Brasil

20 de julho de 2011 - 10h45

Articulações fisiológicas intensificam-se para eleição de 2012


No caso do Brasil, onde há diversidade de cenários, pode ser natural também que as alianças não sejam uniformes. Mas o espantoso é quando se perde toda a coerência e os parâmetros programáticos. Até mesmo a condição de ser governo e oposição no plano nacional é inteiramente posta à margem e o que passa a presidir as composições é o mais grosseiro e aberrante fisiologismo.

É o que se pode depreender das informações do jornal Valor desta quarta-feira (20), dando conta de que o DEM e o PMDB estão com conversas adiantadas para marcharem unidos nas eleições municipais em São Paulo e Salvador, em 2012. Segundo a estratégia que está a ser traçada nas conversações entre as cúpulas das duas formações, Gabriel Chalita (PMDB) seria o candidato à Prefeitura de São Paulo com apoio do DEM, que indicaria seu vice. Em troca, o PMDB apoiaria a candidatura de Antônio Carlos Magalhães Neto (DEM) na capital baiana, também podendo indicar o vice.

Como se sabe, o DEM é um partido da direita neoliberal e conservadora e faz uma oposição estridente ao governo da presidente Dilma, como fez ao ex-presidente Lula. O PMDB, que com muito favor poderia ser classificado como de centro, está bem instalado no governo e o seu dirigente é ninguém menos que Michel Temer, vice-presidente da República. Vale lembrar que Gabriel Chalita foi uma destacada liderança do PSDB e do governo também conservador e neoliberal de Geraldo Alckmin (PSDB). Teve uma efêmera passagem pelas fileiras do PSB, não por razões ideológicas, e recentemente se filiou ao PMDB, partido que considera mais adequado às suas ambições de conquistar a Prefeitura de São Paulo.

O jornal Valor reproduz declaração de um dirigente do DEM reveladoras de pensamento nada edificante para a grande política: "O PSDB está nessa zona de conforto, de achar que o DEM sempre irá com eles. Mas, até pela sobrevivência do partido, nosso jogo é nacional, precisa casar vários apoios pelo país".

Em Salvador o DEM tem se articulado pela candidatura de ACM Neto, enquanto no PMDB a hipótese de lançar o radialista Mário Kertész, ex-prefeito da cidade por duas vezes, ganhou corpo nos últimos meses. Surge agora a hipótese de as duas siglas juntarem forças.

Enquanto isso, em São Paulo, os tucanos se engalfinham. O secretário estadual de Cultura, Andrea Matarazzo, reuniu-se na segunda-feira (18) com o governador Geraldo Alckmin para apresentar seu nome como candidato do PSDB à Prefeitura da capital paulista em 2012, acirrando a disputa interna pelo poder no partido. A decisão conta com apoio de parte da cúpula do PSDB paulista e altera a correlação de forças no partido na corrida municipal do ano que vem.

Apesar de deixar ainda mais distante a possibilidade de Serra disputar a Prefeitura, a indicação conta com o apoio do ex-governador e candidato derrotado na eleição presidencial. O nome de Matarazzo surge como uma alternativa da ala próxima a Serra em contraponto ao grupo do governador Alckmin, que flerta com alguns possíveis candidatos, mas sem ainda nenhuma definição oficial.

Os tucanos que defendem o nome do secretário o apontam como "novidade" na corrida eleitoral. Após revezamento entre Serra e Alckmin na disputa municipal pelo PSDB desde 1996, seria o momento de lançar um nome novo na eleição. "Acho que seria bom adiantar o relógio", defende um dos caciques do partido, informa o jornal O Estado de S.Paulo.

Da Redação com informações do Valor e de O Estado de S.Paulo




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