Mdia

30 de abril de 2007 - 18h59

Eliane Cantanhde, a porta-voz do PSDB


A coluna da jornalista Eliane Cantanhde na Folha de So Paulo de sexta-feira (27) deve ser lida com muita ateno, porque deslinda o que se esconde por trs da sofreguido da oposio e da imprensa tucano-pefelistas de verem instalada a CPI do setor areo. Antes de prosseguir e como hoje estou com mais tempo , vou lhes fazer um relato minucioso de curiosidades sobre a, digamos, relao amistosa que mantive com essa jornalista e com a Folha at que sofressem a mutao que sofreram depois que o filho do dono do jornal, o Mauricinho Otavio Frias Filho, se desentendesse com Lula durante a campanha eleitoral de 2002.

 

Foi em 2000 que mantive os primeiros contatos com Cantanhde, por e-mail. Eu era leitor nefito da Folha e estava encantado com o jornal, porque vinha de quase trs dcadas de leitura do Estado, que comecei a ler porque era hbito de famlia muito antes de eu nascer, e a Folha, ento, revelara-se um jornal um pouco diferente.  Praticava  o equilbrio e a pluralidade numa medida que hoje percebo muito inferior mnimamente necessria, mas para quem, como eu, era leitor de um Estado - jornal que tinha e tem por princpio censurar e / ou distorcer, sistematicamente, notcias e opinies de que no gosta -, a Folha parecia um osis.


A colunista Cantanhde, naquele tempo, no tinha os notrios interesses no PSDB que certos fatos mostram que tem hoje, interesses sobre os quais tratarei mais adiante. Assim sendo, imagino que colocava sua imagem em primeiro plano e, por isso, escrevia com um certo equilbrio. Era diretora da sucursal da Folha em Braslia e, nessa condio, mantinha contatos muito prximos com fauna poltica do planalto central. Por isso, quando comeou a responder e-mails que eu enviava Folha com cpia para ela e para vrios outros jornalistas daquele veculo e de outros, fiquei satisfeito, porque, agora, tinha interlocuo com algum que sempre tinha algo interessante a dizer.


No ano seguinte (2001), devido ao fato de que passei a ser publicado duas, trs vezes por ms no Painel do Leitor da Folha tornando-me, segundo informaes da prpria Folha, um de seus leitores mais publicados , fui convidado para participar de um evento comemorativo dos 80 anos de existncia do jornal, um ato multirreligioso no auditrio "Sala So Paulo", na praa Jlio Prestes, no centro da capital paulista. Foi l que, pela primeira vez na vida, vi um poltico de perto, por incrvel que possa parecer, e foi l, tambm, que conheci Eliane Cantanhde pessoalmente.


A partir dali, os contatos, por e-mail, com jornalistas da Folha tais como Eliane Cantanhde ou Clvis Rossi, entre outros, tornaram-se constantes. Passei a ser bastante prestigiado pela Folha. Vez por outra, era convidado para os costumeiros eventos que o jornal promove no s em sua sede, na rua Baro de Limeira, no centro de So Paulo, como no Teatro Folha, num shopping que, ironicamente, fica nas cercanias do apartamento de Fernando Henrique Cardoso, no bairro paulistano de Higienpolis.


Uma curiosidade: em 2002, ano em que mdia e alto empresariado tentaram um golpe de Estado na Venezuela, eu viajara quele pas a negcios e, sabendo disso, Cantanhde me pediu para levantar informaes sobre o processo poltico no pas. Consegui, ento, graas a um de meus clientes naquele pas que militava na oposio a Hugo Chvez, participar de uma reunio dos partidos de oposio que ocorrera na cidade de Valncia, no Estado de Carabobo, gastando tempo para levantar as informaes que a jornalista "minha amiga" havia pedido.


