Brasil

7 de março de 2012 - 17h20

Futebol feminino: O golaço de Michael Jackson na vida!

Jogar bola na época em que o futebol era exclusividade de homens era coisa de mulher sem juízo. A filha caçula de uma família humilde de 11 irmãos e de pais trabalhadores rurais precisou de muito mais do que bom senso. Com a sorte superou preconceitos e sua estrela não parou mais de brilhar. Eleita a terceira melhor jogadora da América Latina no século 1920, a popular Michael Jackson atuou por 12 anos na seleção brasileira e ganhou títulos importantes.

Por Carla Belizária*


Aos 46 anos, com 1.574 gols, parou de jogar bola, mas não se afastou do esporte. Hoje, como coordenadora-geral no Ministério do Esporte, tem o desafio de mudar a realidade do futebol feminino no Brasil.

O primeiro passo já foi dado. Michael Jackson está no comando de um grupo de trabalho criado no início do mês passado, pelo ministro Aldo Rebelo. A principal tarefa do grupo, que tem como relator o técnico Renê Simões, é discutir soluções e buscar melhorias para estruturar o futebol feminino. Na verdade, a estratégia é começar do zero. “Falta calendário, faltam categorias de base, falta quase tudo. Entretanto, se os times passarem a contar com apoio dos grandes clubes, será maravilhoso porque havendo incentivo haverá automaticamente patrocinadores”, explica.

Só que o diferencial deste momento, segundo a craque, é que agora há preocupação, apoio e boa vontade em relação ao tema, inclusive da presidente Dilma Rousseff. “Nosso primeiro apoio concreto foi em 2006, quando quatro jogadoras foram beneficiadas pelo Bolsa-Atleta. Andréia dos Santos (Maycon), Andréia Suntaque (goleira) e as ex-atletas Roseli de Belo e Tania Maranhão receberam durante um ano a ajuda financeira”, revela. Daquele ano até 2011 o Ministério do Esporte concedeu 297 bolsas para jogadoras de futebol, sendo 106 destinadas a atletas que passaram pela seleção.

Motivação para virar o jogo e exemplos não faltam. Michael Jackson cita a jogadora Marta, que sempre brilhou em uma modalidade sem apoio. ”Ela foi eleita cinco vezes a melhor do mundo – proeza ainda não alcançada pelo futebol masculino nem do Brasil, nem em nenhum outro país. Se temos uma seleção feminina que até então não tinha apoio e mesmo assim conquistou tantos títulos internacionais, imagine quantas alegrias o Brasil terá a partir do momento em que elas passarem a contar com o incentivo de que tanto necessitam?”, questiona.

O futebol feminino brasileiro, na opinião da ex-atleta, tem tudo para ser o primeiro na Copa do Mundo e nas Olimpíadas. “O que não pode mais acontecer é que, por falta de incentivo, a gente continue a perder grandes talentos”, lamenta, ao citar casos que acompanhou de perto. “Uma menina, a Elaine dos Santos Rego, que jogava comigo, era muito boa de bola. Hoje ela é motorista de ônibus no Rio de Janeiro. Parou na metade do caminho, mesmo tendo defendido a seleção brasileira por muitos anos.”

Família

Quando garota, Mariléia dos Santos – nome verdadeiro da atleta – encontrou somente na família o apoio para superar preconceitos. É que todos em casa, exceto a mãe, adoravam jogar bola em um campo de várzea, em Valença (RJ), cidade onde nasceu. Determinada a contribuir com a mudança no cenário do futebolístico, Michael Jackson acredita que dificuldades fazem parte do processo democrático de evolução. Os problemas, para ela, “estão aí” para serem superados, com a mesma determinação que teve desde o início até o momento em que parou de jogar. “Foram 30 anos, sem adquirir uma única lesão, problema que geralmente afasta grandes jogadores para sempre dos campos.”

Michael Jackson adotou na vida a mesma tática usada em jogo contra as adversárias: um drible, com direito a chapeuzinho e a finalização com gol de placa. Dessa forma ela transformou o preconceito em uma escada para poder vencer os obstáculos. “Deus dá o dom para qualquer pessoa, independentemente do sexo. Mas, quando a gente veste a camisa do Brasil, a responsabilidade é maior ainda quando estamos no comando”, admite.

O Dia Internacional da Mulher, na próxima quinta-feira (08.03), é para Michael Jackson uma oportunidade de lembrar histórias de guerreiras que lutaram e que, em alguns casos, deram a própria vida para avançar na transformação de uma sociedade. Indagada sobre qual seria um dos momentos que mais a emocionaram ao longo de sua carreira, Michael Jackson é enfática: “o dia em que participei a primeira vez de uma Olimpíada.”

Foi em 1996, em Atlanta, nos Estados Unidos. De acordo com ela, foi uma mistura sentimentos, de alegrias, em que o coração chegava doer de tanta felicidade. “Estava feliz porque futebol feminino passou a fazer parte dos jogos, porque eu estava lá representando o Brasil, usando uma camisa com o nome Michael Jackson nas costas, numa solenidade de abertura em que meu maior ídolo da música internacional, cujo nome adotei nos anos 1980, também estava lá, cantando para o mundo inteiro ouvir.”

Títulos


A participação em Atlanta rendeu ao Brasil o quarto lugar. Michael foi artilheira e atacante no Clube Radar (RJ), onde se sagrou bicampeã da Taça Guanabara e hexacampeã carioca. No Saad Esporte Clube (SP), foi pentacampeã da Taça de São Paulo e bicampeã brasileira. No Torino Cálcio, foi vice-campeã italiana e campeã da Copa Itália e do Torneio Internacional de Blasses, na Espanha.

O primeiro time de futebol feminino no país surgiu em 1958, ano em que o Brasil ganharia sua primeira Copa do Mundo de futebol masculino. De acordo com levantamento do Ministério do Esporte, atualmente cerca de 170 equipes formadas por mulheres atuam no Brasil. Destas, 48 são registradas na Região Nordeste, 43 na Sudeste, 28 na Norte, 27 na Centro-Oeste e 26 na Região Sul.

Fonte: Ascom – Ministério do Esporte

  • VOLTAR
  • IMPRIMIR
  • ENCAMINHAR

Últimas Mais