Movimentos

2 de maio de 2013 - 16h48

Morre o sindicalista histórico José Ibrahim

Morreu na manhã desta quinta-feira (2) José Ibrahim, 63 anos, militante do histórico do movimento operário brasileiro que liderou uma das maiores greves em 1968, em plena ditadura militar. Aos 19 anos, Ibrahim promoveu, à frente do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco, a paralisação de fábricas em Osasco, quando a cidade era o centro metalúrgico nevrálgico do país.



Seu corpo foi encontrado na manhã em seu apartamento em Pinheiros, Zona Oeste da capital paulista. O dirigente sindical se manteve na luta até a véspera, quando participou do ato do Dia Internacional do Trabalhador, na Praça Campo de Bagatelle, região norte de São Paulo.

Ibrahim, que foi um dos únicos demitido depois de terminado o movimento grevista, passou a viver na clandestinidade ingressando na luta armada, na Vanguarda Popular Revolucionária (VPR).

Preso, foi torturado e, em setembro 1969, foi um dos presos políticos trocados pelo embaixador estadunidense Charles Burke Elbrick. Depois de 10 anos no exílio, vivendo no México, Cuba e Chile, Ibrahim retorna ao país e contribui com a fundação do Partido dos Trabalhadores, em 1980. O militante também ajudou a fundar a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Força Sindical. Atualmente era diretor da União Geral de Trabalhadores (UGT).

Até o fechamento da matéria, ainda não havia informações sobre o velório e o enterro.

A greve

A paralisação ocorreu às 8h45 da manhã do dia 16 de julho, com a ocupação operária da metalúrgica Cobrasma. Depois, atingiu as empresas Barreto Keller, Braseixos, Granada, Lonaflex e Brown Boveri. No dia seguinte, o Ministério do Trabalho declarou a ilegalidade da greve e determinou a intervenção no sindicato. Os militares estabeleceram o controle de todas as saídas de Osasco, além do cerco e a invasão das fabricas paralisadas.

"Definimos que o caminho contra a ditadura era a retomada da democracia, passando pela retomada do nosso sindicato ( de Metalúrgicos de Osasco). Nesta perspectiva, conseguimos organizar a primeira comissão de fábrica que existiu nesse país – a da Cobrasma", declarou em entrevista ao Blog do José Dirceu, em 2008.




Em nota, o Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região comunicou o falecimento de José Ibrahin, que foi presidente do Sindicato, em 1968.

Com pesar, o atual presidente do sindicato Jorge Nazareno esclare em nota: "Ibrahin, então com 20 anos, estava à frente desta entidade e foi uma das lideranças organizadoras da Greve da Cobrasma (também conhecida como Greve de 1968), que entrou para a história como a primeira afronta dos trabalhadores à ditadura militar. 

Com a intervenção da ditadura militar sobre o Sindicato, foi deposto da presidência da entidade. “Se não houvesse Osasco de 1968, não haveria o ABC de 78. Sinalizamos um caminho que o movimento sindical tinha que brigar pela resistência contra a ditadura, pela democracia. Esse foi o grande legado. Tanto é que durante todo o período da resistência a grande referência era a greve de Osasco e acho que hoje, para muita gente dentro do movimento sindical, a greve de Osasco é o grande marco”, afirmou Ibrahin em entrevista ao Visão Trabalhista, jornal do Sindicato, em 2008, nas comemorações de 40 anos da greve.

Foi demitido da Cobrasma. Passou a militar pela Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). Foi preso em 1969 e encaminhado ao Dops (Departamento de Ordem Política e Social), depois, para o presídio Tiradentes. Foi um dos 15 presos políticos trocados pelo embaixador norte- americano seqüestrado Charles Burke Elbrick.

Ibranhin foi o líder político e social inato, de militância constante, tendo contribuído com a fundação do PT, organização do PDT, Força Sindical, recentemente, trabalhava na UGT e, inquestionavelmente, com a democracia e o desenvolvimento de nosso país. Por isso, nos deixa muitas saudades".

Da redação do Vermelho
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