Mundo

13 de agosto de 2013 - 18h32

John Kerry diz que EUA continuarão espionando o Brasil e o mundo 

O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, avisou na tarde desta terça-feira (13), em visita ao Brasil, que os Estados Unidos não vão parar com o sistema de "espionagem" a cidadãos no país e exterior. Para o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, se a prática for mantida, as relações entre os Estados Unidos e o Brasil podem se enfraquecer, por causa de dúvidas e desconfianças.


O tamanho da diplomacia: Secretário de Estado norte-americano, John Kerry, sem meias-palavras, disse ao ministro Patriota que os Estados Unidos continuarão espionando o mundo, inclusive o Brasil. (Foto: Antonio Cruz/ABr). O tamanho da diplomacia: Secretário de Estado norte-americano, John Kerry, sem meias-palavras, disse ao ministro Patriota que os Estados Unidos continuarão espionando o mundo, inclusive o Brasil. (Foto: Antonio Cruz/ABr).
O secretário norte-americano fez o anúncio, apesar da cobrança explícita do ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, durante entrevista coletiva, no Palácio do Itamaraty. Ele argumentou que o esquema de espionagem faz parte do sistema de segurança nacional estadunidense, para garantir proteção não só para quem está nos Estados Unidos, mas também em outros países.

John chegou ao Brasil num momento em que as autoridades brasileiras aguardam mais informações dos Estados Unidos sobre o monitoramento de dados de cidadãos nos meios de comunicação, conforme denunciou Edward Snowden, ex-funcionário de uma empresa terceirizada que prestava serviços à Agência de Segurança Nacional (NSA).

Segundo Kerry, a coleta de informações de outros países não é uma exclusividade dos Estados Unidos. "O que os EUA estão procurando fazer é evitar que essas coisas aconteçam, sabendo de antemão. Os EUA recolhem inteligência estrangeira como fazem todas as nações. Acho que nossa coleta de inteligência ajudou nossa nação a nos proteger de muitas ameaças, e a muitos povos do mundo, como o brasileiro", justificou.

Na entrevista, Kerry disse ainda que é preciso “enxergar adiante”, observar a parceria existente e o que é possível avançar na relação entre os dois países. O secretário ressaltou ainda que o presidente Barack Obama está determinado a prestar os esclarecimentos pedidos pelos países sobre as agências norte-americanas.

Governo brasileiro

Para o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, se a prática for mantida, as relações entre os Estados Unidos e o Brasil podem se enfraquecer, por causa de dúvidas e desconfianças.

A reação do chanceler surpreendeu a Kerry, que prometeu mais informações às autoridades brasileiras, uma vez que Patriota exigiu explicações detalhadas sobre o monitoramento de dados feito no Brasil. No entanto, disse Patriota, apenas explicações não solucionam o impasse.

O chanceler brasileiro reiterou que, se o impasse decorrente das denúncias de espionagem não for resolvido, como esperam as autoridades brasileiras, haverá riscos na relação positiva mantida pelos dois países. “Caso [as questões] não sejam resolvidas de modo satisfatório, corre-se o risco de haver uma sombra de confiança no nosso trabalho.”

Ao conceder entrevista ao lado de Kerry, Patriota lembrou que o governo brasileiro pediu explicações aos Estados Unidos, assim que vieram à tona as informações sobre o monitoramento de dados a cidadãos e autoridades do Brasil.

“Não podemos minimizar o tema da espionagem, pois temos um compromisso com a democracia, o bom governo, a abertura da sociedade civil. [Vivemos em um] espaço de democracia e justiça social”, disse o chanceler. Porém, o processo de esclarecimento não é um fim em si mesmo e prestar esclarecimentos não deve ser a única reação dos Estados Unidos às denúncias, ressaltou Patriota.

A conversa entre Patriota e Kerry durou cerca de uma hora e meia. Foi o segundo encontro dos dois, depois que o norte-americano assumiu o cargo de secretário de Estado, em fevereiro. O primeiro encontro foi em maio.

Protestos

Um grupo de manifestantes protestou, em frente ao Palácio do Itamaraty, contra a visita do secretário de Estado norte-americano, John Kerry. O protesto ocorreu quando o secretário deixava o local. Alguns ativistas chamaram Kerry de espião, em alusão às denúncias de monitoramento de agências norte-americanas a cidadãos brasileiros, e o mandaram voltar para os Estados Unidos. O protesto foi pacífico e policiais militares assistiram ao ato sem reagir.

O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, acompanhou Kerry até o carro e não comentou sobre o protesto. Durante a reunião com o chanceler, o secretário de Estado perguntou sobre as manifestações ocorridas no país e quis entender o que motivou os protestos.

Segurança

Na véspera da chegada de Kerry (12), funcionários do governo norte-americano rastrearam os locais por onde o secretário de Estado passaria ao longo do dia. Os norte-americanos queriam garantir a segurança em caso de protestos mais intensos, como o ocorrido em junho quando o Itamaraty foi alvo de vândalos que destruíram vidraças e algumas peças do prédio.

No Itamaraty, entretanto, a segurança para a visita de Kerry foi a mesma organizada para todos os chanceleres estrangeiros. O esquema é feito por seguranças internos, que trabalham rotineiramente no palácio, guarda de representação que é formada por fuzileiros navais, e do lado de fora do prédio, o responsável é a Polícia Militar (PM).

Encontro com Dilma

Segundo consta na agenda da presidenta Dilma Rousseff, o secretário norte-americano deve ser recebido pela mandatária no Palácio do Planalto. O encontro, que foi confirmado somente nesta terça (13), será a última atividade oficial da viagem que começou na segunda (12) em Bogotá e termina hoje em Brasília.

Com informações da Agência Brasil

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