Brasil

20 de junho de 2011 - 14h23

Flávio Dino fala sobre gestão na Embratur e futuro político


Flávio Dino diz que "se a decisão política partidária e dos aliados for que eu seja candidato a prefeito, eu serei candidato a prefeito".

Vermelho: A sua área é jurídica, qual a expectativa ao assumir um cargo nesse setor?
Flávio Dino: A politica de turismo é uma política pública e como tal deve ser gerida politicamente. Essa experiência jurídica e política que eu tenho pessoalmente ajudam a compreensão dessa política pública e sua gestão. Na verdade, a política pública de turismo, que possui suas especificidades, não é isolada das demais políticas de Estado. Ao contrário, para ser bem-sucedida, seja na sua dimensão interna ou internacional, depende da interface com outras políticas que são desempenhadas pelo Estado. Exatamente aí que entra essa experiência jurídica e política que eu possuo de articular política pública de turismo com outras politicas de Estado e com isso fortalecer a política pública de turismo e possibilitar a realização desses macro-objetivos que nós temos, sobretudo no terreno econômico.

Vermelho: Quais são esses objetivos?
FD: A política pública de turismo é reconhecida mundialmente, algo consolidado na sua grande aptidão de gerar emprego, renda e divisas para o país, recursos para financiamento do Estado brasileiro. Esses macro-objetivos sustentam a necessidade de ela ser priorizada permanentemente e, no caso brasileiro, com uma singularidade de grande importância. A política de turismo se torna mais estratégica na medida em que o Brasil sediará em 2014 e 2016 os dois maiores eventos do planeta, que devem ser trabalhados antes, durante e depois, como capazes de fortalecer a imagem do país no cenário internacional e elevar o patamar de participação do Brasil no mercado de turismo internacional que ainda é muito pequeno. A estimativa é de que um bilhão de pessoas circulam no mundo e no Brasil a presença de turistas estrangeiros está na ordem de cinco milhões e cem mil turistas. Portanto, temos um grande espaço de crescimento.

Vermelho: E com relação ao mercado interno. Com o dólar em baixa, muitos brasileiros viajam para o exterior. O que pode ser feito para estimular mercado interno e aproveitar esses turistas dentro do Brasil?
FD:  Também aí os eventos esportivos ajudam. Porque nós teremos 14 cidades que serão sede de jogos da Copa do mundo e nós devemos fortalecê-las como destinos turísticos para estrangeiros e para os brasileiros. Na medida em que articularmos e promovermos ações de promoção desses destinos, que não são só os estados sedes, mas também os estados vizinhos, que podem e devem ser abrangidos por esse esforço de divulgação e promoção, se fortalece a imagem desse destinos, alguns já consolidados, outros por consolidar, também se beneficiará e se incentivará o turismo interno.

Vermelho: ...
FD:
... Além do fato dos investimentos de infraestrutura, de saneamento e de mobilidade que estão articulados com os eventos esportivos melhorarão as condições de vida para a população e para os estrangeiros.

Vermelho: Eu ia perguntar exatamente isso, de que maneira essas melhorias na infraestrutura das cidades e nos serviços, como o de segurança no Rio de Janeiro, por exemplo, ajudarão no turismo interno?
FD: Nenhuma proposta ou projeto que seja implementado nessas áreas tem efeito isolado em relação a outros aspectos. Por isso é importante compreender a centralidade dos grandes eventos para a política de turismo. Não por eles em si apenas. Eles são importantes por eles mesmos. A estimativa é que 900 mil pessoas de outros países nos visitarão para participar desses dois eventos. Isso já de grande importância, mas é fundamental aproveitar essa janela de possibilidade única. Nenhum país teve oportunidade de num espaço de tempo tão curto sediar dois eventos que geram impactos que são reconhecidos por todos.

Vermelho: Esses dois eventos podem ajudar também a ampliar a oferta de produtos turísticos no Brasil, ou seja, atraindo outros e mais eventos?
FD: O turismo de eventos e negócios é essencial. Em São Paulo, por exemplo, o turismo de eventos e negócios é de grande importância. Há um esforço da Embratur de atrair eventos internacionais e à medida que a ‘expertise’ brasileira for comprovada com a realização de dois eventos de altíssima complexidade, com certeza estimulará que outros eventos internacionais possam ser realizados no Brasil, ajudando que a imagem do nosso país tenha agregação de outros elementos, porque hoje os carros-chefe de atração de turistas estrangeiros para o Brasil são a nossa natureza e o nosso povo. Precisamos agregar a isso outros elementos, entre os quais está o fato de termos atrativos naturais, cultura viva de grande diversidade, povo caloroso, alegre, hospitaleiro, mas temos o ativo da modernidade, que tem boa estrutura. Novamente aqui os grandes eventos esportivos vão ajudar a agregar esses elementos e com isso nós podemos ocupar um lugar melhor no mercado internacional do turismo na medida em que nossa imagem se pluralize com outros elementos.

Vermelho: Qual o nível de preocupação da Embratur no combate ao turismo sexual?
FD: Novamente é preciso contar com ações de outros órgãos do Estado, como o Ministério da Justiça, com ação repressiva, sobretudo, e também do Ministério dos Direitos Humanos. No caso específico da Embratur, há preocupação que existe e permanece quando da divulgação do nosso país não se fortaleça esses elementos. Inconscientemente no passado havia indevida associação entre a imagem do nosso país a fatores que estimulariam o turismo sexual. Isso tem que ser veementemente combatido.

Vermelho: Qual a sua expectativa com relação ao seu futuro político? As eleições municipais estão se aproximando. Você será candidato?
FD: A expectativa é que cada dia com sua agonia (risos). Esse é um ótimo problema. De fato, o Partido está muito bem posicionado na luta política no Maranhão. Se fortalece a cada dia em São Luiz e em outras cidades do estado. O Partido vem de duas campanhas vitoriosas politicamente que o colocaram no patamar muito bom de protagonismo político. A indicação para a Embratur não enfraquece isso, ao contrário, fortalece esse processo de construção de uma alternativa política no estado. Como isso se traduz concretamente nas eleições para prefeito de São Luiz é algo a ser tratado em 2012. Nem é correto afirmar hoje que eu serei candidato a prefeito de São Luiz, como também não é correto dizer que em função da indicação para Embratur eu não serei candidato a prefeito, porque se a decisão política partidária e dos aliados for que eu seja candidato a prefeito, eu serei candidato a prefeito.

De Brasília
Márcia Xavier


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