América Latina

6 de agosto de 2013 - 16h41

Bolívia reduz a produção de coca por conta de política antidrogas


Reuters
Presidente boliviano Evo Morales mostra a folha de coca Presidente boliviano Evo Morales mostra a folha de coca
O Informe de Monitoramento da Folha de Coca 2012 foi apresentado por Antonino de Leo, representante da UNODC na Bolívia, em um ato que contou com a presença do presidente Evo Morales, nesta segunda-feira (6).

De acordo com a publicação, Leo felicitou o governo do país “pela continuidade da tendência positiva” de redução do cultivo da planta. O informe indica que entre 2010 e 2011 a soma da queda foi de 12% no plantio da coca ilegal. Já em 2012, a diminuição foi igual a 7%.

Para Leo, o fator principal para essa redução foi a renacionalização e a erradicação da produção excedente.


Evo Morales ponderou os resultados e indicou que os mesmos obedecem às políticas sem imposições, diferente das estratégias de erradicação de coca ilegal que viveu quando era dirigente sindical (anos 1990) e estava à frente do Movimento Cocalero.

“Essa é a luta contra o narcotráfico, sem imposição, sem condicionamento, nem compensações (já que essas políticas) só criam rebelião (nos cocaleros)”, disse o presidente.
Os cocaleros defendem o cultivo da folha não só pelo valor econômico, mas principalmente por seu mérito cultural e identitário.

Ainda segundo o informeda UNODC, 59% da coca que se produz no país não é comercializada pelos mercados legais de Villa Fátima (La Paz) e Sacaba (Cochabamba). Em 2012, o volume comercializado da planta alcançou as 18.436 toneladas.

A lei boliviana determina que deve haver 12 mil hectares de coca para o uso tradicional, mas ainda está em estudo a definição de quanto é destinado para o consumo geral do país.

O vice-ministro da Coca, Dionizio Núñez, ao referir-se à investigação, explicou que estudos complementares devem avaliar quanta folha de coca sai pela fronteira e qual a quantidade se destina ao uso ritual e industrial.

Folha de coca não é droga

Em 2009, Núñez deu uma entrevista para o Opera Mundi na qual afirmou que “o costume de mascar a folha de coca não causa nenhum dano”.

Para os moradores do país andino, seu modo de vida está sob ameaça constante por causa das tentativas de erradicação do cultivo e um aspecto central de sua cultura é considerado uma substância condenável.

Uma pesquisa realizada na Universidade de Harvard descobriu que a planta tem três vezes mais cálcio que o leite e é rica em ferro, proteínas e vitaminas. Há muito tempo, a Bolívia tenta explorar o lado salutar da planta, exportando chá de coca e desenvolvendo sua incipiente indústria local que fabrica biscoitos, pães e massas a partir da farinha de coca, em substituição à de trigo. Mas a única maneira legalizada de o país tornar estes produtos disponíveis no mercado mundial é obter a aprovação da Organização das Nações Unidas (ONU).

No começo deste ano, a organização reconheceu os direitos dos bolivianos de mastigar a folha da coca, dentro das fronteiras do país, sob o argumento de que é uma prática cultural. No ano passado, a ONU classificou a coca como substância ilegal.


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