembarques

No domingo (25), outro grupo de 194 médicos cubanos chega a voo que fará escalas em Fortaleza e Recife antes de chegar a Salvador. Em Fortaleza, os profissionais desembarcam no Aeroporto Internacional Pinto Martins. Em Recife, eles chegam às 16h05 no Aeroporto Internacional Gilberto Freyre. E em Salvador, os médicos desembarcam às 18h50 no Aeroporto Internacional Deputado Luís Eduardo Magalhães. Mais uma vez, os movimentos sociais preparam um grande ato de apoio e receptividade aos estrangeiros.

Qualificação e avaliação

Todos os médicos farão um Curso de preparação com aulas sobre saúde pública brasileira e língua portuguesa que terá início na segunda-feira (26), e ocorrerá ao longo de três semanas.
O curso vai ter carga de 120 horas com aulas expositivas, oficinas, simulações de consultas e de casos complexos. Também serão feitas visitas técnicas aos serviços de saúde com o objetivo de aproximar o médico do ambiente de trabalho.

Após a aprovação nesta etapa, a partir de 16 de setembro, eles serão encaminhados para atender a população nas unidades básicas de saúde de um dos 701 municípios que não foram selecionados por nenhum médico brasileiro nem estrangeiro.

A concessão de registro profissional desses profissionais de Cuba segue a regra fixada para os demais estrangeiros que trabalharão no Mais Médicos: eles terão autorização especial para trabalhar por três anos exclusivamente nos serviços de atenção básico em que forem lotados no âmbito do programa.

“Estes profissionais vão atender a população de cidades que apresentam o pior índice de desenvolvimento humano do país e que enfrentam dificuldades de contratar médicos. Estão chegando profissionais muito bem preparados, experientes, que já trabalharam em países de língua portuguesa e com especialização em saúde da família”, destacou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Experiências

Os médicos cubanos que trabalharão no Brasil já participaram de outras missões internacionais, sendo que 42% deles já estiveram em pelo menos dois países dos mais de 50 com que Cuba já estabeleceu acordos deste tipo. Além disso, todos têm especialização em Medicina da Família. A experiência também é alta: 84% têm mais de 16 anos de experiência em Medicina. A busca por esse perfil visou encontrar profissionais habilitados em lugares com habitantes em situação de vulnerabilidade.

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Da redação,
Com agências
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