América Latina

14 de junho de 2013 - 22h53

Ricardo Alemão: O rumo da integração deve ser o Socialismo


Secretário de Relações Internacionais do PCdoB, Ricardo Alemão Abreu fala sobre os desafios da integração Latino-americana e Caribenha Secretário de Relações Internacionais do PCdoB, Ricardo Alemão Abreu fala sobre os desafios da integração Latino-americana e Caribenha
O Painel foi dividido em três eixos, “O Foro de SP como espaço de Consulta e Cooperação” com o secretário executivo do Foro de São Paulo, Valter Pomar e em seguida “A Celac – Comunidade dos Estados Latino-americanos e Caribenhos – como expressão da unidade latino-americana e caribenha” e “A convergência dos processos de integração: Mercosul, Unasul, Alba e Celac”, ministrados pelo secretário de Relações Internacionais do PCdoB, Ricardo Alemão Abreu.


De forma didática e esclarecedora, Ricardo Alemão falou sobre os desafios que a América Latina e o Caribe têm para atingir a integração plena, com respeito à soberania dos países. Para ele, “a integração só será plenamente solidária se a maioria dos países latinos e caribenhos rumarem para o Socialismo”.

Para Alemão – como é chamado – é fundamental que o Brasil, enquanto maior país da América Latina, incentive a cooperação política, social e cultural entre os países e afirmou com toda a clareza, “um dos traços da integração solidária é o Socialismo”. Alertou sobre a importância de não se cometer o mesmo erro da Europa, “eu não quero ver, daqui 20 anos, o Brasil explorando os irmãos dos outros países, não podemos correr o risco de nos tornarmos uma Alemanha na América Latina”.

Segundo ele, é fundamental que seja desenvolvido uma hegemonia no processo de industrialização e criadas cadeias de produção dentro da América Latina. Esta seria uma estratégia para evitar que os países menores e com menos recursos fiquem à margem do processo de desenvolvimento dos maiores. “Precisamos cuidar do Paraguai e do Uruguai, por exemplo, que são mais vulneráveis neste processo”.

Na palestra, Valter Pomar falou sobre três períodos importantes da América Latina, primeiro a resistência contra o Neoliberalismo nos anos 90, em seguida a ofensiva da esquerda nos anos 2000 com as eleições, primeiro de Hugo Chávez na Venezuela, em seguida de Lula no Brasil e outros governos progressistas, porém, não demorou para a direita começar a “contra-ofensiva”, e neste ponto, Alemão complementou, “parte da contra-ofensiva dos Estados Unidos foi o Golpe Parlamentar no Paraguai”. 

Alemão acredita que, se os Estados Unidos soubessem como seria rígida a posição do Mercosul, não só de suspender o Paraguai, mas de imediatamente agregar a Venezuela, provavelmente não teriam apoiado com tanta firmeza o Golpe Parlamentar que destituiu o presidente Fernando Lugo.

Existe ainda um processo de ampliação do Mercosul, e com isso, Alemão acredita que seja uma oportunidade de todos os blocos de integração rumarem para um só bloco com todos os países cujos governos tem uma veia mais progressista. Bolívia e Equador, por exemplo, já sinalizam interesse em ingressar no Mercosul.

“É importante a unidade da esquerda”, alertou sobre a importância de, apesar das divergências ideológicas, a esquerda se manter unida e com um discurso alinhado para a grande contra-ofensiva que virá em 2014. “Não podemos correr o mesmo risco que a Venezuela”.

Cuba é hoje o maior exemplo de resistência ao imperialismo norte-americano e deve ser usada de lição no processo de integração Latino e Caribenho, principalmente por ter pensadores de vanguarda, como José Martí, por exemplo. Ainda nessa linha dos grandes pensadores integracionistas latinos, Alemão citou os brasileiros Manoel Bonfim, Santiago Dantas, Darcy Ribeiro e outros que devem ser estudados e usados como base para o processo de integração solidária dos países latinos e caribenhos.

Alemão lembrou também que a ideia de integração dos países começou na América Latina, não foi uma invenção européia. A primeira reunião cuja pauta principal era a integração dos países aconteceu em 1826 e propunha acordos de integração originais e históricos que começam a ser seguidos só agora, no início do século 21.

Valter Pomar falou sobre o Foro de São Paulo como ferramenta de consulta e cooperação para a integração. E defendeu, “o Brasil por si só não basta, precisa se integrar”. Alertou sobre a importância da luta dos movimentos sociais, segundo ele, a luta social tem uma capacidade muito maior que o Estado de romper limites.

Alertou sobre os mecanismos da direita para a dominação dos povos e a importância da unidade da esquerda para defender interesses maiores. “A direita está preparada com todos os aparatos possíveis: a mídia com suas mentiras, o boicote econômico e em maior instância a guerra”. De acordo com ele, a integração é um elemento chave para a consolidação da “Pátria Grande” Latino-americana e Caribenha.

Destacou exemplos de integração já colocados em prática, como a Unila – Universidade de Integração Latino-americana – localizada em Foz do Iguaçu (PR). Cidade considerada pelo ex-presidente Lula “um pólo estratégico para a integração”.

A Convenção contou com a participação de 17 estados brasileiros, além de países da América Latina e Caribe, 56 movimentos sociais, além de partidos políticos. Aconteceu entre os dias 13 e 14 em Foz do Iguaçu, no Paraná, fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai.




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