Depois que estourou a crise poltica do governo Lula em 2005, vendo os espasmos golpistas da oposio e da imprensa tucano-pefelistas se avolumarem e se agigantarem de forma assustadora, comecei a questionar a imprensa com veemncia proporcionalmente crescente aos malfeitos praticados pelos grupo de conspiradores a que ela se somou. Foi a que a "amiga virtual" Eliane Cantanhde e outros da Folha comearam a agredir leitores como eu, que tanto haviam prestigiado, e a cham-los de "idiotas de planto" e de "descerebrados" por denunciarem o escandalosamente evidente compl de polticos e de grandes rgos de imprensa que visava, se no derrubar Lula, ao menos faz-lo "sangrar em praa pblica" at a eleio do ano seguinte.


Irritada com minhas crticas, que alguns dizem certeiras, Cantanhde chegou ao ponto de, usando sua coluna na pgina A2 da Folha, atacar-me nominalmente, valendo-se da ridicularizao, a estratgia dos pobres de esprito para desqualificarem seus desafetos. Leiam o trecho que importa da coluna da jornalista intitulada "Neo-PT", publicada em 28/08/2005:


"(...) Se voc estiver procurando quem defenda o PT, o governo e Lula com unhas e dentes, melhor esquecer o prprio partido (...) que tal ler um sujeito que se assina como "Caia Fitipaldi" na internet? Ou, ainda, um outro que manda no sei quantos e-mails diariamente para os jornais, o Eduardo Guimares?"


Depois descobri que Caia Fitipaldi mulher, uma acadmica e intelectual de esquerda. Cantanhde, contrariando todos os preceitos do bom jornalismo e agindo com covardia inigualvel, sups que Caia era homem e, assim, a (des)qualificou numa coluna publicada no maior jornal do pas, e falou sobre mim como se eu fosse um estranho. Claro que perturbei a Folha at que me desse direito de resposta e a publicasse no seu Painel do Leitor, mas o episdio mostra toda a fraqueza moral e profissional de Eliane Cantanhde, que se agrava diante de denncia sobre as razes dela para ter-se atucanado at alma e que foi feita pelo enfant terrible da Veja, Diogo Mainardi, e publicada na revista. Vejam o que Mainardi revelou sobre ela:


"Eliane Cantanhde, chefe da sucursal de Braslia da Folha de S.Paulo, mulher de Gilnei Rampazzo, um dos donos da GW, a produtora que cuidou das ltimas campanhas eleitorais de Geraldo Alckmin e de Jos Serra. Gilnei Rampazzo scio de Luiz Gonzales, o marqueteiro escolhido pelo PSDB para coordenar a campanha presidencial de Geraldo Alckmin".


Os fatos falam por si. Fica difcil imaginar que os rios de dinheiro que o marido de Cantanhde certamente recebe dos tucanos, sendo marqueteiro deles, no foram a causa da interrupo das crticas cidas que ela fazia ao PSDB e do desencadeamento de ataques virulentos que passou a fazer a Lula e ao PT. Por isso, a coluna dela de hoje, que mencionei no incio deste texto, deve ser lida como um comunicado de algum que se tornou um dos mais fiis porta-vozes do PSDB e, particularmente, de Jos Serra. A coluna em questo trata do que o PSDB e o PFL pretendem com a CPI do setor areo.

 

Estejam certos de que Cantanhde sabe do que est falando. Ela decifrou para ns exatamente o que pretendem PSDB, PFL e imprensa com a CPI do setor areo. O excesso de arrogncia e o "sabugismo", a vontade de mostrar servio, parecem ter levado a colunista da Folha a entregar o ouro. Quem se informa, tem crebro para pensar sozinho e, portanto, sabe o que est acontecendo na poltica deste pas, recebeu um presento de Cantanhde e de seu empregador formal. Agora, bastar acompanharmos o script que a porta-voz tucana to gentilmente nos ofereceu.


Leia a coluna de Eliane Cantanhde, reproduzida pelo Fonte Brasil



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