Mundo

7 de novembro de 2011 - 18h40

Opinião: Insanidade de Israel põe o mundo em tensão


Primeiro, ao cortar a contribuição anual de Israel à Unesco em represália ao ingresso da Palestina no organismo da ONU para a cultura, além da suspensão da cota destinada ao país que Israel não quer reconhecer e usa sofismas para não deixar claro a sua posição. Os EUA fez a mesma coisa que Israel em relação à Unesco.

Como se não bastasse, o governo de Netanyahu ampliou a represália ao anunciar a construção de mais assentamentos em Jerusalém Oriental e na Cisjordânia. Se um acordo de paz entre israelenses e palestinos estava difícil, com o novo anúncio a paz torna-se praticamente inviável. No fundo é exatamente isso que quer Netanyahu tendo sido o ingresso da Palestina na Unesco mero pretexto para fortalecer o projeto do Grande Israel.

Em seguida, o mundo ficou sabendo que Netanyahu e seu ministro da Defesa Ehud Barak estão tentando convencer os seus pares para uma possível ação militar contra o Irã. Conseguiram a adesão do racista que ocupa o Ministério do Exterior, Avigdor Lieberman. O presidente Shimon Perez admitiu que a possibilidade de uma ação militar estava ficando mais próxima. Mas nem todos estão convencidos e pode ter sido por isso que a informação vazou.

O governo israelense usa como argumento o fato de o Irã estar preparando uma bomba atômica, o que é negado por Teerã. Pelo que se sabe, o único país da região que possui ogivas nucleares é Israel, mas protestos nesse sentido são tímidos e se limitam até agora a movimentos pacifistas. Os Estados Unidos, onde o loby sionista é forte, na pratica aceita a realidade de Israel nuclear. E convenhamos, um país controlado por um governo de extrema direita, como o de Netanyahu, torna-se um perigo para o mundo ter ao seu alcance bombas nucleares. Mas sobre isso os dirigentes ocidentais silenciam.

O noticiário em torno de uma possível ação militar contra o Irã já provocou a advertência de Teerã, que garante estar em condições de responder a um ataque com graves consequências para os países que decidirem a ação, Israel e os Estados Unidos. A OTAN por enquanto limitou-se a afirmar que não pretende agir no Irã. Em outras ocasiões a organização dizia o mesmo e acabava aderindo.

A única coisa que pode deter a insanidade de Netanyahu e do complexo industrial militar estadunidense é exatamente a possível resposta iraniana. O Irã, diga-se de passagem, pode ter o controle do estreito de Ormuz onde passa o petróleo do Golfo Pérsico que vai para o Ocidente. Na advertência iraniana foi lembrado que o estreito de Ormuz, da mesma forma que o território israelense, está ao alcance dos mísseis de Teerã.

Quer dizer, se a insanidade do extremista Netanyahu realmente prevalecer, o ataque de Israel ao Irã afetará muitos outros países e poderá resultar numa crise mundial sem precedentes.

Analistas acreditam que como o Ocidente não quer pagar para ver o que aconteceria depois de uma ação militar nos moldes contra o Irã, o noticiário alarmista objetiva na prática conseguir o apoio para a ampliação de ações diplomáticas visando maior isolamento do regime dos aiatolás e do presidente Ahmadinejad. Mas mesmo assim, todo cuidado é pouco, porque o governo israelense já agiu em outras ocasiões de forma isolada, como em 1981 ao atacar um complexo nuclear do Iraque. E quem garante que os EUA não estão estimulando Israel a realizar uma aventura militar?

Como o Irã não é o Iraque e está em melhores condições para reagir a um ataque, o Ocidente prefere por enquanto agir com mais cautela. A próxima semana poderá ser decisiva, porque a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) divulgará mais um relatório sobre a questão nuclear no Irã. Analistas já estão prevendo que a AIEA poderá confirmar a existência de um programa militar que levará a bomba atômica iraniana. Por enquanto são apenas especulações. O governo do Irã já acusou a AIEA de preparar um relatório mentiroso. Resta aguardar então o desenrolar dos acontecimentos.

Já na Grécia, depois do anúncio do primeiro ministro George Papandreu sobre a possível realização de um referendo para o povo decidir se o país aceita ou não o pacote econômico neoliberal, Nicolas Sarkozy e Angela Merkel subiram pelas paredes. Ameaçaram mundos e fundos se isso acontecesse, demonstrando que não são tão democratas como dizem, pois quem teme a palavra do povo não é propriamente democrata. Na verdade os dirigentes só aceitam o que diz o mercado, que por sua vez é incompatível com qualquer tipo de consulta popular.

Com a intensificação das pressões, Papandreu voltou atrás com a ideia da convocação do referendo e conseguiu um voto de confiança no Parlamento. Agora pode convocar um governo de união nacional, que a oposição mais a direita não aceita, porque quer antecipar as eleições gerais.

É possível que Papandreu apelou para o referendo como jogada política, mas de qualquer forma colocou no tabuleiro a possibilidade. O que está em questão verdadeiramente é o fato da União Europeia exigir que o povo grego pague a conta da crise provocada pelo capital financeiro.

Os gregos, heroicamente, saem diariamente às ruas para dar o recado: não aceitam as medidas draconianas contra os trabalhadores. Reduzir salários, aumentar o tempo para a aposentadoria e acabar com outras conquistas sociais, fora as privatizações e enfraquecimento do Estado é a receita europeia para enfrentar a crise que os trabalhadores não são responsáveis. Só resta ao povo grego reagir às imposições neoliberais.

*Correspondente no Brasil do semanário uruguaio Brecha. Foi colaborador do Pasquim, repórter da Folha de São Paulo e editor internacional da Tribuna da Imprensa. Integra o Conselho Editorial do seminário Brasil de Fato. É autor, entre outros livros, de América que não está na mídia, Dossiê Tim Lopes - Fantástico/IBOPE.


  • VOLTAR
  • IMPRIMIR
  • ENCAMINHAR

Últimas Mais